sábado, 18 de julho de 2015

SALMOS 20 - Tempo de Oração em tempos de Crise

Duas histórias me marcaram dias atrás, ambas relacionadas com a prática da oração. A primeira delas é sobre Martinho Lutero. Dizem os estudiosos que Lutero foi um homem dedicado ao extremo à obra de Deus. Incansavelmente, desde o raiar do dia, ele investia horas a fio no estudo, tradução e comentários teológicos, produzindo um vasto material e um grande legado. Apesar de tantas obrigações auto-impostas, Lutero passava uma ou duas horas do dia orando. Curiosa mesmo era sua explicação para orar tanto tempo: “Eu oro muito porque tenho muita coisa para fazer”.
A segunda história tem como pano de fundo as atividades de uma comissão eclesiástica para a contratação de um pastor. Enquanto a comissão examinava o candidato sobre suas posições teológicas e sua experiência administrativa, uma senhora piedosa o interrogou a respeito de quanto tempo ele gastava em oração. Um silêncio profundo foi sentido até que outro membro da comissão explicou que o pastor, antes de pregar, dirigiu a igreja em oração por cerca de quatro minutos. A gentil senhora então explicou: “Não foi isso o que eu quis dizer. Eu quero saber quanto o senhor ora pela igreja, pelos membros e por você mesmo em seu tempo devocional”.
Essas duas histórias chamaram minha atenção, pois falam da oração feita em momentos em que se imagina que ela consome tempo e esforço necessários para tarefas “mais importantes”. As duas histórias nos lembram como esse conceito é falso e quanto a oração é necessária, inclusive – se não “principalmente” –, nos momentos mais atarefados e difíceis da vida.
O rei Davi é um bom exemplo, no Salmo 20, de priorização da oração em momentos difíceis. Ao que tudo indica, ele vivenciava a iminência de uma guerra. A batalha se aproximava e todos os preparativos deviam ser feitos: o deslocamento das tropas, a preparação das armas, a instrução dos comandantes, a organização das provisões, o encorajamento dos soldados e muitas outras tarefas imprescindíveis para enfrentar militarmente um inimigo. Tudo isso leva tempo e dá muito trabalho. Na verdade, exige empenho total, principalmente por parte do comandante – nesse caso, o rei.
É nesse momento tão atarefado que Davi encontra tempo para orar, ou melhor, ele prioriza a oração. E não somente para ele, mas para todo o povo. O Salmo 20 é uma composição a fim de os israelitas se dirigirem a Deus em oração pedindo suas bênçãos sobre o exército e clamando por vitória para seu rei. O mesmo salmo parece servir como veículo para levar o povo da terra e os soldados a atitudes corretas diante de Deus a fim de, com a verdade em mente, cumprir cada um seu papel em consonância com a vontade do Senhor. Pelo menos três atitudes são incentivadas por Davi por meio do salmo que deveria ser repetido, em espírito de oração, pelo povo.
A primeira delas é a petição. O salmo inicia com o povo orando pelo rei (v.1): “Que o Senhor te atenda no dia perigoso. Que o nome do Deus de Jacó te defenda”. Como o rei Davi lutou com o exército e o liderou no campo de batalha por boa parte da sua vida, o povo clama a Deus que lhe dê proteção diante do perigo de ser ferido na luta e para ser mantido seguro. A ideia é ser colocado em um lugar alto, como um pequeno filhote, para os predadores não o alcançarem. Apesar de haver um exército para proteger o rei, sem falar na sua guarda pessoal, o povo clama por um auxílio que vem de outra fonte que não soldados e generais. O pedido é (v.2): “Que envie ajuda para ti do santuário e de Sião te sustente”. A fonte da ajuda a Davi deveria vir do “santuário” e do “monte Sião”, ambos localizados em Jerusalém. Na verdade, essa é uma figura de linguagem para se referir àquele que era adorado no santuário e em Sião. É o Senhor Deus a fonte da proteção do seu servo na batalha. Esse tom de petição permanece até o final do salmo (v.9): “Preserve o rei, ó Senhor”.
A segunda atitude é a submissão. Apesar de o desejo do povo, dos soldados e do próprio rei ser a vitória, sua petição se submete ao plano e ao desejo do Deus dos exércitos. Sua oração não age como se fosse um modo de convencer Deus a cumprir a vontade dos pedintes. Ao contrário, é um ato de confiança e de submissão àquele cuja vontade é boa (Rm 12.2) e cuja soberania é imbatível (Dn 4.35; Ef 1.11). Assim, eles oram (v.4): “Dê-lhe conforme o teu coração e cumpra todos os teus planos”. Essa é uma oração corajosa. Lógica também, pois se baseia na revelação das Escrituras de que Deus faz tudo conforme lhe apraz. Entretanto, é corajosa por abrir mão de decidir seu rumo confiando que os rumos do Senhor, coincidindo ou não com o dos solicitantes, são sempre os melhores. Portanto, não é uma coragem irresponsável, mas a confiança corajosa de quem conhece seu Senhor. Por isso, eles declaram (v.7): “Uns confiam nos carros e outros nos cavalos, mas nós invocaremos o nome do Senhor nosso Deus”.
A terceira é a gratidão. Mesmo parecendo extemporâneo, o povo, pela escrita de Davi, já fala de agradecimentos e louvores a Deus pela vitória. Devemos notar que não há aqui qualquer tipo de superstição do tipo “agradeça antes para que venha a acontecer”. O salmista conhece o modo de Deus agir nas situações da vida. Não era a primeira vez que Davi lutaria apoiado por Deus. Ele sabia como Deus o suportou no passado e como o sustentava agora. Portanto, depois de exibir confiança no Senhor, ele leva agora o povo a declarar sua gratidão a Deus e se preparar para louvá-lo na sequência da sua atuação em prol dos servos. Consequentemente, eles proclamam (v.5): “Celebremos nós pelo teu livramento e icemos a bandeira pelo nome do nosso Deus”.
Só então, depois de escrever um salmo, reunir o povo e levá-los a orar a Deus pedindo proteção e vitória para o rei e seu exército, é que os preparativos para a guerra encontram oportunidade de acontecer. A lição parece ter-se perpetuado, pois, Josafá – mais de um século depois, ao receber a notícia de que três exércitos se aproximavam por um caminho inesperado e sem defesas (2Cr 20), estando a menos de um dia de Jerusalém –, em lugar de se desesperar e correr atrás dos preparativos para a guerra, em primeiro lugar, se dobrou em oração perante o Senhor e levou o povo a fazer o mesmo (2Cr 20.3,4). O resultado foi uma vitória fantástica (2Cr 20.22-25).
Que exemplos como esses nos ensinem e nos motivem a buscar Deus, não apenas “apesar da falta de tempo”, mas, principalmente “por causa da falta de tempo”. Afinal, qual é o preparativo ou a providência que não vêm das mãos daquele que é soberano sobre tudo e que cuida com amor e zelo daqueles que lhe pertencem?
 Pr. Thomas Tronco (www.igrejaredencao.org.br)

segunda-feira, 1 de junho de 2015

O CEGO DE JERICÓ MC 10:46-52


E depois, foram para Jericó. E, saindo ele de Jericó com seus discípulos e uma grande multidão, Bartimeu, o cego, filho de Timeu, estava assentado junto do caminho, mendigando.
E, ouvindo que era Jesus de Nazaré, começou a clamar, e a dizer: Jesus, filho de Davi, tem misericórdia de mim.
E muitos o repreendiam, para que se calasse; mas ele clamava cada vez mais: Filho de Davi! Tem misericórdia de mim. E Jesus, parando, disse que o chamassem; e chamaram o cego, dizendo-lhe: Tem bom ânimo; levanta-te, que ele te chama. E ele, lançando de si a sua capa, levantou-se, e foi ter com Jesus.
E Jesus, falando, disse-lhe: Que queres que te faça? E o cego lhe disse: Mestre, que eu tenha vista.
E Jesus lhe disse: Vai, a tua fé te salvou. E logo viu, e seguiu a Jesus pelo caminho.



O evangelista Marcos nos deixou em seus escritos uma das histórias mais lindas e surpreendentes das escrituras. Tudo começou quando Jesus estava saindo de Jericó (Mc 10:46). Por onde Jesus andava uma grande multidão aflita, necessitada e oprimida o seguia aguardando que Jesus pudesse os livrar de sua terrível angústia e opressão. Jericó era uma cidade que nos tempos de Josué, havia fechado as portas para os Israelitas (Js 6:01). Devido à atitude dos moradores de Jericó, Josué chamou essa cidade de anátema (maldita) e assim, Josué deu ordem para que ninguém tocasse em nada que havia em Jericó (Js 6:17-18). Como a história nos diz, Jericó veio ao chão e o Senhor entregou essa cidade ao seu povo (Js 6:20).
Foi em Jericó estabelecida uma escola de profetas, no reinado de Acabe, sendo visitada por Elias e Eliseu (2Rs 2.4-18). Atualmente,  Jericó é um montículo de três hectares chamado de Tell es-Sultão, localizado ao lado de abundante manancial conhecido como Fonte de Eliseu.
Conforme a narrativa nos diz, quando Jesus estava saindo de Jericó, havia um homem cujo nome era Bartimeu, e esse homem era cego. As escrituras mencionam que Bartimeu era filho de Timeu. Alguns historiadores dizem que Timeu se opôs aos soldados de Roma, sendo ele morto crucificado e, para que Bartimeu não representasse algum possível problema para o futuro, os soldados o deixaram cego quando ele ainda era criança.
Como Israel não aceitava nenhuma pessoa que tivesse alguma deficiência, Roma permitiu que Bartimeu pudesse mendigar através de uma capa ele ganhou, pois aos cegos eram dadas capas, uma espécie de “alvará” com a intenção que os judeus não menosprezassem tanto assim os cegos.
Bartimeu nunca viu a cor do céu, das suas roupas, nunca viu os animais, pois a sua vida sempre foi em trevas. Podia sentir o calor do Sol e o frio da noite, podia sentir o sabor do pão e do vinho, mas jamais os vira anteriormente. Embora não pudesse ler por ser cego, Bartimeu tinha todos os outros sentidos e sempre ouvia os judeus falando do Messias, aquele que era o descendente de Davi que viria e faria a nação de Israel grande novamente. Sempre escutava os relatos dos profetas através das pessoas. Ele não podia enxergar, mas ouvia todas as palavras dos judeus e as guardava em seu coração.
Bartimeu era cego mas existem algumas virtudes que esse homem levava:
 
 
a)      Embora Bartimeu fosse cego, sua deficiência (visão) não impedia que seus outros sentidos funcionassem;
 
 
b)      Bartimeu sempre deu valor para aquilo que tinha, pois mesmo sendo deficiente, ele sempre carregava sua capa para que pudesse sobreviver em meio aquela vida miserável. Ele jamais foi ingrato devido sua condição;
 
 
c)       Bartimeu sabia que existia um homem cujo nome era Jesus, que estava realizando milagres;
Todos os dias na vida de Bartimeu eram iguais. Vivia na expectativa de receber alguma sobra, pois foi à beira do caminho de Jericó que ele ficava na esperança que alguém lhe desse esmolas (Mc. 10-46). Na verdade, quase todos os dias eram iguais, exceto um dia! O caminho que Bartimeu realizava era sempre o mesmo, pois sua debilidade não o proporcionava andar por outros lugares. O barulho que Bartimeu ouvira não era dos animais, de pessoas andando ou pássaros a cantar. Havia uma agitação pelos arredores de Jericó. Pessoas falando alto, mulheres gritando, homens chamando por um homem Galileu. Não era esse tipo de barulho que Bartimeu estava acostumado a ouvir. Era Jesus de Nazaré! Quando Bartimeu descobriu que Jesus estava passando por Jericó, começou a clamar bem alto dizendo “Jesus filho de Davi, tenha compaixão de mim” (Mc. 10:48). Quando mais Bartimeu clamava, a multidão o repreendia para que ele se calasse, mas isso fazia com que esse homem clamasse mais ainda.
 
 
Quando Jesus passou por Jericó, Bartimeu nos ensina que:
 
 
1)      Bartimeu era cego fisicamente, mas não espiritualmente.
 
 

Ø  Infelizmente nos dias atuais existem pessoas que estão cegas espirituais, não conseguem enxergar a situação atual, a cegueira espiritual está corroendo suas mentes, coração. Essas pessoas deixaram de orar, jejuar, examinar as escrituras e o resultado dessas trevas são casamentos se destruindo, amizades sendo destruídas, pessoas estão perdendo seus empregos.
 
 
Ø  Bartimeu não deixou que o problema da sua visão afetasse o resto de sua vida. Pessoas estão deixando seus problemas afetarem sua saúde, família, ministério. Muitos estão se entregando à depressão nos dias de hoje porque perdeu emprego, namorado (a), esposo (a). Nunca deixe que seus problemas ou deficiência te impeçam de viver em adoração e humildade perante o Senhor!
 
 

2)      A multidão repreendia o cego, porém, Bartimeu enxergava com a fé aquele poderia trazer a existência aquilo que jamais existiu.
 
 
Ø  Para Bartimeu, enquanto houver vontade lutar, haverá esperança pra vencer.
 
 
Ø  Satanás tentou desanimar Bartimeu e lembrando sua deficiência (Mc. 10:48), mas ele não perdeu o foco. O inimigo de nossas almas sempre lutará para que você perca as esperanças, desanime, desista, porém as escrituras nos ensinam que devemos resistir ao diabo que ele fugirá (Tg 4:07).
 
 
Ø  Bartimeu estava à beira do caminho, não estava no caminho. Quando Jesus conforme a narrativa estava saindo de Jericó, uma multidão o acompanhava e assim Bartimeu precisou clamar bem alto para que Jesus o ouvisse. É preciso estar no caminho para receber as bênçãos de Cristo. Estar “a beira do caminho” é perigoso, não existem garantias nenhuma de livramento. Muitas pessoas por estarem cegas espiritualmente, saíram dos caminhos certos de Cristo e hoje vivem à mercê do opróbrio.

Jesus percebeu dentro do coração através da declaração que Bartimeu fez, reconhecendo que ele era o Messias. Então mandou chamar Bartimeu (Mc. 10:49). Quando Jesus mandou chamar Bartimeu, logo aprendemos que:
 
 
·       Bartimeu aproveitou a oportunidade. Muitas pessoas por seu orgulho e prepotência não tem dado ouvidos a Cristo e durante suas vidas tem perdido as oportunidades. Você sabe por quê? Estão totalmente cegas!
 
 
·       Imediatamente Bartimeu largou sua capa (Mc. 10:50) pois não precisava mais dela pois quem agora o estava chamando era Jesus. Existem pessoas que tem boas intenções, querem servir ao ministério, mas não conseguem deixar para trás as coisas velhas. Para se ter uma vida nova, é preciso ter fé, abandonar os vícios, antigas convicções, superstições, pois Jesus faz nova todas as coisas.
 
 
·      Quando Jesus chama, devemos obedecê-lo imediatamente, pois aí existe uma nova mudança de vida.

 
Ao ser levado até Jesus, Bartimeu ouviu a seguinte pergunta da boca de Cristo: “O que queres que eu te faça?” (Mc. 10:51). Embora Jesus já soubesse da atual condição de Bartimeu ele queria ouvir da boca do próprio cego. Nisso, aprendemos que:
 
 
a)      Precisamos realmente saber o que é prioridade em nossas vidas. Quais são os problemas principais que para nós são impossíveis?
 
 
b)      Apresentar para Cristo nossas aflições, inquietações, angústias e sofrimentos.
 
 
c)       Ter todo cuidado com nossas palavras, pois Cristo havia feito uma pergunta para Bartimeu.
 
 
A resposta dada por Bartimeu foi imediata (Mc.10:51) e você sabe qual foi o resultado? Bartimeu foi curado! Jesus viu algo diferente no coração de Bartimeu que acredito eu não ter encontrado na multidão que o seguia: Uma fé que tem que ser valorizada! A única coisa que realmente agrada a Deus é a fé (Hb 11:06). Nós não o enxergamos com os olhos carnais, mas nossa fé nos possibilita enxergar uma válvula de escape nos momentos de grande dificuldade. Assim como Bartimeu, não perca o foco, não deixe que as pessoas enterrem seus sonhos. Se a tribulação e o deserto estão te machucando, clame a Deus assim como Bartimeu clamou e recebeu seu milagre através da fé. Diz o escritor aos Hebreus: “Não rejeites sua confiança, ele tem grande galardão” (Hb 10:35).
 
 
“BEM AVENTURADO OS QUE NÃO VIRAM E CRERAM” Jo 20:29
 
 

sexta-feira, 29 de maio de 2015

O EPELHO - TIAGO 1:19-25


 
Portanto, meus amados irmãos, todo o homem seja pronto para ouvir, tardio para falar, tardio para se irar.
Porque a ira do homem não opera a justiça de Deus.
Por isso, rejeitando toda a imundícia e superfluidade de malícia, recebei com mansidão a palavra em vós enxertada, a qual pode salvar as vossas almas.
E sede cumpridores da palavra, e não somente ouvintes, enganando-vos a vós mesmos.
Porque, se alguém é ouvinte da palavra, e não cumpridor, é semelhante ao homem que contempla ao espelho o seu rosto natural;
Porque se contempla a si mesmo, e vai-se, e logo se esquece de como era.
Aquele, porém, que atenta bem para a lei perfeita da liberdade, e nisso persevera, não sendo ouvinte esquecidiço, mas fazedor da obra, este tal será bem-aventurado no seu feito.
Tiago 1:19-25

 
A carta de Tiago é um livro prático. Esse livro é considerado o livro de Provérbios do Novo Testamento. Tiago é mais pregador do que escritor. Um dos grandes problemas que a igreja estava enfrentando era colocar em prática aquilo que eles professavam. A vida era divorciada da Teologia. O tema central de Tiago em sua carta é: o nascimento, o crescimento e maturidade do cristão. Quem era Tiago? Havia 3 deles: Tiago, o apóstolo, filho de Zebedeu, irmão de João; Tiago apóstolo, filho de Alfeu; e, Tiago, irmão de Jesus. Essa carta foi escrita por Tiago irmão de Jesus. No começo ele não cria em Jesus. Mais tarde, ele tornou-se um proeminente líder na vida da igreja. Tiago foi apedrejado em 62 d.C. pelo sinédrio. Embora amado pelo povo e odiado pela aristocracia, Tiago escreve essa carta aos cristãos os exortando e admoestando:

 

a)     Eles estavam passando por duras provações;
 

b)    Eles estavam sendo tentados a pecar (1:2-3);
 

c)     Alguns crentes estavam sendo humilhados pelos ricos, enquanto outros estavam sendo roubados pelos ricos (2:06);


d)    Alguns membros estavam  falhando em viver o que pregavam (1:22);

 
e)     Muitos não conseguiam dominar a própria língua (1:26).


Mas através de uma síntese, Tiago compara a vida de uma pessoa que não se atenta à Deus, como um homem que olhou para sua face no espelho de relance. Existem 3 verdades sobre o espelho:

 

1)     O ESPELHO REVELA QUEM SOU EU

 

(Eleito) Revesti-vos, pois, como eleitos de Deus, santos e amados, de entranhas de misericórdia, de benignidade, humildade, mansidão, longanimidade; (Colossenses 3:12).

 
(Chamados) Que nos salvou, e chamou com uma santa vocação; não segundo as nossas obras, mas segundo o seu próprio propósito e graça que nos foi dada em Cristo Jesus antes dos tempos dos séculos; (2 Timóteo 1:9).

 
(Reis e sacerdotes) E nos fez reis e sacerdotes para Deus e seu Pai; a ele glória e poder para todo o sempre. Amém.(Apocalipse 1:6).

 
(Nova Criatura) Assim que, se alguém está em Cristo, nova criatura é; as coisas velhas já passaram; eis que tudo se fez novo (2 Coríntios 5:17).

 
·         Precisamos entender que para que possamos desfrutar do poder de Deus, a nossa vida tem que estar em dia no altar. Não basta ser chamado por Deus, tem que viver como alguém que atendeu ao chamado do Senhor. A bíblia relata um caso de alguns jovens que não tinham a vida no altar, no final passaram a maior vergonha de suas vidas:

 
E Deus pelas mãos de Paulo fazia maravilhas extraordinárias.
De sorte que até os lenços e aventais se levavam do seu corpo aos enfermos, e as enfermidades fugiam deles, e os espíritos malignos saíam.
E alguns dos exorcistas judeus ambulantes tentavam invocar o nome do Senhor Jesus sobre os que tinham espíritos malignos, dizendo: Esconjuro-vos por Jesus a quem Paulo prega.
E os que faziam isto eram sete filhos de Ceva, judeu, principal dos sacerdotes.
Respondendo, porém, o espírito maligno, disse: Conheço a Jesus, e bem sei quem é Paulo; mas vós quem sois?
E, saltando neles o homem que tinha o espírito maligno, e assenhoreando-se de todos, pôde mais do que eles; de tal maneira que, nus e feridos, fugiram daquela casa.
E foi isto notório a todos os que habitavam em Éfeso, tanto judeus como gregos; e caiu temor sobre todos eles, e o nome do Senhor Jesus era engrandecido.
Atos 19:11-17


·         Muitas vezes em nossas vidas, olhamos para os problemas e achamos que a melhor coisa à fazer é se esconder, quando na verdade, temos grande potencial de encarar o problema face-a-face.
Vivemos num complexo de inferioridade querendo fugir, quando na verdade o Senhor espera que tenhamos uma atitude de coragem de enfrentar todas as dificuldades. Isso me faz lembrar de Gideão, quando estava no lagar, fugindo da adversidade e daí o Senhor vem e anima seu coração e sua auto estima para a batalha:

 

Então o anjo do Senhor lhe apareceu, e lhe disse: O Senhor é contigo, homem valoroso.
Mas Gideão lhe respondeu: Ai, Senhor meu, se o Senhor é conosco, por que tudo isto nos sobreveio? E que é feito de todas as suas maravilhas que nossos pais nos contaram, dizendo: Não nos fez o Senhor subir do Egito? Porém agora o Senhor nos desamparou, e nos deu nas mãos dos midianitas.
Então o Senhor olhou para ele, e disse: Vai nesta tua força, e livrarás a Israel das mãos dos midianitas; porventura não te enviei eu?
E ele lhe disse: Ai, Senhor meu, com que livrarei a Israel? Eis que a minha família é a mais pobre em Manassés, e eu o menor na casa de meu pai.
E o Senhor lhe disse: Porquanto eu hei de ser contigo, tu ferirás aos midianitas como se fossem um só homem.
E ele disse: Se agora tenho achado graça aos teus olhos, dá-me um sinal de que és tu que falas comigo.

Rogo-te que daqui não te apartes, até que eu volte e traga o meu presente, e o ponha perante ti. E disse: Eu esperarei até que voltes.
E entrou Gideão e preparou um cabrito e pães ázimos de um efa de farinha; a carne pôs num cesto e o caldo pôs numa panela; e trouxe-lhe até debaixo do carvalho, e lhe ofereceu.
Porém o anjo de Deus lhe disse: Toma a carne e os pães ázimos, e põe-nos sobre esta penha e derrama-lhe o caldo. E assim fez.
E o anjo do Senhor estendeu a ponta do cajado, que estava na sua mão, e tocou a carne e os pães ázimos; então subiu o fogo da penha, e consumiu a carne e os pães ázimos; e o anjo do Senhor desapareceu de seus olhos.
Então viu Gideão que era o anjo do SENHOR e disse: Ah, Senhor DEUS, pois vi o anjo do SENHOR face a face.
Porém o Senhor lhe disse: Paz seja contigo; não temas; não morrerás.
Então Gideão edificou ali um altar ao SENHOR, e chamou-lhe: O SENHOR É PAZ; e ainda até o dia de hoje está em Ofra dos abiezritas.
Juízes 6:12-24



2)     O ESPELHO REVELA COMO ESTOU

 

(Visíveis) Diante de ti puseste as nossas iniquidades, os nossos pecados ocultos, à luz do teu rosto.
(Salmos 90:8)


(Cansado) Vinde a mim, todos os que estais cansados e oprimidos, e eu vos aliviarei. Tomai sobre vós o meu jugo, e aprendei de mim, que sou manso e humilde de coração; e encontrareis descanso para as vossas almas. Porque o meu jugo é suave e o meu fardo é leve (Mateus 11:28-30)


(Perturbado) Deixo-vos a paz, a minha paz vos dou; não vo-la dou como o mundo a dá. Não se turbe o vosso coração, nem se atemorize. (João 14:27)

 
·         Às vezes achamos que estamos bem diante do Senhor, que nossa adoração está chegando ao trono da graça, que nossa oferta é como incenso suave às narinas do Senhor, quando na verdade, não passa de enganação. Em Apocalipse, João escreve uma carta à Igreja de Laodicéia, que não haviam deixado a essência do Espírito Santo, mas que não eram fervorosos o suficiente para agradar a Deus – eram mornos:

 
E ao anjo da igreja de Laodicéia escreve: Isto diz o Amém, a testemunha fiel e verdadeira, o princípio da criação de Deus:
Conheço as tuas obras, que nem és frio nem quente; quem dera foras frio ou quente!
Assim, porque és morno, e não és frio nem quente, vomitar-te-ei da minha boca.

Como dizes: Rico sou, e estou enriquecido, e de nada tenho falta; e não sabes que és um desgraçado, e miserável, e pobre, e cego, e nu;
Aconselho-te que de mim compres ouro provado no fogo, para que te enriqueças; e roupas brancas, para que te vistas, e não apareça a vergonha da tua nudez; e que unjas os teus olhos com colírio, para que vejas.
Eu repreendo e castigo a todos quantos amo; sê pois zeloso, e arrepende-te.

Eis que estou à porta, e bato; se alguém ouvir a minha voz, e abrir a porta, entrarei em sua casa, e com ele cearei, e ele comigo.
Ao que vencer lhe concederei que se assente comigo no meu trono; assim como eu venci, e me assentei com meu Pai no seu trono.
Quem tem ouvidos, ouça o que o Espírito diz às igrejas.
Apocalipse 3:14-22


·         Somos campeões em sentir medo da luta do dia-a-dia. As escrituras nos narram uma história fantástica de um rei chamado Josafá. Quando ele estava cercado pelos inimigos, então sentiu medo e ficou apavorado. Todavia, o Senhor levanta sua voz através de um homem chamado Jaaziel para acalmar o coração do rei e encorajá-lo para a batalha que já estava ganha.

 
Então veio o Espírito do Senhor, no meio da congregação, sobre Jaaziel, filho de Zacarias, filho de Benaia, filho de Jeiel, filho de Matanias, levita, dos filhos de Asafe,
E disse: Dai ouvidos todo o Judá, e vós, moradores de Jerusalém, e tu, ó rei Jeosafá; assim o Senhor vos diz: Não temais, nem vos assusteis por causa desta grande multidão; pois a peleja não é vossa, mas de Deus.
Amanhã descereis contra eles; eis que sobem pela ladeira de Ziz, e os achareis no fim do vale, diante do deserto de Jeruel.

Nesta batalha não tereis que pelejar; postai-vos, ficai parados, e vede a salvação do Senhor para convosco, ó Judá e Jerusalém. Não temais, nem vos assusteis; amanhã saí-lhes ao encontro, porque o Senhor será convosco.
Então Jeosafá se prostrou com o rosto em terra, e todo o Judá e os moradores de Jerusalém se lançaram perante o Senhor, adorando-o. (2 Crônicas 20:14-18)

 

3)     O ESPELHO REVELA COMO EU QUERO FICAR

 

Imago Dei – Imagem de Deus
 

Para Ellen White “a imagem de Deus está impressa na retina da alma humana e à medida que o homem se relaciona com Ele e o contempla intimamente, é moldado a sua semelhança.

Apenas a Palavra de Deus poderá nos tornar semelhante com o Altíssimo. Quando Israel voltou do cativeiro, Esdras sabia que as escrituras e as leis fariam com que o povo voltasse a andar nos caminhos do Senhor.

“Porque Esdras tinha preparado o seu coração para buscar a lei do Senhor e para cumpri-la e para ensinar em Israel os seus estatutos e os seus juízos”. (Esdras 7:10)

“Toda a Escritura é divinamente inspirada, e proveitosa para ensinar, para redargüir, para corrigir, para instruir em justiça; Para que o homem de Deus seja perfeito, e perfeitamente instruído para toda a boa obra”. (2 Timóteo 3:16,17)


Ø  Tiago nos diz: “torne-se praticante da Palavra...” “E não somente ouvintes,...”. Ele está dizendo que a grande maioria das pessoas é somente ouvinte. E você sabe que uma pessoa que somente ouve uma mensagem em que foram usadas quatro ou cinco horas para se preparar, setenta e duas horas depois, não se lembra 95% do que foi dito!

terça-feira, 28 de abril de 2015

OS FALSOS JULGAMENTOS REALIZADOS EM JESUS


A captura noturna no Getsêmani deu início a uma série de seis julgamentos; três diante de autoridades religiosas judaicas e três diante de autoridades civis romanas. Como veremos, todos eles foram ilegais. Diferentemente da maioria dos julgamentos, esses não tinham como objetivo principal buscar a verdade.

Os israelitas do século 1 eram, acima de tudo, pessoas que tinham consciência da lei e mantinham um procedimento rigoroso para realização de audiências civis e casos criminais. Um documento judaico chamado mixná, compilado por volta do ano 200 a.C., registra as tradições orais passadas de uma geração a outra no transcorrer de vários séculos. Uma porção desse documento descreve as orientações que controlavam o conselho governante judaico, e promulgava a sentença sobre os culpados. Esse documento muito provavelmente descreve as tradições que regulavam o Sinédrio durante a época de Jesus. Os relatos dos evangelhos sobre a prisão e os julgamentos de Jesus demonstram que, senão todas, a maioria das regras de jurisprudência foi gritantemente ignorada.

Veja a seguir dezoito leis específicas que regulavam casos como o de Jesus:

                                                                          

·         Nenhum julgamento deveria ocorrer no período noturno anterior ao sacrifício matinal (Mixná: Sinédrio 4.1).

 

·         Os julgamentos não deveriam acontecer na véspera do sábado ou durante as festas (Mixná: Sinédrio 4.1).

 

·         Todos os julgamentos deveriam ser públicos; julgamentos secretos eram proibidos (Mixná: Sinédrio 1.6).

 

·         Todos os julgamentos deveriam acontecer na sala de julgamento, localizada na área do templo (Mixná: Sinédrio 11.2).

 

·         Casos que envolvessem pena capital exigiam um mínimo de 23 juízes (Mixná: Sinédrio 4.1)

 

·         Uma pessoa acusada não poderia testificar contra si mesma (Mixná: Sinédrio 3.3-4).

 

·         Era exigido que alguém falassem em favor do acusado (Mixná: Sinédrio 3.3-4)

 

·         A condenação exigia a palavra de duas ou três testemunhas, as quais precisariam estar em perfeito acordo (Dt 17:06-7; 19:15-20).

 

·         As testemunhas de acusação deveriam ser amplamente examinadas e confrontadas (Mixná: Sinédrio 4.1).

 

·         Casos que envolvessem pena capital deveriam seguir uma ordem rígida, começando com a argumentação da defesa e depois a argumentação da acusação (Mixná: Sinédrio 4.1).

 

·         Todos os juízes do Sinédrio poderiam pedir a absolvição, mas nem todos poderiam pedir a condenação (Mixná: Sinédrio 4.1).

 

·         O sumo sacerdote não deveria participar da fase de inquirição (Mixná: 3.6).

 

·         Toda testemunha de um caso que envolvesse pena capital deveria ser examinada individualmente, e não na presença de outras testemunhas (Mixná: 3.6).

 

·         O testemunho de duas testemunhas que fossem pegas em contradição invalidava ambos (Mixná: Sinédrio 5.2).

·         A votação para a condenação e a sentença em casos que envolvessem pena capital deveria ser conduzida individualmente, começando pelo mais jovem, de modo que os membros de menor idade não fossem influenciados pelo voto dos mais idosos (Mixná: Sinédrio 4.2).

 

·         O veredicto de casos que envolvessem pena capital deveria ser promulgado somente durante a luz do dia (Mixná: Sinédrio 4.1).

 

·         Os membros do Sinédrio deveriam reunir-se em pares durante toda a noite, discutir o caso e reunir-se novamente com o propósito de confirmar o veredicto final e determinar a sentença (Mixná: Sinédrio 4.1)

 

·         A promulgação da sentença de casos que envolvessem pena capital deveria acontecer somente no dia seguinte (Mixná: Sinédrio 4.1).