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quinta-feira, 3 de outubro de 2019

ENOQUE: UM HOMEM QUE ANDOU COM DEUS

Texto Base: Hebreus 11:5-6
Pela fé Enoque foi trasladado para não ver a morte, e não foi achado, porque Deus o trasladara; visto como antes da sua trasladação alcançou testemunho de que agradara a Deus. Ora, sem fé é impossível agradar-lhe; porque é necessário que aquele que se aproxima de Deus creia que ele existe, e que é galardoador dos que o buscam.

Texto paralelo: Gênesis 5:18-24
 E viveu Jerede cento e sessenta e dois anos, e gerou a Enoque. E viveu Jerede, depois que gerou a Enoque, oitocentos anos, e gerou filhos e filhas. E foram todos os dias de Jerede novecentos e sessenta e dois anos, e morreu. E viveu Enoque sessenta e cinco anos, e gerou a Matusalém. E andou Enoque com Deus, depois que gerou a Matusalém, trezentos anos, e gerou filhos e filhas. E foram todos os dias de Enoque trezentos e sessenta e cinco anos. E andou Enoque com Deus; e não apareceu mais, porquanto Deus para si o tomou.

Introdução:

Existe uma grande diferença entre um filho de Deus e um filho do pecado: Um vive pela fé e o outro por vista.

Depois de quase 5 séculos após a morte de Abel, ninguém se destacou tanto como servo fiel, aquele que Deus tanto se agrada quanto Enoque.

Enoque foi um dos homens mais misteriosos das Escrituras.

Ele nasceu na Sétima Geração depois de Adão.

A cronologia bíblica fixa o seu nascimento em 3.404.

Enoque era chefe de família e um dos seus filhos se chamou Matusalém. Depois Lameque, o pai de Noé.

  1. Os tempos de Enoque

(Gênesis 3:15) Porei inimizade entre você e a mulher, entre a sua descendência e o descendente dela; este lhe ferirá a cabeça, e você lhe ferirá o calcanhar.”


(Gênesis 4:26) Também a Sete nasceu um filho, a quem deu o nome de Enos. Nessa época começou-se a invocar o nome do Senhor. 

Quase 4 séculos antes do nascimento de Enoque, o nome do Senhor começou a ser invocado por Enos.

As pessoas não acreditavam mais em Deus.

(Gênesis 6:5) O Senhor viu que a perversidade do homem tinha aumentado na terra e que toda a inclinação dos pensamentos do seu coração era sempre e somente para o mal.

Esse verso nos mostra o quanto isso significou para Deus olhar para sua criação e ver de longe o quanto ela estava caída.


(Judas 1:14-16) E destes profetizou também Enoque, o sétimo depois de Adão, dizendo: Eis que é vindo o Senhor com milhares de seus santos; Para fazer juízo contra todos e condenar dentre eles todos os ímpios, por todas as suas obras de impiedade, que impiamente cometeram, e por todas as duras palavras que ímpios pecadores disseram contra ele. Estes são murmuradores, queixosos da sua sorte, andando segundo as suas concupiscências, e cuja boca diz coisas mui arrogantes, admirando as pessoas por causa do interesse.

Naquela época, Enoque levava a verdade à todas as pessoas. Ele alertava o povo o que era certo e o que era errado aos olhos de Deus.

Mas infelizmente o povo não deu ouvidos, foi então que Deus enviou o diluvio.

Enoque estava cercado por pessoas que amavam o pecado, mas mesmo assim ele amava mais à Deus que preferiu não se corromper.

Se Abel nos diz como entrar na vida pela fé, Enoque nos ensina como viver a vida pela fé ou caminhar pela fé. 

2. O que havia de especial em sua vida? 

(Gênesis 5:18-19) E viveu Jerede cento e sessenta e dois anos, e gerou a Enoque. E viveu Jerede, depois que gerou a Enoque, oitocentos anos, e gerou filhos e filhas.

Esses versos nos diz que Enoque teve muitos irmãos. Os seus nomes não estão escritos na galeria dos heróis da fé.

Porém, isso não significa que eles não temiam ao Senhor. Mas eles não chegaram ao ponto que Deus quer que um dia todos nós cheguemos.

Isso nos mostro o quanto Enoque era diferente dos demais da sua geração. 

(Gênesis 5:21-22) E viveu Enoque sessenta e cinco anos, e gerou a Matusalém. E andou Enoque com Deus, depois que gerou a Matusalém, trezentos anos, e gerou filhos e filhas.

Esses versos nos mostra que Enoque era um homem normal, como todos os outros de sua época.

Ele conheceu uma mulher, casou-se com ela e teve filhos e filhas.

Mas o diferencial está no verso 22 

(Gênesis 5:22) E andou Enoque com Deus, depois que gerou a Matusalém, trezentos anos, e gerou filhos e filhas.

O que significa andar com Deus?

  1. Significa andar com pensamentos em Deus
  2. Significa andar com atos de amor pelo Senhor, dizendo não ao pecado
  3. Significa que o coração de Enoque estava o tempo todo em Deus.

O mundo na época de Enoque não era diferente do nosso. A maldade e o pecado já haviam enchido a terra e somente 4 gerações depois com o bisneto de Enoque, Noé, a terra seria destruída.

Jesus disse que a volta do filho do homem seria como nos tempos de Noé. Os homens se casavam e davam-se em casamento até que de repente veio o Dilúvio.

Foi nesse tempo de pecado que um homem se destacou pelo simples fato de ter decidido andar com Deus. 

(Gênesis 5:23-24) E foram todos os dias de Enoque trezentos e sessenta e cinco anos. E andou Enoque com Deus; e não apareceu mais, porquanto Deus para si o tomou.

Enoque agradou a Deus, creu na sua existência e viveu com essa certeza todos os dias da sua vida, agindo de modo diferente de todos os homens da sua geração. 

Ele temeu a Deus, como muitos outros, porém, a sua fé era prática. 


Conclusão

Hoje, podemos viver em meio a muitas pessoas que também expressam uma espécie de temor ao Senhor. No entanto, isso não muda nada visível na vida das pessoas.

O que o Senhor espera de você é que você seja igual Enoque em sua geração. Alguém que cause mudanças, que seja diferente, que caminhe com Ele, pensando nEle, falando com Ele e sempre diante da face dEle.

Andar com Deus não é simplesmente afirmar ser cristão. Andar com Deus hoje significa ser alguém que honra a Deus em cada palavra, em cada atitude que toma, em cada passo que dá.

Assim você poderá andar com Deus em nosso tempo.

É bem possível que você não seja transladado como Enoque foi.

Mas, é bem possível que a sua vida seja exemplo para muitos, como Enoque foi para sua geração.

Os efeitos da santidade da vida de alguém duram de gerações por gerações. Os frutos ainda são colhidos mesmo depois da morte da pessoa que andou com Deus.


Isso significa que mesmo depois da sua morte, seu testemunho e história ainda podem continuar a abençoar e influenciar a vida de muitas pessoas.

quinta-feira, 19 de janeiro de 2017

Salmo 6 - Charles Spurgeon

Título

Este Salmo é comumente conhecido como o primeiro dos Salmo Penitenciais, e certamente sua linguagem assenta-se bem nos lábios de um penitente, pois ele expressa ao mesmo tempo as lágrimas (Salmo 6.3,6,7), a humilhação (6.2,4), e o ódio ao pecado (6.8), que são marcas infalíveis de um espírito contrito quando ele volta-se para Deus. Ó Espírito Santo, gera em nós a genuína contrição da qual não necessitamos nos arrepender.
O Título deste Salmo é: “Ao mestre músico sobre Neginoth com Sheminith , um Salmo de Davi,” isto é, para o mestre músico com instrumentos de cordas, sobre oito, provavelmente uma oitava. Alguns pensam referir-se à clave para baixo ou tenor, que certamente adaptar-se-ia bem a esta lamentosa ode. Mas nós não somos capazes de entender estes antigos termos musicais, e mesmo o termo “Selah,” ainda permanece intraduzível. Esta contudo, não deveria ser uma dificuldade em nosso caminho. Nós provavelmente perderíamos ainda muito pouco por nossa ignorância, e isto poderia servir para confirmar a nossa fé. É uma prova da grande antiguidade deste Salmo que ele contenha palavras cujo significado está perdido mesmo para os melhores eruditos da língua hebraica. Seguramente estas são apenas provas incidentais (eu quase poderia dizer acidentais, se não cresse que elas sejam designadas por Deus), de sua existência, o que eles professam ser, os antigos escritos do Rei Davi dos tempos antigos.

Divisão

Você observará que o Salmo é facilmente divisível em duas partes. Primeiro, há a petição do salmista em sua grande agonia, abrangendo do versículo 1 até o final do versículo 7. Então nós temos, do versículo 8 ao final, um tema completamente diferente. O salmista mudou o seu tom. Ele deixa a clave menor, e coloca-se sob sublime tensão. Ele direciona sua nota para a alta clave da confiança, e declara que Deus ouviu sua oração, e libertou-o de todos os seus problemas.

Salmo 6.1-7

1. Senhor , não me repreendas na tua ira, nem me castigues no teu furor.
2. Tem compaixão de mim, Senhor , por que eu me sinto debilitado; sara-me, Senhor ; porque meus ossos estão abalados.
3. Também a minha alma está profundamente perturbada; mas tu, Senhor , até quando?
4. Volta-te, Senhor , e livra a minha alma; salva-me por tua graça.
5. Pois, na morte, não há recordação de ti; no sepulcro quem te dará louvor?
6. Estou cansado de tanto gemer; todas as noites faço nadar o meu leito, de minhas lágrimas o alago.
7. Meus olhos, de mágoa, se acham amortecidos, envelhecem por causa de todos os meus inimigos.

Tendo lido através da primeira divisão, a fim de vê-la como um todo, nós olharemos, nós a consideraremos agora versículo por versículo.

Salmo 6.1

“Senhor, não me repreendas na tua ira.” O salmista está `plenamente consciente de que merece ser repreendido, e sente, além disso, que a repreensão de uma forma ou outra vem sobre ele, se não para condenação, ainda assim para convicção e santificação. “O milho é limpo com vento, e a alma com castigos.” Era tolice orar contra a mão dourada que enriquece-nos com seus golpes. Ele não pede que a repreensão possa ser totalmente contida, pois ele pode assim perder uma dádiva oculta; mas: “ Senhor, não me repreendas na tua ira.” Se tu lembraste-me de meu pecado, isto é bom, mas, oh, não lembre-me dele como alguém inflamado contra mim, a menos que o coração de teu servo devesse cair em desespero. Assim disse Jeremias: “Corrige-me, ó Senhor, mas com medida justa, não na tua ira, para que não me reduzas a nada.” Eu sei que eu deveria ser punido, e embora eu me esquive de tua vara, ainda assim eu sinto que ela será para meu benefício; mas, oh, meu Deus, “não me castigues no teu furor,” a menos que a vara se torne uma espada, a menos que ferindo, tu devesses também destruir. Então nós podemos orar que as punições de nosso gracioso Deus, se elas não podem ser inteiramente removidas, podem ao menos ser suavizadas pela percepção que são “não em ira, mas em seu amável pacto de amor.”

Salmo 6.2,3

“Tem compaixão de mim, Senhor, por que eu me sinto debilitado.” Embora eu mereça a destruição, permita ainda tua misericórdia apiedar-se de minha fragilidade. Este é o meio correto de suplicar a Deus se desejamos prevalecer. Não apresente sua bondade ou grandeza, mas alegue seu pecado e pequenez. Clame: “Eu estou fraco,” portanto, Senhor, dá-me força e não me venha me abater. Não derrame a fúria de tua tormenta contra um vaso tão fraco. Tempere o vento para o cordeiro tosquiado. Seja terno e compassivo para com uma pobre e murcha flor, e não a quebre de sua haste. Certamente este é o pedido que um homem doente faria para mover a piedade de seu companheiro se ele estivesse se esforçando com ele: “Reparta gentilmente comigo ‘porque eu estou fraco.'” Um senso de pecado tinha assim espoliado o orgulho do salmista, e lançado fora sua exaltada força, que ele achou-se fraco para obedecer a lei, fraco pela aflição em que estava, tão fraco, talvez, para descansar apoiado na promessa. “Eu estou fraco.” O original pode ser lido: “Eu sou alguém que sucumbe,” ou debilitado como uma planta ressecada. Ah! Amado, nós sabemos o que isto significa, porque nós, também, temos visto nossa glória desbotada, e nossa beleza como uma flor murcha.
“Sara-me, Senhor; porque meus ossos estão abalados.” Aqui ele ora por cura , não somente pelo mitigar da doença sofrida, mas por sua inteira remoção, e o curar das feridas que tinham surgido dela. Seus ossos foram “abalados,” como o hebreu o tinha. Seu terror tinha se tornado tão grande que todos seus ossos se agitaram, não somente sua carne tremeu, mas os ossos, os sólidos pilares da virilidade, se fizeram tremer. “Meus ossos estão abalados.” Ah, quando a alma tem um senso de pecado, isto é suficiente para fazer os ossos tremerem; isto é suficiente para fazer os pelos de um homem se ouriçarem ao ver as chamas do inferno abaixo dele, e um Deus irado sobre ele, e perigo e dúvida cercando-o. Bem poderia ele dizer: “Meus ossos estão abalados.” Entretanto, nós deveríamos ao menos imaginar que ele estava simplesmente corporalmente doente – embora corporalmente doente possa ser o sinal exterior – o salmista segue em frente dizendo: “Também a minha alma está profundamente perturbada.” Perturbação da alma e perturbação de toda a alma. Não importa que os ossos tremam se a alma estiver firme, mas quando a própria alma está também muitíssimo abalada, isto é agonia de fato. “mas tu, Senhor, até quando?” Esta sentença termina abruptamente, porque as palavras falham, e o pesar afoga-se no pequeno conforto que amanheceu sobre ele. O salmista, contudo, tinha ainda alguma esperança; mas esta esperança estava somente em seu Deus. Ele portanto clama: “Senhor, até quando?” a vinda de Cristo para o interior da alma em sua túnica sacerdotal de graça é a grande esperança da alma penitente; e , verdadeiramente, de um modo ou outro, o aparecimento de Cristo é, e sempre tem sido, a esperança dos santos.
A exclamação favorita de Calvino era “ Domine usque quo ” – “Senhor, até quando?” Não poderia a sua dor mais aguda, durante uma vida de angústia, forçá-lo a qualquer outra palavra. Seguramente este é o clamor dos santos sob o altar: : Senhor, até quando?” E este deveria ser o clamor dos santos esperando pelas glórias do milênio: “Porque demoram em vir seus carros; Senhor, até quando?” Aqueles de nós que têm passado através da convicção de pecado conheceram o que era contar nossos minutos horas, e nossas horas anos, enquanto a misericórdia demorava em vir. Nós esperávamos pelo alvorecer da graça, como aqueles que esperam pela manhã. Ardentemente nosso espírito pediu: “Ó Senhor até quando?”

Salmo 6.4

“ Volta-te, Senhor, e livra a minha alma.” Como a ausência de Deus foi a principal causa de sua miséria, assim o seu retorno seria suficiente para livra-lo do seu problema. “Oh salva-me por causa das tuas misericórdias.” Ele sabe onde olhar, e sobre qual braço descansar. Ele não descansa sobre a mão esquerda da justiça de Deus, mas sobre sua destra de misericórdia. Ele conhecia sua iniqüidade muito bem para pensar em mérito, ou implorar por para qualquer coisa além da graça de Deus.
“Por causa das tuas misericórdias.” Que pedido! O quanto ele é valioso para com Deus! Se nós nos voltamos para a justiça, que pedido podemos fazer? Mas se nós nos voltamos para a misericórdia , nós podemos ainda clamar, apesar da grandeza de nossa culpa: “Salva-me por causa de tuas misericórdias.”
Observe quão freqüentemente Davi implora pelo nome de Jehovah, que sempre é pretendido onde a palavra Senhor é escrita com letras maiúsculas. Aqui nós a encontramos cinco vezes em quatro versículos. Não é esta a prova de que o glorioso nome é tomado para consolação para os santos tentados? Eternidade, Infinitude, Imutabilidade, Auto-existência, tudo está no nome de Jehovah, e tudo isto está repleto de conforto.

Salmo 6.5

Agora Davi está em grande temor de morte – morte temporal, e talvez, morte eterna. Leia a passagem como você desejar; o versículo seguinte está cheio de poder: “Pois, na morte, não há recordação de ti; no sepulcro quem te dará louvor?” Os cemitérios das igrejas são lugares silenciosos; a abóbada dos sepulcros não ecoam sons. Terra úmida cobre bocas mudas. “Ó Senhor?” diz ele, “se tiveres misericórdia de mim eu o louvarei. Se eu morrer, então o meu mortal louvor deverá ser suspenso, e eu perecer no inferno, então tu não terás de mim qualquer gratidão. Melodias de gratidão não podem erguer-se do flamejante fosso do inferno. Na verdade tu, indubitavelmente, serás glorificado, mesmo com minha eterna condenação, mas então, Senhor, eu não poderei glorificar-te voluntariamente; e entre os filhos dos homens, haverá um coração a menos para bendizer-te.” Ah! Pobres e vacilantes pecadores, possa o Senhor ajuda-los a usar este impetuoso argumento. É para a glória de Deus que um pecador deveria ser salvo. Quando nós buscamos perdão, nós não estamos pedindo a Deus para fazer aquilo que irá sujar seu estandarte, ou colocar uma mancha em seu brasão. Ele deleita-se em misericórdia. É seu atributo peculiar, favorito. Misericórdia honra a Deus. Não somos nós mesmos que dizemos: “A misericórdia abençoa aquele que dá, e aquele que recebe?” E seguramente, em algum senso mais divino, esta é verdade de Deus, que, quando ele concede misericórdia, glorifica a si mesmo.

Salmo 6.6,7

O salmista dá uma terrível descrição de sua longa agonia: “Estou cansado de tanto gemer.” Ele tinha gemido até que sua garganta estivesse rouca; ele tinha clamado pela misericórdia até a oração tornar-se difícil. O povo de Deus pode gemer, mas não pode resmungar. Sim, eles devem gemer, estando sobrecarregados, ou eles nunca bradarão no dia da libertação. A próxima sentença, nós pensamos, não está corretamente traduzida. Ela deveria ser: “Eu farei minha cama nadar todas as noites,” (quando a natureza necessita descansar, e quando eu estou mais a sós com Deus). Isto é dizer, minha tristeza, agora mesmo, é terrível, mas se Deus não salvar-me logo, ela não permanecerá assim, mas aumentará, até minhas lágrimas serem tantas, que minha própria cama nadará nelas. Uma descrição mais daquilo que ele temia acontecer, do que daquilo que tinha realmente ocorrido. Não podem nossos maus pressentimento de um futuro infortúnio tornarem-se argumentos que encorajam a fé quando buscamos pela misericórdia no presente? “Eu alago o meu leito com minhas lágrimas. Meus olhos, de mágoa, se acham amortecidos, envelhecem por causa de todos os meus inimigos.” Como os olhos de um velho homem tornam-se turvos com os anos, assim diz Davi, meus olhos têm-se tornado vermelhos e débeis pelo lacrimejar. A convicção às vezes tem tal efeito sobre o corpo, que até mesmo os órgãos exteriores são feitos sofrer. Não pode isto explicar algumas das convulsões e ataques histéricos que têm sido experimentados sob a convicção nos avivamentos na Irlanda? É surpreendente que alguns devam ser lançados em terra, e comecem a chorar em alta voz, quando nós encontramos o próprio Davi fez sua cama nadar, e envelheceu enquanto ele estava sob a pesada mão de Deus? Ah! Irmãos, não é algo luminoso alguém sentir-se um pecador, condenado à separação de Deus. A linguagem deste Salmo não é imposta nem forçada, mas perfeitamente natural para alguém em tal tristeza e dificuldade.

Salmo 6.8-10

8. Apartai-vos de mim, todos os que praticais a iniqüidade, porque o Senhor ouviu a voz do meu lamento;
9. O Senhor ouviu a minha súplica; o Senhor acolhe a minha oração.
10. Envergonhem-se e sejam sobremodo perturbados todos os meus inimigos; retirem-se, de súbito, cobertos de vexame.

Salmo 6.8

Até aqui tudo tinha sido tristeza e desconsolo, mas agora –
“Vossas harpas, vós santos tementes
Tirai-as dos salgueiros”
Vós deveis ter vossos tempos de lamento, mas, sejam eles curtos. Levantai-vos, levantai-vos, de vosso monturo! Abandone sua roupas de saco e cinzas! O lamento pode durar por uma noite, mas a alegria vem pela manhã
Davi achou paz, e erguendo-se de seus joelhos começou a varrer todo o mal de sua casa. “Apartai-vos de mim, todos os que praticais a iniqüidade.” O melhor remédio contra um homem mau é uma longa distância entre nós e ele. “Vá embora; eu não posso ter comunhão contigo.” O arrependimento é uma coisa útil. Não é suficiente lamentar a profanação do templo do coração, nós devemos escorraçar os compradores e vendedores, e derrubar as mesas dos cambistas. Um pecador perdoado odiará os pecados que custaram ao Salvador o seu sangue. Graça e pecado são contenciosos vizinhos, e um ou outro deverá ser derrotado.
“Porque o Senhor ouviu a voz do meu lamento,” Que fino hebraísmo, e que grande poesia é em inglês! “Ele ouviu a voz do meu lamento.” Há uma voz no lamento? O lamento fala? Em qual linguagem expressa o seu significado? Por que, nesta língua universal, que é conhecida e entendida em toda a terra, e mesmo acima, no céu. Quando um homem lamenta, seja ele judeu ou gentio, bárbaro, cita, servo ou livre, o significado é o mesmo. O lamento é a eloqüência do sofrimento. Ele é um fluente orador, não necessitado de interprete, mas entendido por todos. Não é maravilhoso crer que nossas lágrimas são entendidas mesmo quando nossas palavra falham. Aprendamos a pensar de nossas lágrimas como orações líquidas, e do lamento como um constante gotejar da impertinente intercessão que certamente mostrará sua reta direção dentro do genuíno coração de misericórdia, a despeito das pedregosas dificuldades que obstruem este caminho. Meu Deus, eu “lamentarei” quando eu não puder rogar, porque tu ouves a voz do meu lamento.

Salmo 6.9

“O Senhor ouviu a minha súplica.” O Espírito Santo tinha trabalhado dentro da mente do salmista a confiança que sua oração foi ouvida. Este é freqüentemente o privilégio dos santos. Orando a oração da fé, eles são geralmente assegurados que têm prevalecido com Deus. Nós lemos de Lutero que, tendo em uma ocasião batalhado duramente com Deus em oração, ele saiu pulando de sua câmara gritando, “ Vicimus, vicimus, ” isto é, “Nós conquistamos, nós prevalecemos com Deus.” Firme confiança não é sonho vazio, pois quando o Espírito Santo no-la concede, nós conhecemos sua realidade, e não podemos duvidar, mesmo que todos os homens ridicularizem nossa ousadia.

Salmo 6.10

“Envergonhem-se e sejam sobremodo perturbados todos os meus inimigos.” Isto é mais uma profecia do que uma imprecação, ela pode ser lida no futuro. “Todos os meus inimigos serão envergonhados e sobremodo perturbados.” Eles se retirarão, de súbito, cobertos de vexame, – num momento – sua maldição virá sobre eles repentinamente. O dia da condenação é o dia da maldição, a ambos são certos e podem ser repentinos. Os romanos costumavam dizer: “os pés da Deidade vingadora são calçados com pelos.” Com passos silenciosos a vingança se aproxima de sua vítima, e repentina e esmagador será seu ataque destruidor. Se isto fosse uma imprecação, nós deveríamos lembrar que a linguagem da antiga dispensação não é a mesma da Nova. Nós oramos por nossos inimigos, não contra eles. Deus tenha misericórdia deles, e traga-os para o caminho reto.
Assim o Salmo, como aquele que o precede, mostra as diferentes situações do justo e do ímpio. Ó Senhor, faça-nos ser numerados com o teu povo, agora e para sempre!


Fonte: O texto acima traduzido são excertos do comentário do Salmo 6, do livro Treasury of David, no qual Spurgeon comentou todos os salmos e reuniu diversos e excelentes comentários de outros comentaristas, teólogos e pastores.

domingo, 31 de janeiro de 2016

Jogos e Brincadeiras nos Tempos Bíblicos: três perguntas


1) Como era o lazer naquela época? Havia muitas opções? Era considerado algo desnecessário ou importante na cultura hebraica? E em outras culturas?

R.: Inicialmente, precisamos descrever que as Sagradas Escrituras não se ocupam do temaem apreço. Quando o salmista emprega o termo shā'a, isto é, "recrear", "deleitar" ou "brincar" no Salmo 119.16, o faz em sentido litúrgico ou teologal. A concepção greco-romana de "lazer", "brincar", "esporte" ou "jogar" ou mesmo da antropologia filosófica que trata do homo ludens (homem lúdico) é basicamente inexistente dentro do ambiente judaico-cristão primitivo. Geralmente, o lúdico ou esportivo era empregado como uma metáfora das verdades espirituais. 1 Coríntios 9.24, por exemplo, é uma prova contundente do que estamos afirmando.
A labuta diária do judeu no Antigo Testamento não o permitia inclinar-se a tal divertimento ou passatempo, sendo o sábado, um dia de repouso e, as festas religiosas, uma ocasião de estímulo e adoração. Isto não quer dizer que os hebreus desconheciam brincadeiras, parlendas ou jogos. Os jogos e a busca de lazer eram basicamente ocupados pelas atividades e festas religiosas.
Engana-se quem pensa que o judeu comum era triste, cabisbaixo. Pelo contrário, era alegre, divertidíssimo. A música e a dança constituíam-se elementos culturais fortíssimos entre os hebreus do AT. No entanto, no período interbíblico alguns judeus helenistas, obedecendo a Antíoco Epífanes, introduziram em Jerusalém uma praça de esporte, ato considerado pagão pelos patrícios mais conservadores. Como é perceptível, os judeus da Antiguidade davam pouco valor aos jogos (jocus, gracejo, graça, zombar), e não se ocupavam com o lúdico (ludus, divertimento, passatempo). Considere que a palavra "brincar", no hebraico, śāchaq, tem um sentido positivo (brincar, divertir-se) e negativo (zombar, rir com deboche, ridicularizar).
O amor aos jogos, esportes e ao lúdico era considerado um ato vulgar ou irreligioso para o hebreu. As crianças não eram proibidas de brincar e desenvolver seus jogos particulares, mas deveriam tomar todo cuidado para que as brincadeiras não fossem irreverentes, sacrílegas, ou que ofendessem a moral ou a santidade divina (Lv 24.11,16). Os hebreus costumavam evitar certos gracejos maliciosos. Mas é possível que os hebreus de família abastada desfrutassem de certos jogos, como o arco e flecha, a caça entre outros e, que as atividades, como o treinamento militar, também incluíssem nos intervalos jogos ou brincadeiras correlatas.
Já entre os outros povos do Oriente Próximo, os esportes e jogos eram mais freqüentes. Diversas iconografias atestam que o jogo de damas, de dados, o malabarismo com bolas, e até mesmo jogos de azar eram muito freqüentes entre os egípcios e os povos mesopotâmicos.

2) Quais as formas de diversões para jovens, adultos e crianças?

R.: Os jogos infantis não eram tão diferentes daqueles que as crianças ainda hoje continuam a jogar e brincar. Muitos jogos e brincadeiras infantis eram reflexos daqueles praticados pelos adultos. A rua era um espaço para a brincadeira e mimetização dos adultos.
O profeta Zacarias (8.5), referindo-se às bênçãos futuras de Israel, afirma que "as ruas se encherão de meninos e meninas, que nelas brincarão". Isto indica que durante certo período o brincar nas ruas era muito perigoso em função das constantes guerras, transferindo esse espaço do brincar para dentro das casas. Mas, em dias de paz, as brincadeiras e jogos eram praticados nas ruas.
O próprio Jesus faz referência às brincadeiras infantis nas ruas e praças (Mt 11.16,17). Segundo o texto mateano, as crianças brincavam de "tocar flauta", "danças" e, transgressoras como são do mundo dos adultos, imitavam as carpideiras que choramingavam nos velórios. Você já imaginou um grupo de crianças mimetizando essas profissionais do pranto? Com certeza era muito hilário. As crianças costumavam brincar com os animais (Jó 41.5), bolas de gude, uma forma de amarelinha, assobios, chocalhos feitos de cerâmica e pedrinhas, jogos de tabuleiro também eram muito freqüentes. Um desses jogos, conhecido como Jogo Real de Ur, data de 1800 aC. Os jogos como os mancalas (jogos de tabuleiro), muito conhecidos na África, estavam presentes no cotidiano das crianças hebréias.
A vida dos jovens e adultos também refletia a realidade e o contexto em que viviam. As festas sabáticas, os cânticos, as músicas e as danças, arco e flecha, propor enigmas e jogos de prendas eram os tipos de diversões mais comuns entre eles. Em o Novo Testamento, Mateus 27.27-31, menciona um jogo muito conhecido entre os adultos, o "Basileu". Neste jogo, o pino de madeira que o jogador usava para movimentar-se nas linhas marcadas no chão, foi substituído pelo próprio Senhor! Ainda hoje temos registros desses jogos em Jerusalém.

3) Havia brincadeiras que não eram permitidas ao povo de Deus por serem consideradas profanas ou mesmo por terem origem em outros povos? (até um tempo atrás algumas formas de diversão eram proibidas por nossa própria denominação e até hoje são tabus com jogar bola e certos tipos de jogos em tabuleiros, assistir televisão... Naquela época também havia restrições deste tipo?)

R.: Havia sim. As brincadeiras com bonecos e bonecas não eram freqüentes ou permitidos entre os judeus. Embora muito comum entre os egípcios, canaanitas e mesopotâmicos, o hebreu procurava evitar, em função do mandamento de Êx 20.4, essas representações.
A idolatria era tão comum entre os povos antigos que, às vezes, os historiadores e arqueólogos têm dificuldade em afirmar quando se trata de um brinquedo ou um ídolo para adoração. Todo e qualquer brinquedo esculpido era proibido entre os hebreus. Brinquedos que continham em seu bojo o elemento divinatório também eram proibidos pelos judeus. Brincar de adivinhação, fazer gracejos com coisas sagradas eram terminantemente proibidos. Outro brinquedo não muito utilizável entre os hebreus dos tempos bíblicos, era o dado ou congênere. Embora os arqueólogos tenham encontrado no território judeu alguns dados, isso não significa que eles eram usados com freqüência nos jogos profanos, uma vez que possuía certo caráter sagrado.

Fonte: http://teologiaegraca.blogspot.com.br/ 


                                                                                        

domingo, 3 de janeiro de 2016

ISAÍAS 53: O SERVO SOFREDOR



Introdução



     ·         O Novo Testamento contém mais de 400 citações e reflexos da linguagem de Isaías

     ·         Isaías era de Judá, provavelmente de Jerusalém.

     ·         Seu ministério pode ter se iniciado nos anos finais do reinado de Uzias. Com certeza estendeu-se do ano da morte de Uzias (740 a.C.) pelos anos de Jotão, Acaz e Ezequias (701 a.C.)

      ·         Isaías era casa com uma profetisa e tinha dois filhos

     ·         A tradição revela que Isaías foi martirizado nos dias de Manassés, tendo sido serrado ao meio.

     ·         Do capítulo 1 os 5, Isaías narra acusações contra o povo por sua letargia e seu pecado rebelde, promessa de redenção para os que voltassem à Deus.

      ·         No capítulo 6, no ano da morte do rei Uzias (740 a.C.), Isaías era acostumado a ver o esplendor da corte terrena de Uzias, mas quando o rei morreu, Deus lhe concedeu a visão da corte celestial.

       ·         O Ministério de Isaías foi bem angustioso. Parte de seu impacto seria tornar impossível ao povo de Deus ouvir a verdade divina. O julgamento de Deus contra o povo seria bem real e quase total. Ainda assim, um remanescente de Judá, de quem Isaías, perdoado e purificado, era precursor, sobreviveria como uma árvore derrubada pode ganhar novas raízes.

ÉPOCA

A época de Isaías foi nada menos que um divisor de águas na história do povo de Deu. Tiglate-Pileser chegou ao trono assírio em 745 a.C. e , livre das preocupações com a Mesopotâmia e Urartu, conquistou até 740 todo o norte da  Síria. Em 738 subjugou a cidade-estado de Hamate e forçou outros pequenos reinos a pagar tributo para escapar da mesma sina. Entre eles estavam Israel sob o governo de Manaém (2Rs 15:19) e um certo Azarias de Judá. Em 734 Tiglate-Pileser liderou uma expedição para o território palestino e estabeleceu uma base de operações no rio do Egito. Alguns pequenos estados aliaram-se contra ele na chamada guerra siro-eframita (733 a.C.). Israel sob o reinado de Peca participou desse guerra, mas Judá sob Acaz recusou-se. A colisão voltou-se então contra Acaz, na esperança de destituir a dinastia davídica e colocar alguém que aceitasse a aliança (2Rs 15:37 e 16:05). Rejeitando o conselho de Isaías, Acaz buscou ajuda da Assíria (2Rs 16:07-09). Tiglate-Pileser invadiu a região norte do Jordão, tomou Gileade e a Galiléia e carregou muitos israelitas para a Assíria. O povo de Israel foi desalojado (2Rs 15:29). A Assíria estava observando as fronteiras de Judá.
Nessa época Peca rei de Israel foi destituído, e seu sucessor, Oséias, pagou tributo a Tiglate-Pileser depois que o rei assírio infligiu uma devastação terrível a Damasco (732 a.C.). Quando Tiglate-Pileser morreu em 727 a.C., Oséias recusou-se a pagar tributo a seu sucessor, Salmaneser V. em vez disso, cortejou o Egito como aliado (2Rs 17:04). A Assíria voltou0se contra Israel, capturou o rei e sua terra, mas não conseguiu tomar Samaria, a capital. Após um cerco de três anos, Samaria caiu (721 a.C.) diante de Salmaneser. Uma multidão de israelita foi levada para o cativeiro. A terra foi repovoada por cativos de outras terras, inclusive babilônios. Com a queda do reino do norte, a Assíria estendeu seu império até a fronteira norte de Judá. É essa crise que proporciona o cenário para as mensagens de julgamento e esperança nos capítulos 7 ao 14.
Em 720 a.C., algumas cidades-estados da Síria e Palestina rebelaram-se, mas foram contidas de imediato. Gaza tentou revoltar-se com a ajuda de Sibu, do Egito. Na batalha que se seguiu, as forças assírias fizeram os egípcios recuar para dentro de suas fronteiras, deixando Judá praticamente ilhado. Acaz morreu em 715 e foi sucedido por Ezequias. Em 713-711 a.C. ocorreu um levante anti-assírio em Asdode, de que participaram Edom, Moabe e Judá. Sargão da Assíria enviou seu vice a Asdode (Is 20), e Asdode e Gate tornaram-se província assíria. Judá estava-se tornando cada vez mais vulnerável.
Sargão morreu em 705, iniciando de imediato uma série de 110 revoltas contra a Assíria, inclusive a tentativa de Ezequias (2Rs 18:04-08), sem dúvida incentivada pelo Egito (Is 30). Meradoque-Baladã liderou um levante na Babilônia e bem provavelmente enviou emissários a Ezequias para estabelecer os alicerces de uma revolta ou ataque duplo (2Rs 20 e Is 39). Senaqueribe da Assíria estava ocupado sufocando revoltas e não pode concentrar-se em Judá até 701 a.C. Nessa campanha ele esmagou Sidom e fez Asdode, Amom, Moabe e Edom pagar tributos. Ele também subjugou Asquelom e Ecrom, além de vencer as forças egípcias comandadas por Taraka em Elteque. Laquis foi cercada, Ezequias foi “preso como um pássaro na gaiola” e forçado a pagar tributo a Senaqueribe (2Rs 18:13-16). Mais terras suas foram tomadas pelo menos temporariamente, e dadas a reis filisteus. A história dessa época é de tal maneira interligada à profecia de Isaías que não se pode compreender esta sem um conhecimento dos eventos.


Por que Cristo teve que sofrer a Ira e a cólera de Deus à luz de Isaías 53?

       ·         A história da humanidade apresentada pelas Escrituras é primordialmente a história sua, num estado de pecado e rebeldia contra Deus.

       ·         Antes que fôssemos remidos por Cristo, não só cometíamos atos pecaminosos e tínhamos atitudes pecaminosas, mas também éramos pecadores por natureza. Paulo diz em Rm 5:08: “Mas Deus prova o seu amor para conosco, em que Cristo morreu por nós, sendo ainda pecadores”.

       ·         Paulo explica os feitos dos pecados dizendo: Portanto, como por um homem entrou o pecado no mundo, e pelo pecado a morte, assim também a morte passou a todos os homens por isso que todos pecaram (Rm 5:12)

         ·         Não é certo dizer que algumas partes de nós são pecaminosas e outras puras. Antes, cada parte de nosso ser está maculada pelo pecado. Paulo diz em Rm 7:18- 19: Porque eu sei que em mim, isto é, na minha carne, não habita bem algum; e com efeito o querer está em mim, mas não consigo realizar o bem. Porque não faço o bem que quero, mas o mal que não quero esse faço.

        ·         Aqueles que não aceitaram a Cristo, que dão suas ofertas a orfanatos, hospitais, asilos, através de seus esforços acham que estão agradando a Deus e serão justificados, estão enganados. Em Rm 8:08 Paulo diz: “Portanto, os que estão na carne não podem agradar à Deus”.




O efeito das pisaduras de Cristo à luz de Isaías 53

         ·         Na antiga aliança, quando alguém queria receber o perdão pelos seus pecados, a pessoa ia ao templo e oferecia uma sacrifício pelos seus pecados. O sacerdote imolava um cordeiro e assim o animal era morto em seu lugar.

          ·         Isaías descreve Jesus - Messias como “Servo”

       ·         Está escrito em João 3:16 – “Deus amou o mundo de tal maneira que deu seu filho unigênito, para que todo aquele que nEle crê não pereça, mas tenha a vida eterna. Deus fez com que sua justiça encontrasse um meio pelo qual todos nossos pecados fossem apagados. E é por isso que Paulo diz em Rm 3:23-26:
“Porque todos pecaram e destituídos estão da glória de Deus; Sendo justificados gratuitamente pela sua graça, pela redenção que há em Cristo Jesus. Ao qual Deus propôs para propiciação pela fé no seu sangue, para demonstrar a sua justiça pela remissão dos pecados dantes cometidos, sob a paciência de Deus; Para demonstração da sua justiça neste tempo presente, para que ele seja justo e justificador daquele que tem fé em Jesus.”

         ·         Agostinho no livro um, capítulo quatro das confissões, fala sobre o amor de Deus da seguinte maneira:

Que és, portanto, ó meu Deus? Que és, repito, senão o Senhor Deus? Ó Deus sumo, excelente, poderosíssimo, onipotentíssimo, misericordiosíssimo e justíssimo. Tao oculto e tão presente, formosíssimo e fortíssimo, estável e incompreensível; imutável, mudando todas as coisas; nunca novo e nunca velho; renovador de todas as coisas, conduzindo à ruína os soberbos sem que eles o saibam; sempre agindo e sempre repouso; sempre sustentando, enchendo e protegendo; sempre criando, nutrindo e aperfeiçoando, sempre buscando, ainda que nada te falte. Amas sem paixão; tens zelos, e estás tranqüilo; te arrependes, e não tens dor; te iras, e continuas calmo; mudas de obra, mas não de resolução; recebes o que encontras, e nunca perdeste nada; não és avaro, e exiges lucro.

          ·         As marcas de Cristo nos diz muito à respeito de quem ele é, pois, elas demonstram o amor incondicional de Deus por todos aqueles que um dia, através da fé, aceitaram a Cristo como seu único e suficiente salvador.

          ·         Como ovelha muda levada ao matadouro ele pagou nosso pegado, tornando-nos mais uma vez conhecidos como filhos eleitos.


          ·         Hoje por mais difícil que seja a caminhada, temos dentro de nós um senso de divindade (sensus divinitatis). O pecado não tirou isso de cada um, pois, nas palavras de Agostinho: “Fizeste-nos Senhor para ti, e nosso coração inquieto está, enquanto não descansar em ti”.

sábado, 17 de outubro de 2015

QUATRO PERGUNTAS PARA UMA MULHER QUE TINHA SUA ESPERANÇA ANCORADA EM DEUS - 1SM 1:1-19

Houve um homem de Ramataim-Zofim, da montanha de Efraim, cujo nome era Elcana, filho de Jeroão, filho de Eliú, filho de Toú, filho de Zufe, efrateu.
E este tinha duas mulheres: o nome de uma era Ana, e o da outra Penina. E Penina tinha filhos, porém Ana não os tinha.
Subia, pois, este homem, da sua cidade, de ano em ano, a adorar e a sacrificar ao Senhor dos Exércitos em Siló; e estavam ali os sacerdotes do Senhor, Hofni e Finéias, os dois filhos de Eli.
E sucedeu que no dia em que Elcana sacrificava, dava ele porções a Penina, sua mulher, e a todos os seus filhos, e a todas as suas filhas.
Porém a Ana dava uma parte excelente; porque amava a Ana, embora o Senhor lhe tivesse cerrado a madre.
E a sua rival excessivamente a provocava, para a irritar; porque o Senhor lhe tinha cerrado a madre.
E assim fazia ele de ano em ano. Sempre que Ana subia à casa do Senhor, a outra a irritava; por isso chorava, e não comia.
Então Elcana, seu marido, lhe disse: Ana, por que choras? E por que não comes? E por que está mal o teu coração? Não te sou eu melhor do que dez filhos?
Então Ana se levantou, depois que comeram e beberam em Siló; e Eli, sacerdote, estava assentado numa cadeira, junto a um pilar do templo do Senhor.

Encontramos na passagem mencionada acima uma das mais dramáticas histórias do Antigo Testamento. Elcana era casado com duas mulheres. A primeira delas se chamava Ana, a mulher que ele mais amava e que infelizmente, era estéril. A segunda mulher se chamava Penina, por costume do antigo Oriente Médio, quando uma mulher era estéril, o homem poderia se casar com outra mulher para que ela pudesse lhe conceder filhos, que por sua vez, aumentaria sua descendência.
Ana viva com uma angústia muito grande em seu coração, ela habitava numa sociedade que considerava uma maldição uma mulher não poder gerar filhos em seu ventre e também sofria com Penina, que a irritava todas as vezes que Elcana juntamente com seus filhos e ela subiam para Siló adorar ao Senhor (v. 6).

Conviver com essa angústia não era uma tarefa fácil para Ana. Ela enfrentava diariamente uma guerra em sua mente, pois o que o texto bíblico nos diz que o Senhor cerrou sua madre (v.6). Segundo algumas fontes judaicas, uma possível tradução para esse texto seria: ADONAI (meu Senhor) a tinha privado de ter filhos. Por que Deus faria isso com Ana? Qual a finalidade de ter “privado” Ana de ter filhos?

Todos os anos a história se repetia e quando Ana era irritada por Penina chorava e não conseguia comer. Até que então Elcana vem até Ana e faz quatro perguntas:

      1)      ANA, POR QUE CHORAS?

Essa pergunta nos mostra que Elcana estava tentando consolar Ana. Todo ano essa história se repetia. Para Elcana, parecia ser fácil; ele tinha uma mulher que amava e uma que lhe concedeu filhos e filhas (v. 4).
Precisamos entender que o choro:

      a)      São as palavras de um coração que já perdeu a voz

      b)      Chorar é diminuir a profundidade da dor

      c)       É esvaziar uma pressão que está dentro do coração

Vivemos numa sociedade totalmente etnocêntrica e que não possui espaço para os mais fracos. O dia mais feliz de Ana com certeza foi o seu casamento com Elcana. Essa felicidade tornou-se um pesadelo para Ana, pois logo descobriu que era estéril e depois disso teve que conviver com uma mulher que zombava por ela não poder gerar filhos e continuar a linhagem de seu marido. O choro para Ana foi uma forma de demonstrar que a alegria de seu coração foi sequestrada. Isso aos olhos dela, mas não aos olhos de Deus! A bíblia nos diz:

[...] põe as minhas lágrimas no teu odre. Não estão elas no teu livro? (Sl 56:08).

As lágrimas de Ana estavam sendo guardadas por Deus e registradas em seu livro. Nenhum sofrimento, angústia, tristeza passam despercebidos diante de Deus. Ana tinha um Deus que assistia de perto todo seu sofrimento.

      2)      POR QUE NÃO COMES?

Todo o sofrimento de Ana a impedia de se atentar para suas necessidades fisiológicas. Quando o sofrimento bate a porta, é comum a pessoa não sentir motivação para nada. A única coisa que estava em sua mente era o sofrimento e angústia por não ser uma pessoa “normal” como todas as outras mulheres.

      3)      E POR QUE ESTÁ MAL O TEU CORAÇÃO?

A bíblia nos diz que do coração procedem às fontes da vida (Pv 4:23). Era notório para Elcana a dor que estava alojada no coração de Ana. Não tinha como não enxergar, pois o coração alegre aformoseia o rosto, mas pela dor do coração o espírito se abate (Pv. 15:24). Elcana não sabia mais o que fazer com Ana. O sofrimento transforma o semblante de nosso rosto. É comum a pessoa que está enfrentando um grande sofrimento:

      a)      Se tornar uma pessoa pessimista.

      b)      Se tornar uma pessoa de difícil relacionamento.

      c)       Se tornar uma pessoa que pensa negativamente.

      d)      O sofrimento desiquilibra a pessoa psicologicamente.

Todos esses atributos são encontrados em uma pessoa que por muito tempo leva consigo um grande sofrimento. Isso pode ser encontrado em qualquer pessoa, menos em Ana.
Ana estava abatida de coração, mas sua fé ainda estava ancorada em Deus.

      4)      NÃO SOU EU MELHOR DO QUE DEZ FILHOS?

O texto bíblico nos diz que Elcana amava muito Ana, pois quando ele sacrificava, a porção que ele dava a Ana era superior as de Penina e seus filhos e filhas. Embora Elcana já fosse um homem realizado por ter a sua volta filhos e filhas e ter uma mulher que amava, Ana ainda tinha um sonho que entregava aos pés do Senhor. O sonho de um dia ser mãe!
Sonhos são pessoais. Elcana não poderia sonhar para Ana. Ela tinha o seu sonho, seu desejo, e todos eles estavam ancorados em um filho. Encontramos em Ana, uma mulher que queria ter um filho, mas Deus queria uma mulher que fosse mãe de um juiz e profeta!
Os sonhos de Deus sempre serão maiores do que os nossos. A vontade soberana de Deus sempre prevalecerá sobre a vontade humana.

Quando Elcana e Ana chegaram a Siló, Ana começou a orar ao Senhor e fez um voto dizendo que se ele lembra-se dela lhe concedendo um filho, ela o entregaria a vida de seu filho as mãos de Deus. Uma atitude honesta e de grande valia aos olhos de Deus. Eli o sacerdote observava Ana, que, só movia seus lábios, mas sua boca não produzia nenhum som, ao passo de considerar que ela estava bêbada (v. 14). Aos olhos das pessoas próximas que não entendem o sofrimento, tudo parece uma perca de tempo e bobagem. Talvez pudesse ser dito “para de ser boba, não vale apena sofrer por isso”, só quem sofre sabe o quanto é difícil conviver com esse sofrimento. Ana então conta que era uma mulher atribulada de espírito e estava contando toda sua dor (v. 15 e 16). Ao ouvir as palavras de Ana, o sacerdote Eli diz para ela voltar em paz e que o Deus de Israel conceda sua petição (v. 17). Chegando então em sua casa, em Ramá, o Senhor se lembrou de Ana e lhe concedeu um menino (V. 19).

APRENDEMOS COM ESSE TEXTO ALGUMAS LIÇÕES:

      1)      Somos confrontados com nosso sofrimento todos os dias, mas o que fazemos com esse confronto poderá mudar nosso futuro.

      2)      Ana tinha um sonho, que só foi realizado quando ela colocou aos pés de Deus.

     3)      Deus se agrada e se lembra de nós quando fazemos propósitos e colocamos tudo em suas mãos.

     4)      Por mais que Elcana tentasse animar Ana com suas quatro perguntas, Ana não desistiu da vontade de ter um filho.


     5)      Para Deus nada é impossível.