quinta-feira, 2 de janeiro de 2014

A ORIGEM DO UNIVERSO: AFINAL, COMO FOI QUE TUDO COMEÇOU?


Não se impressione com o imponente termo técnico: “cosmológico” vem da palavra grega cosmos e significa “mundo” ou “Universo”. Ou seja, o argumento cosmológico é o argumento do início do Universo. Se o Universo teve início, então teve uma causa. Na forma lógica, o argumento apresenta-se da seguinte maneira:

1) Tudo o que teve um começo teve uma causa.

2) O Universo teve um começo

3) Portanto, o Universo teve uma causa.

Para que esse argumento seja verdadeiro, ele precisa ser logicamente válido, e suas premissas precisam ser verdadeiras. Esse argumento é válido, mas será que suas premissas são válidas? Vamos ver:

Premissa 1: tudo o que teve um começo teve uma causa – é a lei da causalidade, que é o princípio fundamental da ciência. Sem a lei da causalidade, é impossível haver ciência. De fato, Francis Bacon (o pai da ciência moderna) disse: “O verdadeiro conhecimento só é conhecimento pela causa”. Em outras palavras, a ciência era uma busca pelas causas. É isso que os cientistas fazem: tentam descobrir o que causou o quê.

Se existe alguma coisa que temos observado em relação ao Universo é que as coisas não acontecem sem uma causa. Quando um homem está dirigindo pela rua, outro veículo nunca aparece na frente de seu carro do nada, sem um motorista ou sem causa. Sabemos que guardas de trânsito ouvem essa história, mas isso não é verdade. Sempre existe um motorista ou alguma outra causa por trás do aparecimento daquele carro. Nem mesmo o grande cético David Hume poderia negar a lei da causalidade. Ele escreveu: “Nunca fiz a tão absurda proposição de que alguma coisa possa surgir do nada”.
De fato, negar a lei da causalidade é negar a racionalidade. O próprio processo de pensamento racional exige que reunamos nossos pensamentos (as causas) para que cheguemos às conclusões (os feitos). Assim, se alguém lhe disser que não acredita na lei da causalidade, simplesmente faça a seguinte pergunta a essa pessoa: “O que fez você chegar a essa conclusão?”. Uma vez que a lei da causalidade está bem estabelecida e é inegável, a Premissa 1 é verdadeira.

Premissa 2: O Universo teve um começo? Se não teve, então não havia necessidade de haver uma causa. Se teve, então o Universo deve ter tido uma causa.

Até a época de Einstein, os ateus podiam confortar-se com a crença de que o Universo era eterno e, portanto, não precisava de uma causa. Mas, desde então, cinco linhas de evidências científicas foram descobertas, as quais provam, sem dúvida, que o Universo realmente teve um início. Aquele início foi algo que os cientistas chamam de Big Bang (ou “grande explosão”). A evidência desse Big Bang pode ser lembrada pelo mínimo SURGE.

No princípio surge o Universo

De tempos em tempos, as principais revistas semanais – como a Veja, Isto é e Época – Publicam uma reportagem de capa sobre a origem e o destino do Universo. “Quando começou o Universo?” e “Quando acabará?” são duas perguntas examinadas nesses artigos. O fato de o Universo ter tido começo e que terá um fim, não é nem mesmo levantado no debate dessas reportagens. Por quê? Porque os cientistas modernos sabem que começo e fim são exigências de uma das comprovadas leis de toda a natureza: a segunda lei da termodinâmica.

A segunda lei da termodinâmica.

A termodinâmica é o estudo da matéria e da energia e, entre outras coisas, sua segunda lei afirma que o Universo está ficando sem energia utilizável. A cada momento que passa, a quantidade de energia utilizável está ficando menor, levando os cientistas à óbvia conclusão de que, um dia, toda a energia terá se esgotado e o Universo morrerá. Tal como um carro em movimento, um dia o Universo vai ficar sem combustível.
Então você pode dizer: “E daí? De que maneira isso prova que o Universo teve um começo?”. Bem, vamos enxergar as coisas da seguinte maneira: a primeira lei da termodinâmica afirma que a quantidade de energia no Universo é constante. Em outras palavras, o Universo possui apenas uma quantidade finita de energia (algo muito semelhante ao fato de o seu carro ter uma quantidade finita de combustível). Se o seu carro tem uma quantidade finita de combustível (a primeira lei) e ele está consumindo combustível durante todo o tempo em que está se movimentando (a segunda lei), seu carro estaria andando se você tivesse ligado à ignição há um tempo definitivamente distante? Não, é claro que não. Ele estaria sem energia agora se estivesse funcionando desde toda a eternidade passada. Mas aqui estamos nós: as luzes ainda estão acesas, o que significa dizer que o Universo deve ter começado em algum tempo no passado finito, ou seja, o Universo não é eterno – teve um começo.

Você pode ter ouvido a definição da primeira lei da termodinâmica da seguinte maneira: “A energia não pode ser criada nem destruída”. Essa é uma asserção filosófica, não uma observação empírica.  Como podemos saber que a energia não foi criada? Não havia observadores para verificar isso. Uma definição mais precisa da primeira lei, atestada pela observação, é que “a quantidade total de energia do Universo (energia utilizável e não utilizável) permanece constante”. Desse modo conforme a energia utilizável é consumida, ela é transformada em energia não utilizável, mas a soma das duas permanece a mesma. O que muda é a proporção da utilizável em relação à não utilizável.

A segunda lei da termodinâmica também é conhecida como a lei da entropia, que nada mais é senão uma maneira simpática de dizer que a natureza tem a tendência de fazer as coisas se desordenarem. Em outras palavras, com o tempo, as coisas naturalmente se desfazem. Seu carro se acaba; a sua casa se acaba; seu corpo se acaba. Mas se o Universo está ficando cada vez menos desordenado, então de onde veio a ordem original? O astrônomo Robert Jastrow compara o Universo a um relógio movido a corda. Se um relógio movido a corda está começando a atrasar, então alguém precisa dar-lhe corda.
Esse aspecto da segunda lei também nos diz que o Universo teve um começo. Uma vez que ainda temos alguma ordem – assim como ainda temos alguma energia utilizável –, o Universo não pode ser eterno, porque, se fosse, teríamos alcançado a completa desordem (entropia) neste momento.

O Universo está em expansão

As boas teorias científicas são aquelas capazes de predizer fenômenos que ainda não foram observados. A teoria da relatividade predisse um Universo em expansão. Mas foi somente na década depois de o legendário astrônomo Edwin Hubble ter olhado em seu telescópio que os cientistas finalmente confirmaram que o Universo está em expansão e que se expande de um único ponto. Este Universo em expansão é a segunda linha de comparação científica que afirma que o Universo teve um começo.
De que maneira podemos provar, por sua expansão, que o Universo teve um começo? Pense na seguinte maneira: se pudéssemos assistir a uma fita de vídeo a história do Universo ao contrário, veríamos toda matéria no Universo retornando para um único ponto. Esse ponto não teria o tamanho de uma bola de basquete, nem de uma bola de pingue-pongue, nem mesmo da cabeça de uma agulha, mas matemática e logicamente um ponto que é realmente nada. Em outras palavras, era uma vez um nada e, então bang!, havia alguma coisa – o Universo passou a existir por meio de uma explosão! É por essa razão que conhecemos esse fenômeno de Big Bang ou “grande explosão”.
É importante compreender que o Universo não está se expandindo para um lugar vazio, mas o próprio espaço está em expansão – não havia espaço antes do Big Bang. Também é importante compreender que o Universo não surgiu de material existente, mas sim do nada – não havia matéria antes do Big Bang. De fato, cronologicamente, não havia “antes” no período anterior ao Big Bang¹. Tempo, espaço e matéria passaram a existir no Big Bang.

¹ Palavras como “procede” e “antes” normalmente implicam tempo. Não as estamos usando nesse sentido, pois não havia tempo “antes” do Big Bang, pois não é possível existir tempo antes de o tempo ter começado. Então, o que poderia existir antes do tempo? De maneira bem simples, a resposta é: o Eterno! Ou seja, a causa Eterna que trouxe à existência o tempo, o espaço e a matéria: Deus
De acordo com a comprovação cosmológica moderna, o Universo literalmente não tinha nada de onde surgir. Naturalmente, não se pode imaginar como meros pontos matemáticos pudessem verdadeiramente criar o Universo.
O que é nada? Aristóteles tinha uma boa definição: ele disse que nada é aquilo que as rochas sonham!

Radiação do Big Bang

A terceira linha de comprovação científica de que o Universo teve um início foi descoberta por acidente em 1965. Foi naquele ano que Arno Penzias e Robert Wilson detectaram uma estranha radiação antenada do Laboratório de Bell em Holmdel, Nova Jersey, Estados Unidos. Aquela misteriosa radiação permanecia, não importava para onde apontassem sua antena. Inicialmente acharam que poderia ser o resultado de dejetos de pombos depositados na antena, muito comuns na costa de Nova Jersey, de modo que limparam a antena, e retornaram os pombos. Mas, quando voltaram para dentro, descobriram que a radiação ainda estava lá, e que vinha de todas as direções.
Aquilo que Penzia e Wilson tinham detectado transformou-se numa das mais incríveis descobertas do século passado, uma que chegou a ganhar o Prêmio Nobel. Esses dois cientistas do Laboratório Bell tinham descoberto o brilho avermelhado da explosão da bola de fogo do Big Bang!
Tecnicamente conhecida como radiação cósmica de fundo, esse brilho é realmente luz e calor emanados da explosão inicial. A luz não é mais visível porque o seu comprimento de onda foi esticado pela expansão do Universo para um tamanho pouco menor do que aquele que é produzido por um forno de micro-ondas. Mas o calor ainda pode ser detectado.
Voltando a 1948, três cientistas predisseram que, se o Big Bang realmente tivesse acontecido, essa radiação estaria em algum lugar. Mas, por alguma razão, ninguém havia tentado detectá-la antes de Penzias e Wilson terem tropeçado nela por acaso há cerca de 30 anos. Ao ser confirmada, essa descoberta lançou por terra qualquer sugestão que o Universo esteja num estado eterno de passividade. O Astrônomo agnóstico Robert Jastrow expõe a questão da seguinte maneira:

Não se encontrou nenhuma outra explicação para a radiação que não fosse o Big Bang. O argumento decisivo, capaz de convencer o mais cético dos cientistas, é que a radiação descoberta por Penzias e Wilson tem exatamente o padrão de comprimento de onda esperado para a luz e calor produzidos numa grande explosão. Aqueles que apoiam a teoria de um estado estático tentaram desesperadamente encontrar numa explicação alternativa, mas fracassaram. Neste momento, a teoria do Big Bang não tem concorrentes.
God and Astronomers – P. 15-6

Com efeito, a descoberta da radiação da bola de fogo queimou qualquer esperança de existência do estado estático. Mas esse não foi o fim das descobertas. Mais evidências do Big Bang surgiriam. De fato, se a cosmologia fosse um jogo de futebol americano, aqueles que acreditam no Big Bang estariam sendo convidados a “pular em cima” com essa próxima descoberta.

Sementes de grandes galáxias

Depois de descobrirem o anunciado Universo em expansão e o brilho posterior de sua radiação, os cientistas voltaram à atenção para outra previsão que confirmaria o Big Bang. Se o Big Bang realmente aconteceu, os cientistas acreditavam que deveríamos ver pequenas oscilações (ou ondulações) na temperatura da radiação cósmica de fundo que Penzias e Wilson tinham descoberto. Essas ondulações de temperatura permitiriam que a matéria se reunisse em galáxias por meio da atração gravitacional. Se isso fosse descoberto, eles aceitariam a quarta linha da comprovação científica de que o Universo teve um início.
Em 1989, foi intensificada a busca por essas ondulações quando a NASA lançou um satélite de 200 milhões de dólares chamado COBE (Cosmic Background Explorer ou “explorador cósmico”). Levando equipamentos extremamente sensíveis, o COBE foi capaz de ver se essas oscilações realmente existiam na radiação de fundo e quão precisas elas eram.
Quando George Smoot, o líder do projeto, anunciou as descobertas do COBE em 1992, sua chocante comparação foi citada em jornais do mundo inteiro. Ele disse: “Se você é religioso, então é como olhar para Deus”. Michael Turner, astrofísico da Universidade de Chicago, não foi menos enfático, afirmando que “a evidencia dessa descoberta não pode ser desprezada. Eles encontraram o Santo Graal da cosmologia”.  Stephen Howking também concordou, chamando as descobertas de “as mais importantes descobertas do século, senão de todos os tempos”. O que fez o satélite COBE receber elogios tão grandiosos?
O satélite não apenas descobriu as oscilações, mas os cientistas ficaram maravilhados diante de sua precisão. As oscilações mostravam que a explosão e a expansão do Universo foram precisamente calculadas de modo que não apenas a fazer a matéria se reunir em galáxias, mas também a ponto de não fazer o próprio Universo desmoronar sobre si mesmo. Qualquer pequena variação para um lado ou para o outro, e nenhum de nós estaria por aqui para contar a história. O fato é que as oscilações são tão exatas que Smoot as chamou de “marcas mecânicas da criação do Universo” e “impressões digitais do Criador”.
Mas essas oscilações de temperatura não são apenas pontos em um gráfico de um simples cientista. O COBE conseguiu tirar fotografias das oscilações com infravermelho. É preciso ter em mente que as observações espaciais são, na verdade, observações do passado, devido ao tempo que a luz leva para chegar até nós. Desse modo, os retratos desse satélite são retratos do passado, ou seja, as imagens em infravermelho tiradas pelo COBE apontam para a existência de matéria do início do Universo que viria a se juntar com galáxias e conjuntos de galáxias. Smoot chamou essa matéria de “sementes” das galáxias como elas existem hoje (essas imagens podem ser vistas pela Internet no site do COBE, no endereço http://lambda.gsfc.nasa.gov) Tais “sementes” são as maiores estruturas já detectadas, e a maior estende-se por cerca de um terço do Universo conhecido. Estamos falando de 10 bilhões de anos-luz ou de 95 bilhões de trilhões de quilômetros (95 seguido de 21 zeros).
Agora você pode entender por que tantos cientistas são tão eloquentes na descrição de sua descoberta. Uma coisa predita pelo Big Bang foi novamente descoberta, e isso foi tão grandioso e tão precioso que provocou um big bang entre os cientistas!

A teoria da relatividade de Einstein

Sua teoria da relatividade é a quinta linha de comprovação científica de que o Universo teve um início e sua descoberta foi o começo do fim da idéia de que o Universo é eterno. A teoria em si, que foi comprovada até cinco casas decimais, exige um início absoluto para tempo, espaço e matéria. Ela mostra que tempo, espaço e matéria estão correlacionados, ou seja, são interdependentes – você nunca pode ter um sem os outros.
Com base na teoria da relatividade, os cientistas predisseram – e depois descobriram – a expansão do Universo, a radiação posterior à explosão e as grandes sementes de galáxias que foram precisamente criadas para permitir que o Universo se formasse e que tivesse o estado atual.

Deus e os astrônomos

Portanto, o Universo teve um início. O que isso significa para a pergunta relativa à existência de Deus? O homem que hoje se assenta na cadeira de Edwing Hubble no Observatório de monte Wilson tem poucas coisas a dizer sobre isso. Seu nome é Robert Jastrow, astrônomo já citado anteriormente. Além trabalhar como diretor do Observatório de monte Wilson, Jastrow é fundador do Instituto Goddard para Estudos Espaciais, da NASA. É óbvio que suas credenciais como cientistas são impecáveis. É por isso que seu livro Deus e os Astrônomos causou tanto impacto entre aqueles que investigam as implicações sobre o Big Bang, a saber: aqueles que fazem a pergunta: “O Big Bang aponta para Deus?”.
Jastrow revela que não que não há nenhum interesse pessoal em suas observações. Ele escreve: “Quando um astrônomo escreve sobre Deus, seus colegas acham que ou ele está ficando velho ou maluco. No meu caso, deve-se entender desde o início que sou agnóstico em relação aos assuntos religiosos”.
À luz do agnosticismo pessoa de Jastrow, suas citações teístas são ainda mais motivadoras. Depois de explicar algumas das comprovações do Big Bang que acabamos de revisar, Jastrow escreve:

Agora veremos como a evidência astronômica leva a uma visão bíblica da origem do mundo. Os detalhes divergem, mas os elementos essenciais presentes tantos nos relatos astronômicos quanto na narração do Gênesis são os mesmos: a cadeia de fatos que culminou com o homem começou repentinamente e num momento preciso do tempo, num flash de energia.
Ibid., P.14

A comprovação de peso do Big Bang e sua compatibilidade com o relato bíblico do Gênesis levou Jastrow a fazer a seguinte observação numa entrevista:

Os astrônomos percebem agora que se colocaram numa encruzilhada, porque provaram por seus próprios métodos, que o mundo começou abruptamente, num ato de criação ao qual se pode rastrear as sementes de toda estrela, todo planeta, toda coisa viva no cosmo e na terra. Eles descobriram que tudo isso aconteceu como um produto de forças que não esperavam encontrar [...] isso que eu e qualquer pessoa chamaríamos de força sobrenatural é, agora, penso eu, um fato cientificamente comprovado.

Ao evocar o sobrenatural, Jastrow faz eco à conclusão de Arthur Eddington, comtemporâneo de Einstein. Como já mencionamos, embora achasse “repugnante”, Eddington admitiu que “o início parece apresentar dificuldades insuperáveis, a não ser que concordemos em olhar para ele como algo francamente sobrenatural”.
Por que Jastrow e Eddington admitiriam que existem forças “sobrenaturais” em ação? Por que as forças naturais não poderiam ter criado o inverso? Porque esses cientistas sabem, assim como qualquer pessoa, que as forças naturais – na verdade, a própria natureza – foram criadas no Big Bang. Em outras palavras, o Big Bang foi o início do Universo físico. Tempo, espaço e matéria passaram a existir naquele momento. Não havia mundo natural ou leis naturais antes do Big Bang. Uma vez que uma causa não pode vir depois de seu efeito, as forças naturais não foram responsáveis pelo Big Bang. Portanto, deve haver alguma coisa acima da natureza para realizar o trabalho. É exatamente isso que significa sobrenatural.
Os descobridores da radiação pós-explosão, Robert Wilson e Arno Penzias, também não eram defensores da Bíblia. Ambos acreditavam inicialmente na teoria do estado estático. Mas, divido às fortes evidências, mudaram sua visão e reconheceram os fatos que são compatíveis com a Bíblia. Penzias admite: “A teoria do estado estático mostrou-se tão fraca que foi abandonada. A maneira mais fácil de encaixar as observações com os parâmetros recentes é admitir que o Universo tenha sido criado do nada, num instante, e que continua a se expandir”.
Wilson, que certa vez assistiu a uma aula de Fred Hoyle (o homem que popularizou a teoria do estado estático em 1948), disse: “Em termos filosóficos, eu gosto do estado estático. Mas ficou claro que eu precisava abandoná-lo”.
Quando o escritor e cientista Fred Heeren perguntou-lhe se a evidência do Big Bang é indicativa de um Criador, Wilson respondeu: “Certamente houve alguma coisa que fez tudo funcionar. Se você é religioso, é certo que não posso pensar numa teoria melhor da origem do Universo do que aquela relatada no Gênesis”.
George Smoot concordou com a avaliação de Wilson. Ele disse: “Não há dúvida de que existe um paralelo entre o Big Bang como um fato e a posição cristã da criação com base no nada”.

Fotos COBE:

 







domingo, 20 de outubro de 2013

OS MANUSCRITOS DO MAR MORTO


“A lei do Senhor é perfeita e restaura a alma; o testemunho do Senhor é fiel e dá sabedoria aos símplices [...] são mais desejáveis do que ouro, [...] em os guardar há grande recompensa [...] Para mim vale mais a lei que procede de tua boca do que milhares de ouro ou de prata” (Salmo 19.7,10-11; Salmo 119.72).

 
Muhammad estava agitado e inquieto. Sua cabra travessa tinha sumido. Ao vaguear sem rumo longe de seu rebanho e de seus amigos, o beduíno chegou a uma caverna que ficava em posição elevada e dava frente para a costa noroeste do Mar Morto. Por pensar que o animal desgarrado tivesse se perdido dentro da caverna, o beduíno começou a jogar pedras pela entrada da gruta a fim de fazê-lo sair lá de dentro. Quando ele ouviu o ruído das pedras que batiam em peças de cerâmica, ficou intrigado. Será que lá dentro da caverna poderia haver um tesouro escondido? Com toda a empolgação, ele correu até a entrada da caverna, porém, no interior dela não encontrou ouro, nem prata, apenas jarros grandes e antigos ao longo das paredes, os quais continham rolos de pergaminhos despedaçados. Ele pensou: “pelo menos os pergaminhos de couro vão servir para fazer correias e tiras de sandálias”. Lamentavelmente, Muhammad não conseguiu perceber a real importância daquele momento. A teimosia de sua cabra o levara àquela que pode ser considerada, nos tempos modernos, a maior descoberta de manuscritos: uma incalculável reserva entesourada da Palavra escrita – os Manuscritos do Mar Morto.

 

Beduínos não marcam o tempo como os ocidentais, mas assemelham-se aos seus antepassados; sua concepção de tempo e momento está relacionada com outros acontecimentos. Assim, não se pode datar essa descoberta com precisão. Após uma revisão, a nova data para a descoberta do primeiro rolo de manuscritos é a de 1935 ou 1936. A partir de então até o ano de 1956, muitos outros manuscritos foram achados. Acredita-se que esses manuscritos sejam de datas diferentes, as quais variam do século III a.C. até o século I d.C. A maior parte deles foi descoberta em cavernas de formação calcária em Qumran, situadas exatamente a noroeste do Mar Morto. A maioria dos pergaminhos é escrita em hebraico; o restante deles é escrito em aramaico e grego. Foram achados mais de 900 documentos, que correspondem a 350 obras distintas em suas múltiplas cópias. Muitos dos escritos bíblicos e extrabíblicos estão representados em pequeníssimos fragmentos. Só em uma caverna foram encontrados 520 textos, na forma de 15 mil fragmentos. Como se pode imaginar, juntar todos esses pedaços de pergaminho na sua respectiva posição para que se faça a tradução tem se constituído numa tarefa gigantesca.

A descoberta dos Manuscritos do Mar Morto confirma aquilo que as pessoas que crêem na Bíblia sempre souberam, ou seja, que a Bíblia, tal qual a temos na atualidade, é um texto que passa nos testes de fidedignidade. Apesar dos ataques contra a Bíblia, a Palavra de Deus permanece para sempre: “O caminho de Deus é perfeito; a palavra do Senhor é provada; ele é escudo para todos os que nele se refugiam” (2 Samuel 22.31).

 

Sempre houve pessoas que questionaram a confiabilidade das Escrituras. Uma vez que o texto foi copiado e re-copiado ao longo dos séculos, os críticos alegam que é impossível saber-se com certeza o que os escritores bíblicos escreveram ou queriam dizer originalmente. Os Manuscritos do Mar Morto invalidam tal hipótese ou suposição no que se refere ao Antigo Testamento. Foram achadas entre 223 e 233 cópias das Escrituras Hebraicas, as quais foram comparadas com o texto atual. O único livro do Antigo Testamento que não foi encontrado nessa descoberta é o livro de Ester. É possível que ele esteja oculto numa caverna ainda não identificada de algum lugar isolado.

 

Antes dessa descoberta, os manuscritos mais antigos das Escrituras Hebraicas datavam do século IX d.C. ao século XI d.C. Tais manuscritos constituem aquele que é chamado de Texto Massorético, termo este originado da palavra hebraica masorah que significa “tradição”. Os escribas judeus de Tiberíades, denominados massoretas, procuraram meticulosamente padronizar o texto hebraico e sua pronúncia; a obra que realizaram ainda é considerada uma referência confiável nos dias de hoje. Os manuscritos de Qumran são, no mínimo, mil anos mais antigos que o Texto Massorético. Na realidade, esses manuscritos são até mesmo mais antigos que a Septuaginta, uma tradução grega do Antigo Testamento elaborada no Egito durante o período de 300 a 200 a.C.

Comparações minuciosas têm sido feitas entre o Texto Massorético e os Manuscritos do Mar Morto. Encontraram-se diferenças insignificantes de ortografia e gramática. Os críticos e céticos em relação à Bíblia ficaram surpresos quanto à maneira pela qual o texto daqueles manuscritos se assemelha ao texto atual. Eles não encontraram nenhuma objeção evidente às principais doutrinas das Escrituras Sagradas. A parte bíblica da literatura descoberta em Qumran confirma o estilo de expressão verbal e o significado do Antigo Testamento que temos em nossas mãos na atualidade: “Examinais as Escrituras, porque julgais ter nelas a vida eterna, e são elas mesmas que testificam de mim” (João 5.39).

 

Além das cópias das Escrituras do Antigo Testamento, as cavernas do Mar Morto também nos proporcionaram outras obras escritas. Esses documentos descrevem o estilo de vida e as crenças da misteriosa comunidade que viveu na região de Qumran. Embora não sejam escritos bíblicos, são registros valiosos que possibilitam a compreensão do contexto de vida e da cultura na época do Novo Testamento. Infelizmente os estudiosos dão mais atenção a essas obras de menor relevância do que às Escrituras, ainda que os textos bíblicos sejam mais importantes para os problemas da vida, pois o legítimo plano de Deus para a redenção da humanidade só se encontra no texto da Bíblia.

 

Uma Exatidão Maravilhosa

 

O Manuscrito do Livro (rolo) de Isaías encontrado na caverna 1 da região de Qumran oferece um sensacional exemplo da transmissão exata do texto na tradução. Acredita-se que esse extraordinário manuscrito date de cem anos antes do nascimento de Jesus Cristo. Foi um manuscrito semelhante a esse que Jesus utilizou na sinagoga da aldeia de Nazaré, quando leu a seguinte passagem das Escrituras: “O Espírito do Senhor está sobre mim, pelo que me ungiu para evangelizar os pobres” (Lucas 4.18; Isaías 61.1). Ele continuou a leitura até determinado ponto. Em seguida, devolveu o livro (rolo) ao assistente da sinagoga e se sentou. Enquanto todos tinham os olhos fitos em Jesus, Ele declarou que aquela porção das Escrituras acabara de se cumprir diante dos ouvintes. Dessa forma, Jesus afirmou claramente ser Ele mesmo o Messias de Deus, vindo ao mundo para conceder a salvação a todo aquele que O receber.

A mesma passagem bíblica traduzida diretamente a partir do Manuscrito do Livro de Isaías descoberto em Qumran (o qual é cerca de mil anos mais antigo do que o manuscrito hebraico (o Texto Massorético) no qual se basearam as outras traduções), é praticamente idêntica: “O Espírito do Senhor Deus está sobre mim, porque YHVH [N. do T., o tetragrama sagrado em hebraico que se refere ao nome supremo de Deus: Yahveh ou Javé] me ungiu para pregar as boas novas aos quebrantados”. A integridade da reivindicação de Cristo, conforme está escrita em nossas Bíblias, se confirma.

 

É fascinante que os manuscritos achados com mais freqüência em Qumran, sejam completos, sejam na forma de pequenos fragmentos, referem-se aos mesmos livros da Bíblia geralmente citados no Novo Testamento: Deuteronômio, Isaías e Salmos. Tal fato desperta um interesse ainda maior à luz das próprias palavras de Jesus concernentes às Escrituras Hebraicas:

“A seguir, Jesus lhes disse: São estas as palavras que eu vos falei, estando ainda convosco: importava se cumprisse tudo o que de mim está escrito na Lei de Moisés, nos Profetas e nos Salmos” (Lucas 24.44).

 

Muitos outros exemplos poderiam ser citados. O fato principal acerca da Bíblia e desses rolos de manuscritos resume-se naquilo que um grande expositor das Escrituras, o inglês G. Campbell Morgan (1863-1945), certa feita compartilhou: “Não existe vida nas Escrituras em si mesmas, porém, se seguirmos a direção para onde as Escrituras nos levam, elas nos conduzirão até Ele e assim encontraremos a vida, não nas Escrituras, mas nEle através delas”.

“Seca-se a erva, e cai a sua flor, mas a palavra de nosso Deus permanece eternamente” (Is 40.8).

 

Infindáveis argumentações e debates têm surgido acerca desses manuscritos. Contudo, os crentes em Cristo podem estar certos de que tais manuscritos bíblicos antigos ratificam, apoiam e dão credibilidade à Bíblia que temos nos dias de hoje. A Palavra de Deus continua a ser a única fonte legítima da fé e da doutrina para todo aquele que busca recompensa eterna.

“São mais desejáveis do que ouro, mais do que muito ouro depurado; e são mais doces do que o mel e o destilar dos favos. Além disso, por eles se admoesta o teu servo; em os guardar, há grande recompensa” (Salmo 19.10-11).

 

Sendo assim, pobre Muhammad! Ele tinha esperança de encontrar os tesouros deste mundo, mas achou apenas pergaminhos despedaçados que só prestavam para fazer correias de sandálias! Lamentavelmente o lucro deste mundo é uma prioridade que absorve a pessoa completamente. O mundo considera as Escrituras Sagradas como algo sem valor; ou com alguma utilidade, de vez em quando, para serem citadas como “palavras da boca pra fora”, mas nunca para serem aceitas pela fé e praticadas. Todavia, nós, os salvos em Cristo, temos um conhecimento mais apurado. Temos conhecimento suficiente para não desprezar o tesouro verdadeiro e incalculável que só pode ser descoberto quando se faz uma escavação no solo da Palavra de Deus:

“E, se clamares por inteligência, e por entendimento alçares a voz, se buscares a sabedoria como a prata e como a tesouros escondidos a procurares, então, entenderás o temor do Senhor e acharás o conhecimento de Deus” (Provérbios 2.3-5).

Peter Colón - Israel My Glory - http://www.beth-shalom.com.br

quinta-feira, 19 de setembro de 2013

PLATÃO E DEUS: UMA CONTRIBUIÇÃO PARA O CRISTIANISMO

Platão é um filósofo grego e bastante influente da antiguidade. Ele nasceu no ano de 427 AC em Atenas, Grécia, filho de pais atenienses ricos. Platão começou sua carreira filosófica como um aluno de Sócrates. Após a morte de seu pai, sua mãe se casou com um amigo de Péricles, então ele passou a ser politicamente ligado à oligarquia e democracia. Oligarquia é uma forma de governo onde a maior parte (ou todo) o poder político efetivamente recai sobre um pequeno segmento da sociedade que é normalmente o mais poderoso, seja pela riqueza, família, força militar, crueldade ou influência política. O irmão e tio de sua mãe tentaram persuadi-lo a juntar-se às regras oligárquicas de Atenas. No entanto, Platão se juntou a seus dois irmãos mais velhos para se tornar um aluno de Sócrates. Sócrates forçou esses homens a adotar as ideias e crenças que ele criticamente estabelecera nas áreas de "Conhece a ti mesmo".

Platão não era um amigo dos Trinta Tiranos que estavam no poder durante esse tempo. Este grupo era uma oligarquia pró-espartana instalada em Atenas, e um dos seus dois principais membros eram um seguidor de Sócrates. Os Trinta severamente reduziram o número de direitos dos cidadãos atenienses. Apenas um grupo de 500 pessoas especialmente selecionadas podia participar de cerimônias legais, enquanto que cerca de 3000 tinham o direito de portar armas ou receber um julgamento com júri. Centenas de atenienses foram mortos por ordens de beber cicuta, e milhares mais foram exilados. Assim, Platão os alienou através do seu método de questionamento crítico e acabou sendo levado a julgamento por crimes capitais de impiedade religiosa e corrupção da juventude. Platão foi, portanto, condenado à morte, mas seus amigos vieram em seu auxílio e ofereceram a pagar uma multa ao invés da pena de morte.

Platão, filósofo grego – Influências

Platão foi fortemente influenciado por Sócrates, e muitos de seus diálogos tinham este homem como um personagem no seu conteúdo. Portanto, muitos de seus primeiros trabalhos foram provavelmente empréstimos ou adaptações do próprio Sócrates. É difícil saber quanto do conteúdo e argumento de qualquer diálogo é realmente o ponto de vista de Sócrates e quanto é de Platão. O próprio Sócrates não anotou nenhum dos seus ensinamentos.

Os escritos de Platão lidavam com debates a respeito da melhor forma possível de governo, exibindo adeptos da aristocracia, democracia, monarquia, assim como outros assuntos. O tema central na maioria deles é o conflito entre natureza e convenção, o papel da hereditariedade e do ambiente na inteligência humana e personalidade.

Após a morte de Sócrates, Platão fundou uma escola em Atenas, nos jardins que haviam pertencido ao semideus Academo. Era chamada de Academia (de onde temos a palavra acadêmicos) e considerada uma universidade de ensino superior por incluir a física, a astronomia e a matemática, bem como a filosofia. Platão deu palestras que nunca foram publicadas. 

Platão faleceu em 347 AC, aproximadamente aos oitenta anos de idade, mas não se sabe o que causou sua morte.

Platão, filósofo grego – Logos

Logos é o termo grego que significa "a Palavra". Filósofos gregos (como Platão) mencionavam Logos não só quando se referindo à palavra falada, mas também à palavra não dita, a que ainda está na mente -- a razão. Quando aplicada ao universo, os gregos estavam falando sobre o princípio racional que governa todas as coisas.
Um filósofo grego chamado Heráclito usou pela primeira vez o termo Logos cerca de 600 AC para designar o plano divino que coordena todo o universo. Os judeus monoteístas usavam Logos para se referir a Deus, já que Ele era a mente racional - a razão - por trás da criação e coordenação do universo.

Assim, João (o autor do livro bíblico de João) usou uma palavra muito especial - Logos – isso foi muito significativo para ambos os judeus e gregos durante o primeiro século DC. 
“No princípio era o Verbo, e o Verbo estava com Deus, e o Verbo era Deus. Ele estava no princípio com Deus. Todas as coisas foram feitas por intermédio dele, e, sem ele, nada do que foi feito se fez. E o Verbo se fez carne e habitou entre nós, cheio de graça e de verdade, e vimos a sua glória, glória como do unigênito do Pai” (João 1:1-3, 14).

Grandes Filósofos - Ideias de Deus

O que os grandes filósofos do passado achavam sobre a ideia de Deus? Muitos dos grandes músicos, cientistas e líderes da história afirmaram alguma crença em um Deus todo-poderoso. E os grandes pensadores da filosofia? Assim como na ciência, música, artes e cultura, há um grande número de filósofos respeitados que fizeram declarações muito claras sobre sua fé. Alguns expressaram crença forte. Alguns expressaram dúvidas. Outros apenas fizeram perguntas. Dar uma olhada em alguns dos filósofos mais famosos da história nos fornece maior entendimento sobre a percepção de Deus no mundo da filosofia. 

Os filósofos gregos fizeram perguntas em grande parte sobre a ideia geral da divindade, e formularam suas perguntas em torno de questões morais. Sócrates afirmou uma versão estreita e mais comum da regra de ouro ao dizer: "Não faça aos outros o que irrita você se feito a você por outros." Toda a filosofia de Sócrates foi relatada por Platão, seu discípulo mais famoso, por isso pode ser difícil dizer quais crenças são de Sócrates, e quais são de Platão. Os escritos de Platão descrevem o que ele chama de "A Forma do Bem", e ele aparentava ter alguma ideia de uma autoridade sobrenatural. Ele mesmo declarou: "A morte não é o pior que pode acontecer ao homem." Até mesmo o seu interesse nas estrelas inspirava crença. Em suas próprias palavras: "A astronomia compele a alma a olhar para cima e leva-nos deste mundo a outro." 

Aristóteles, um aluno de Platão, certamente adotou a ideia de um "Bem Maior". Aristóteles incentivou seus alunos a desenvolver uma habilidade de ganhar experiência sem ser facilmente levado. "É a marca de uma mente educada ser capaz de entreter um pensamento sem aceitá-lo." Outras afirmações, tais como: "Não podemos mais perguntar se o corpo e a alma são um, assim como não devemos perguntar se a cera e a figura nela impressa são um", são uma boa evidência de que Aristóteles realmente acreditava em algo, e alguém, além da vida mortal.

Grandes Filósofos - Vozes da Filosofia

Os grandes filósofos do Ocidente não foram os únicos a contemplar o conceito de Deus. Pensadores orientais, tais como Confúcio, também expressaram suas crenças em um Criador sobrenatural. Confúcio disse certa vez: "A morte e a vida têm seus encontros determinados, riquezas e honra dependem do céu", e "O céu significa ser um com Deus." Confúcio também ensinou um princípio importante da filosofia, que "O objeto do homem superior é a verdade." Em João 18, Jesus providenciou um ponto focal para essa mesma ideia. 

Durante a ascensão da civilização ocidental, o número de vozes na filosofia cresceu. Uma dessas vozes foi Agostinho. Suas ideias sobre teologia e filosofia eram controversas no seu tempo, mas têm se tornado fundamentais para muitas denominações Cristãs. Agostinho tinha uma forte apreciação da singularidade do evangelho Cristão, dizendo: "Eu tenho lido em Platão e Cícero provérbios que são sábios e muito bonitos; mas eu nunca li em nenhum deles: vinde a mim, todos os que estais cansados e sobrecarregados.'' Ele também apoiava o conceito de milagres, tanto filosoficamente e cientificamente, com citações como: "Milagres não são contrários à natureza, mas apenas contrários ao que sabemos sobre a natureza."

Os filósofos que surgiram depois continuaram a escrever e falar palavras que demonstravam sua crença, e procura, em um verdadeiro Deus. Aquino falou claramente a favor da fé fundamentada, dizendo: "A razão no homem é como Deus no mundo", e "Para quem tem fé, nenhuma explicação é necessária. Para um sem fé, nenhuma explicação é possível." Descartes, que ficou famoso por afirmar "penso, logo existo", também teve palavras severas para algumas das estranhas ideias de seus contemporâneos - muitos dos quais não eram crentes. Certa vez, ele alegou: "Não há nada tão estranho e inacreditável que não tenha sido dito por um filósofo ou outro." 
Pascal também foi um crente fiel e muitas vezes comentaram sobre sua fé. Há apenas um punhado de cientistas que têm contribuído mais à nossa compreensão da física do que ele. Pascal disse: "Jesus é o Deus a quem podemos aproximar-nos sem orgulho e diante de quem podemos humilhar-nos sem desespero." A aposta de Pascal, embora seja muitas vezes mal citada e geralmente mal compreendida, é um perfeito exemplo de como ele acreditava na força da crença filosófica. Ao afirmar a sua famosa aposta, Pascal na verdade disse: "Crença é uma aposta sábia. Admitindo-se que a fé não pode ser provada, que mal pode vir a você se você arriscar em sua verdade e ela se provar falsa? Se você ganhar, você ganha tudo, se você perder, você não perde nada. Aposte, então, sem hesitação, que Ele existe." Aqui Pascal está realmente dizendo que o Cristão não tem nada a perder por crer em Cristo.


segunda-feira, 16 de setembro de 2013

LIDERANÇA: AS 5 MARCAS DA INTEGRIDADE



A verdade é um valor inegociável; defendê-la e praticá-la é pressuposto fundamental do caráter cristão. (por Ronaldo Lidório)

Se você deseja conhecer a integridade de um líder, observe os detalhes. Conheça-o na informalidade do lar, no trato com amigos chegados, na conversa ao telefone. O conselho bíblico de sermos fiéis no pouco para sermos colocados sobre o muito pressupõe um grau de dificuldade e detalhamento. O pouco nos prova, como também nos expõe – é, portanto, no pouco, nos detalhes da vida, que podemos diagnosticar nossas carências e limitações, e ali aprender com o Mestre. Platão, o célebre filósofo grego, foi claro: “Você pode descobrir mais sobre uma pessoa em uma hora de brincadeira do que em um ano de conversa”. A informalidade nos expõe com maior frequência, pois nos encontra em estado de espontaneidade.Um dos desafios mais difíceis que enfrentamos é a tradução de nossos valores espirituais e morais para atitudes espirituais e morais em nossa vida diária. Permitam-me listar aqui, dentre tantas atitudes que buscam a construção de um caráter íntegro, algumas que observo de extrema colaboração neste sentido.

1. Calar-se: Certamente há momentos de falar, de fazer-se ouvir. Mas reconheço que os homens de Deus que tenho conhecido buscavam mais o silêncio do que o confronto verbal perante as adversidades, e faziam a obra do Senhor.

2. Não negociar a verdade: Quando a Palavra nos ensina que a posição do crente, o seu falar, deve ser “sim, sim”, “não, não”, o que se advoga não é uma atitude de extremos; o assunto aqui é a verdade: dizer “sim” quando for sim e “não” quando for não. No cenário do genuíno cristianismo, a verdade não pode ser negociada. Ela é um dos grandes blocos que constrói uma vida íntegra.

3. Assumir a responsabilidade: Há líderes que possuem grande dificuldade de pedir perdão de maneira verbal e clara, ou de voltar atrás em decisões tomadas mesmo quando francamente equivocadas. Esta postura provém de um coração soberbo. É o sentimento de soberba que os faz pensar sobre a sua suposta superioridade – talvez, nutrida pelo seu conhecimento, ou pela posição de liderança, ou ainda em face de sua função de destaque, de seus ganhos ou merecimentos. Muitos não percebem, porém, que este é o caminho de morte.

4. Aprender com os erros: C.S.Lewis nos ensina que “quando um homem se torna melhor, compreende cada vez mais claramente o mal que ainda existe em si. Quando um homem se torna pior, percebe cada vez menos a sua própria maldade”. Para aprendermos com nossos erros é necessário levá-los a sério, conversar com o Pai sobre eles, pedir forças para mudarmos e amadurecermos, crescendo sempre um pouco mais.

5. Cuidar do seu coração: O Senhor sonda nosso coração. Portanto, é nossa imagem interna, e não externa, que precisa de maior cuidado. Em dias de ufanismo e triunfalismo, somos levados a procurar sempre o que nos destaca, ou destaca o nosso trabalho – um grave engano, visto que o Senhor não sonda nossos relatórios, mas sim nossos corações. O doutor Augustus Nicodemus, profundo expositor da Palavra, afirma que Deus não nos chama para termos sucesso sempre, mas sim para sermos fiéis.


segunda-feira, 9 de setembro de 2013

PERDOE-ME POR ME TRAÍRES



Hermes C. Fernandes

Uma das cenas que mais me marcaram entre todos os filmes que já assisti é a que retrata o momento em que William Wallace, protagonista de Coração Valente, descobre que aquele contra quem ele está lutando no campo de batalha é o mesmo pelo qual estava arriscando a própria vida.

Esta cena merecia um Oscar para Mel Gibson! O olhar, a maneira como ele engole a seco, a fisionomia expressando completa decepção e desolação. Simplesmente, impagável!

Só quem já foi traído por alguém por quem lutava sabe o quanto dói. É como uma espada traspassando nossa alma. Quando assisti a este filme, confesso que ainda não conhecia de perto este sentimento.

De todas as dores que Jesus experimentou, nenhuma o machucou mais do que a traição. Não apenas a traição de Judas, mas, sobretudo a traição do povo para o qual Ele havia vindo ao Mundo. O mesmo povo que na véspera o aclamava na entrada de Jerusalém, agora gritava no pátio de Pilatos: Crucifica-o!

Doeu mais do que os cravos e a coroa de espinhos.

Trair quem luta por nós é trair a nós mesmos. É trair nossas convicções mais profundas, nossa consciência. Nada dói tanto quanto a traição.

E toda a traição é como um bumerangue. Um dia volta contra nós.

O traidor do filme pelo menos cai em si, e se arrepende. Há outros que sequer têm crise de consciência, porque as pessoas que o apoiam parecem indicar que ele está no caminho certo. Suas vozes de aclamação o impedem de enxergar o buraco que cavou, no qual sua própria alma se submergirá.

Não há moedas de prata, não há vantagem financeira ou qualquer tipo de prazer que compensem a dor provocada pela traição. Só quem não tem alma não percebe isso.

Há até quem consiga comemorar a traição como um grande acontecimento.

Lembro-me de um filme brasileiro estrelado por Darlene Glória, chamado "Perdoe-me por me traíres". Depois de sair traída por diversas vezes, a mulher vai ao encontro do seu marido pedir-lhe perdão. Geralmente, quem pede perdão é quem trai. Mas quando o traidor está com a consciência cauterizada, a melhor coisa a fazer é tomar a iniciativa e pedir-lhe perdão. Quem sabe ele caia em si e perceba o mal que fez e se arrependa.

Não se venda, não negocie com sua alma. Não faça ninguém sofrer. Não decepcione quem depositou tanta confiança em você. A menos que você se sinta preparado para encarar o olhar decepcionado de quem tanto te ama.

Pergunte a Pedro o que ele sentiu quando teve que encarar o olhar de Jesus. Você estaria preparado para reencontrar aquele a quem você traiu?

Olhe-se no espelho e pergunte a si mesmo se a imagem que você vê refletida é de alguém digno de confiança ou de alguém infiel à sua própria consciência.

Melhor que trair é ser sincero, jogar limpo, falar francamente, olho no olho, sem rodeios, sem meias palavras. Machuca muito menos que atraiçoar.

Foi isso que meu pai fez quando quis deixar sua antiga denominação. Ele convidou o líder da igreja para uma conversa franca. Eu estava lá e testemunhei a hombridade com que meu pai tratou aquele homem com quem havia caminhado por quase vinte anos. O nome disso é honradez. É assim que age quem é honrado. Tive muito orgulho do meu pai naquele dia.

Nem todo mundo tem a mesma hombridade e honradez. Há pessoas que são como serpentes, escorregadias e astutas, e em cuja língua há veneno. Deus as tratará!

E o pior de quem trai é ter que carregar um estigma pelo resto da vida.

Você colocaria o nome "Judas" em um filho? Mesmo que tenha havido outro Judas, que se manteve fiel a Jesus até o fim, o nome tornou-se sinônimo de " traidor".

Não deve ser nada fácil carregar este tipo de estigma por toda a vida.

Jacó, mesmo depois de passar a ser chamar Israel, continuou sendo chamado de Jacó pelo resto da vida. O próprio Deus que mudou seu nome continuou a chamá-lo de Jacó. Este foi o estigma que o patriarca teve que carregar por haver traído seu próprio irmão várias vezes.

Nunca vale a pena trair. Quem trai se torna seu próprio algoz.

Uns traem com um beijo, outros traem com um abraço, e outros com palavras e ações.

Seja fiel a Deus! Seja fiel à sua igreja! Seja fiel à sua família! Seja fiel aos seus filhos! Seja fiel à sua esposa! Seja fiel aos seus amigos! Seja fiel às suas convicções!

Se não dá pra caminhar juntos, pelo menos não traia tudo em que você disse acreditar por tanto tempo. Seja, no mínimo, fiel à visão celestial, como foi Paulo perante o rei Agripa.


N'Ele que jamais nos decepcionará, apesar dos homens...

Fonte: umadguar