quinta-feira, 18 de abril de 2013

O dia que Alexandre o Grande se prostrou em adoração a Deus




330 a.C. (Anno Mundi 3565) – Alexandre, o Grande, conquista a Pérsia

Alexandre era filho de Felipe, rei da Macedônia. Foi educado por Aristóteles, um dos maiores filósofos da humanidade, e veio a assumir o trono aos 20 anos de idade após o assassinato de seu pai.
Conquistou a Pérsia derrotando Dario III em 330 AC, e ao falecer em 323 AC seu reino se estendia desde a Grécia até o Afeganistão. O império persa subsistiu, desta forma, por 213 anos.
Segundo Flávio Josefo (História dos Hebreus, Vol. 3, Cap. I, §. 451), tomando os judeus como observadores deste confronto, a expectativa sobre o embate entre Alexandre e Dario III era de que Dario saísse vencedor.
Deu-se, porém, o contrário, e uma vez derrotado Dario, Alexandre seguiu para a Síria tomando Damasco e Sidon, vindo a empenhar-se então na conquista da cidade de Tiro.
Neste tempo a Samaria era governada por um tal Sambalate, que havia por sinal sido criado por Dario III. Sambalate estivera ao lado de Dario por toda sua vida, mas quando a situação se inverteu favorável a Alexandre, este não tardou em passar para seu lado enviando inclusive oito mil homens de seu exército para auxiliar Alexandre na guerra contra Dario.
Aproveitando-se da ocasião, com Alexandre vitorioso, Sambalate, governador da Samaria, pediu-lhe autorização para construir um templo no Monte Gerazim, perto de Siquém, na Samaria, e constituir nele seu genro, Manassés, como sumo-sacerdote, uma vez que este já havia ocupado o mesmo cargo no Templo de Jerusalém, mas por razões políticas havia sido afastado do mesmo. Alexandre autorizou e recomendou que a construção fosse ultimada com muita urgência.
Este templo viria a ser destruído no ano 128 AC por João Hircano, 200 anos depois de haver sido construído, mas o local continou sendo um ponto de adoração para os samaritanos, conforme se lê no Evangelho de João que nos relata o diálogo entre Jesus e a mulher samaritana (Jo 4:19-21).
Alexandre enviou nesta ocasião uma carta ao sumo sacerdote de Jerusalém, por nome Jaddo, em que lhe pedia três coisas: auxílio, comércio livre com seu exército, e a mesma ajuda que dava a Dario.
Jaddo respondeu a Alexandre que por força de juramento nada poderia fazer contra Dario enquanto este vivesse, pois havia entre eles um pacto.
Alexandre prometeu então punir Jerusalém logo que se desocupasse de Tiro, e de fato, marchou contra a cidade conforme prometera.
Diz Josefo que se preparou assim toda Jerusalém para sua chegada esperando pelo pior, e que por inspiração divina os sacerdotes se vestiram de branco para recebê-lo.
Ao ver então o nome de Deus gravado em ouro na tiara do sumo sacerdote, Alexandre se prostrou em adoração. Indagado por Parmênio, um de seus generais (a quem Alexandre viria a assassinar posteriormente), por qual razão o homem diante de quem todos se prostravam adorava agora um simples sacerdote, Alexandre respondeu:
“Não é a ele, o sumo-sacerdote que adoro, mas é ao Deus de quem ele é ministro, pois quando eu ainda estava na Macedônia e imaginava como poderia conquistar a Ásia, Ele me apareceu em sonhos com estes mesmos hábitos, e me exortou que passasse o estreito do Helesponto e garantiu-me que Ele estaria à frente de meu exército e me faria conquistar o império dos persas. Eis por que jamais tendo visto antes a ninguém revestido de trajes semelhantes aos que Ele me apareceu em sonho, não posso duvidar de que foi por ordem de Deus que empreendi esta guerra e assim venci Dario.”
Alexandre depois de assim ter respondido a Parmênio subiu ao templo e ofereceu sacrifícios a Deus conforme a orientação do sumo-sacerdote, que lhe mostrou na ocasião o Livro de Daniel, onde estava escrito que um príncipe da Grécia destruiria o império dos persas e disse-lhe que não duvidava de quera dele de quem falava a profecia.
O relato de Josefo não encontra paralelo na Bíblia, mas quem pode duvidar que que seja verdadeiro o seu testemunho? A Bíblia revela que Deus chamou homens poderosos como Nabucodonosor e Ciro para cumprir Sua vontade e mesmo não sendo mencionado o fato na Bíblia, muito mais Alexandre que todos os demais prestaram um enorme serviço ao Senhor da história, pois Jesus, na plenitude dos tempos (Gl 4:4), pregará aos judeus o evangelho que se espalhará pelo mundo escrito e falado na língua grega.
Alexandre aproximou o ocidente do oriente originando assim uma cultura helênica de caráter mundial a partir do estímulo ao comércio, tolerância religiosa e casamentos inter culturais.
323 AC (Anno Mundi 3573) – morre Alexandre, o Grande

Alexandre morreu na cidade de Babilônia em 323 AC, tendo seu reino sendo divido entre os chefes de seu exército: Depois muita luta e várias revoltas por todo império, Antígono teve a Ásia; Seleuco, a Babilônia e as nações vizinhas; Cassasndro, a Macedônia, e Ptolomeu, filho de Lago, o Egito.

quarta-feira, 17 de abril de 2013

Os Puritanos: Origem e História


Introdução

O sentido positivo/negativo original do termo “puritano” e o sentido pejorativo atual (rigidez, moralismo, intolerância).

A imagem distorcida dos puritanos na história. H. L. Mencken: “O puritanismo é o temor persistente de que alguém, em algum lugar, possa ser feliz”.

Ênfase principal: preocupação com a pureza e integridade da igreja, do indivíduo e da sociedade.

Movimento muito influente na Inglaterra; principal tradição religiosa na história dos Estados Unidos.

1. Definições

Movimento em prol da reforma completa da Igreja da Inglaterra que teve início no reinado de Elizabete I (1558) e continuou por mais de um século como uma grande força religiosa na Inglaterra e também nos Estados Unidos. “Uma versão militante da fé reformada” (Dewey D. Wallace, Jr.).

Movimento religioso protestante dos séculos 16 e 17 que buscou “purificar” a Igreja da Inglaterra em linhas mais reformadas. O movimento foi calvinista quanto à teologia e presbiteriano ou congregacional quanto ao governo eclesiástico (Donald K. McKim).

Pessoas preocupadas com a reforma mais plena da Igreja da Inglaterra na época de Elizabete e dos Stuarts em virtude de sua experiência religiosa particular e do seu compromisso com a teologia reformada (I. Breward).

2. Antecedentes (raízes)

O puritanismo é uma mentalidade ou atitude religiosa que começou cedo na história da Inglaterra.

Desde o século 14, surgiu uma tradição de profundo apreço pelas Escrituras e questionamento de dogmas e práticas da igreja medieval com base nas mesmas.

Começou com o “pré-reformador” João Wycliffe e os seus seguidores, os lolardos. Publicação da primeira Bíblia Inglesa completa em 1384, na época do “Grande Cisma”.

Wycliffe afirmou a autoridade suprema das Escrituras, definiu a igreja verdadeira como o conjunto dos eleitos, questionou o papado e a transubstanciação.

O protestantismo inglês sofreu a influência de Lutero e especialmente da teologia reformada continental, a Reforma Suíça de Zurique (Zuínglio, Bullinger) e Genebra (Calvino, Beza).

Começou com o trabalho teológico da primeira geração de reformadores ingleses, influenciados pela Reforma Suíça. Ênfases: colocação da verdade antes da tradição e da autoridade; insistência na liberdade de servir a Deus da maneira que se julgava mais acertada (ver Lloyd-Jones, O puritanismo e suas origens).

William Tyndale (†1536) – compromisso com as Escrituras, ênfase na teologia do pacto. Tradutor da Bíblia - NT (1525); cruelmente perseguido; estrangulado e queimado em Antuérpia, na Bélgica.

John Hooper (†1555) – as Escrituras devem regular a estrutura eclesiástica e o comportamento pessoal.

John Knox (†1572) – reforma completa da igreja e do estado.

3. História

(a) Henrique VIII (1509-1547) – criou a Igreja Anglicana, uma igreja nacional inglesa de orientação nitidamente católica. Em 1539, impôs os Seis Artigos, com severas punições para os transgressores (“o açoite sangrento de seis cordas”). Incluíam a transubstanciação, a comunhão em uma só espécie, o celibato clerical, votos de castidade para leigos, missas particulares, confissão auricular, etc.

Duas reações dos protestantes: conformação – por exemplo, o arcebispo Thomas Cranmer a princípio de opôs, mas depois se submeteu e separou-se da esposa; protesto – Miles Coverdale, John Hooper e outros, que tiveram de fugir do país e foram para a Suíça. Sob a influência continental, começaram a se opor ao cerimonialismo religioso.

(b) Eduardo VI (1547-1553) – nessa época, a influência dos partidários de uma reforma profunda da igreja inglesa se tornou mais forte. John Hooper dispôs-se a aceitar um bispado que lhe foi oferecido, mas não a ser investido no ofício do modo prescrito, com o uso das vestes litúrgicas. Acabou sendo lançado na prisão por algum tempo. Foi o primeiro a expor claramente o argumento acerca das vestes. Não eram coisas indiferentes, e sim resquícios do catolicismo. Começa a surgir uma nítida distinção entre anglicanismo e puritanismo.

(c) Maria I (1553-1558) – tentou restaurar a Igreja Católica na Inglaterra e perseguiu os líderes protestantes. Muitos foram executados – Hugh Latimer (†1555), Nicholas Ridley (†1555) e Thomas Cranmer (†1556) – mártires marianos. Outros fugiram para o continente (Genebra, Zurique, Frankfurt), entre eles John Knox e William Whittingham, o principal responsável pela Bíblia de Genebra. Nesse período surgiram em Londres as primeiras igrejas independentes.

(d) Elizabete I (1558-1603) – inicialmente esperançosos, os puritanos se decepcionaram amargamente. A rainha insistiu em controlar a igreja, manteve os bispos e as cerimônias. A mesma divisão anterior se manifestou entre os líderes imbuídos de convicções protestantes – alguns, como Matthew Parker, Richard Cox, Edmund Grindal e John Jewel, protestaram no início, mas acabaram acomodando-se ao status quo. Aceitaram bispados e outras posições eclesiásticas sob o argumento de que, se recusassem esses ofícios, Elizabete nomearia católicos romanos em lugar deles. Outros, como Thomas Sampson, Miles Coverdale, John Foxe e Lawrence Humphrey, desafiaram a rainha.

- Os puritanos surgem com esse nome no contexto da “Controvérsia das Vestimentas” (1563-1567) – protesto contra vestimentas clericais (propunham o uso de togas genebrinas) e cerimônias como ajoelhar-se à Ceia do Senhor, dias santos e sinal da cruz no batismo. Nas décadas seguintes, intensificaram-se as medidas disciplinares da igreja e do estado contra os puritanos estritos (“não-conformistas”). Cristalizou-se o anglicanismo clássico, cujo principal teórico foi Richard Hooker, com sua obra Leis de Política Eclesiástica (1593). Em 1593 foi aprovado o rigoroso “Ato contra os Puritanos”.

(e) Tiago I (1603-1625) – esse rei havia recebido uma educação calvinista na Escócia, o que encheu de esperanças os puritanos. Eles lhe apresentaram a Petição Milenária, que foi totalmente rejeitada na Conferência de Hampton Court (1604). Alguns puritanos se desligaram inteiramente da Igreja da Inglaterra, entre eles um grupo que foi para a Holanda e depois para a América, fundando em 1620 a Colônia de Plymouth, em Massachusetts.

(f) Carlos I (1625-1649) – esse rei manteve a política de repressão contra os puritanos, o que levou um grupo não-separatista a ir para Massachusetts em 1630. No final do seu reinado, entrou em guerra contra os presbiterianos escoceses e contra os puritanos ingleses. Estes eram maioria no Parlamento e convocaram a Assembléia de Westminster (1643-49), que elaborou os famosos e influentes documentos da fé reformada.

Infelizmente, os puritanos não formavam um movimento coeso. Estavam divididos principalmente no que se refere à forma de governo da igreja. Existiam vários grupos: presbiterianos, congregacionais, episcopais, batistas. Alguns eram separatistas e outros não-separatistas, como os “independentes” (congregacionais moderados). A Guerra Civil terminou com a derrota e execução do rei.

(g) Oliver Cromwell – congregacional, líder das forças parlamentares que derrotaram o rei Carlos I. Tornou-se o “Lorde Protetor” da Inglaterra. Durante o Protetorado ou Comunidade Puritana (1649-1658), a Igreja da Inglaterra foi inicialmente presbiteriana e depois congregacional. Todavia, as rivalidades religiosas levaram ao restabelecimento da monarquia – a Restauração.

(h) Carlos II (1660-1685) - expulsou cerca de 2000 ministros puritanos da Igreja da Inglaterra. A Grande Expulsão (1662) marcou o fim do puritanismo anglicano. Embora perseguidos, sobreviveram como dissidentes (“dissenters”) fora da igreja estatal e eventualmente criaram igrejas batistas, congregacionais e presbiterianas.

(i) Tiago II (1685-1689) – tentou restaurar o catolicismo, mas foi derrotado pelo holandês Guilherme de Orange, esposo de sua filha Maria – a Revolução Gloriosa.

(j) Guilherme e Maria (1689-1702) – mediante um decreto, foi concedida tolerância aos “dissenters” (presbiterianos, congregacionais e batistas), cerca de um décimo da população. A essa altura, os melhores dias do puritanismo já haviam ficado para trás.

O puritanismo americano foi muito dinâmico e influente por pouco mais de um século, desde os primórdios na Nova Inglaterra (1620) até o Grande Despertamento (1740). Alguns nomes notáveis dessa tradição foram John Cotton, William Bradford, John Winthrop, John Eliot, Thomas Hooker, Cotton Mather e Jonathan Edwards.

Herdeiros recentes da tradição puritana: Charles H. Spurgeon, D. M. Lloyd-Jones, J. I. Packer, James M. Boice e outros.

4. O Perfil Puritano

4.1. Terminologia

Não-conformistas: esse termo surgiu na história inglesa quando puritanos e separatistas não quiseram aderir à Igreja da Inglaterra (oficial) desde 1660 até o Ato de Tolerância (1689). Não-conformidade é a atitude de não se submeter a uma igreja oficial.

Separatistas: termo aplicado ao puritano inglês Robert Browne (c.1550-1633) e seus seguidores, que se separaram da Igreja da Inglaterra. Mais tarde foi aplicado aos congregacionais ingleses e outros grupos que formaram suas próprias igrejas.

Não-separatistas: os puritanos anglicanos, aqueles que não queriam separar-se da igreja oficial, mas procuravam reformá-la. Os fundadores de Salem e Boston (1629-1630) estavam nessa categoria.

Independentes: nos séculos 17 e 18, os adeptos da forma de governo congregacional, em contraste com o governo episcopal da igreja estatal inglesa.

Dissidentes (“dissenters”): aqueles que se retiraram da igreja nacional da Inglaterra (anglicana) por motivos de consciência. O termo inclui congregacionais, presbiterianos e batistas.

4.2. Características gerais

Os “não-conformistas”, como também eram chamados, em geral eram ministros com educação universitária, oriundos principalmente de Cambridge, embora também houvesse leigos ardorosos entre eles.

Entendiam que a Igreja Inglesa devia adotar como modelo as igrejas reformadas do continente.

O puritanismo influenciou a tradição reformada no culto, governo eclesiástico, teologia, ética e espiritualidade. Quatro convicções básicas: (1) a salvação pessoal vem inteiramente de Deus; (2) a Bíblia constitui o guia indispensável para a vida; (3) a igreja deve refletir o ensino expresso das Escrituras; (4) a sociedade é um todo unificado.

O sentido original do termo “puritano” apontava para a purificação da igreja, na medida que os puritanos queriam descartar os elementos arquitetônicos, litúrgicos e cerimoniais que consideravam conflitantes com a simplicidade bíblica. Por exemplo, eles objetavam contra o sinal da cruz no batismo e a genuflexão para receber a Santa Ceia.

Ao invés de paramentos elaborados (sobrepeliz), eles preferiam uma toga preta que simbolizava o caráter do ministro como um expositor culto da Bíblia.

Queriam que cada paróquia tivesse um ministro residente capaz de pregar. Para alcançar esse objetivo, promoviam reuniões de ministros para ouvir sermões e receber orientação pastoral (suprimidas por Elizabete).

Sofrendo oposição dos bispos e estando comprometidos com uma eclesiologia que dava ênfase à igreja como uma comunidade pactuada, muitos puritanos rejeitaram o episcopado.

Thomas Cartwright promoveu o presbiterianismo (1570). Robert Browne, mais radical, advogou um sistema congregacional e defendeu a imediata separação da “corrupta” Igreja da Inglaterra (1582). Alguns de seus seguidores “separatistas” foram para a Holanda.

Congregacionais mais moderados, conhecidos como “independentes”, não chegaram a defender a separação. Eles influenciaram os puritanos da Baía de Massachusetts e se tornaram a corrente principal do congregacionalismo inglês.

Outros puritanos, como Richard Baxter (†1691), queriam um “episcopado atenuado” que associava características presbiterianas e episcopais.

Os puritanos não estavam interessados somente na purificação do culto e do governo eclesiástico. Todo o corpo político também precisava de purificação. Apoiando-se em Martin Bucer e João Calvino, eles insistiram na criação de uma sociedade cristã disciplinada. Achavam que uma nação inteira podia fazer uma aliança com Deus para a realização desse ideal. Esperanças milenaristas e o exemplo do Israel bíblico os impeliram nessa direção.

4.3. Experiência religiosa

A Bíblia, interpretada no espírito dos teólogos reformados continentais, era considerada a única fonte legítima para a doutrina, liturgia, governo eclesiástico e espiritualidade pessoal. Incentivavam a leitura doméstica da Bíblia de Genebra (1560), uma edição comentada. Além da pregação expositiva regular aos domingos, havia a instrução dos membros em seus lares durante a semana. Deram grande ênfase à preparação de ministros pregadores (ex: Emmanuel College, em Cambridge).

Os pregadores-teólogos puritanos escreveram com detalhes sobre a maneira pela qual a graça de Deus poderia ser identificada na experiência humana, indo além de religiosidade formal e expressando-se numa transformação interior da morte no pecado para a vida em Cristo, com base na fé. Os diários e autobiografias dos puritanos revelam quão intensa essa luta podia ser e como se tornaram pessoais os grandes temas da teologia reformada.
· Sem negligenciar a obra e o ser de Deus ou os grandes temas da eleição, vocação, justificação, adoção, santificação e glorificação, a ênfase dos teólogos puritanos na experiência religiosa e na piedade prática deu aos seus escritos um teor incomum entre os teólogos reformados de outras partes da Europa. Um bom exemplo disso éO Peregrino (1676), de John Bunyan.

A ênfase prática da teologia puritana levou-a a dar grande atenção à ética pessoal e social em casos de consciência, discussões sobre vocação e o relacionamento entre a família, a igreja e a comunidade no propósito redentor de Deus.

A reforma do culto e da prática religiosa popular, ouvindo e obedecendo a palavra de Deus, bem como a santificação do tempo convergiram no desenvolvimento do sabatarianismo, um dos legados mais duradouros da teologia puritana aplicada.

4.4. Teologia

Segundo William Ames, a teologia “é para nós a suprema e a mais nobre das disciplinas exatas. É um guia e plano-mestre para o nosso fim mais elevado, enviado por Deus de maneira especial, tratando das coisas divinas... Não existe preceito de verdade universal relevante para se viver bem em economia doméstica, moralidade, vida política e legislação que não pertença legitimamente à teologia” (A medula da teologia, 1623).

Os puritanos eram estritos defensores da teologia reformada, que inicialmente tinham em comum com a Igreja da Inglaterra (os Trinta e Nove Artigos ensinavam a doutrina reformada da Ceia do Senhor e afirmavam a predestinação). Depois que muitos anglicanos adotaram uma posição mais arminiana (1620s), os puritanos defenderam vigorosamente o calvinismo devido à sua afirmação intransigente da graça imerecida de Deus.

Alguns puritanos, como William Perkins, William Ames e John Owen, deram importante contribuição para o desenvolvimento da ortodoxia reformada.

Uma contribuição puritana mais específica foi a articulação do aspecto prático e afetivo da religiosidade. Richard Rogers, John Dod e Richard Sibbes foram fontes de um movimento devocional puritano que floresceu especialmente após a Restauração (1660) com grandes autores como Richard Baxter, Joseph Alleine e John Flavel.

Os puritanos escreveram uma enorme literatura sobre a vida espiritual, incluindo sermões, meditações, exposições bíblicas práticas, aforismos de orientação espiritual, biografias e autobiografias.

Essa literatura dava ênfase a temas como a experiência pessoal de conversão, a regeneração pelo Espírito Santo, a união mística da alma com Cristo, a busca de certeza da salvação e o crescimento em santidade de vida.

A maior expressão dessa “teologia afetiva” foi a alegoria de John Bunyan (†1688), O Peregrino, que retratou a vida cristã como peregrinação e luta espiritual.

A maioria dos puritanos estavam firmemente comprometidos com uma igreja nacional, dando forte ênfase à pureza do culto e do governo bíblicos como parte de uma reforma contínua. Uma pequena minoria não via esperança de reforma sem separação da igreja oficial e a criação de uma igreja de santos em relação pactual.

“A fidelidade da teologia puritana à revelação bíblica, sua abrangência, sua integração com outros tipos de conhecimento, sua profundidade pastoral e espiritual, seu êxito em criar uma tradição duradoura de culto, pregação e espiritualidade fazem dela uma tradição de permanente importância no cristianismo de língua inglesa e na tradição reformada mais ampla” (I. Breward).

4.5. Contribuições dos puritanos

Ver Leland Ryken, Santos no Mundo: - Vida teocêntrica - Toda a vida pertence a Deus
- Vendo Deus nos lugares comuns
- A importância da vida
- Vivendo num espírito de expectativa
- O impulso prático do puritanismo
- A vida cristã equilibrada
- A simplicidade que dignifica

4.6. Puritanos notáveis

William Perkins 
(1558-1602) – sua teologia foi o primeiro grande exemplo de uma síntese da teologia reformada aplicada à transformação da sociedade, igreja e indivíduos da Inglaterra elizabetana. Em sua obra mais famosa, Armilla Aurea (A corrente de ouro – 1590), ele expôs a tradição reformada em torno do tema da teologia como “a arte de viver bem”. Deu ênfase à majestade da ordem de Deus e sua implicações sociais e pessoais. Foi o primeiro teólogo elizabetano com uma reputação internacional. Também destacou-se extraordinariamente como pregador.


William Ames (1576-1633) – discípulo mais destacado de Perkins e prolífico escritor. Sua críticas contra a Igreja da Inglaterra causaram o seu exílio na Holanda (onde foi professor) e a proibição dos seus livros na Inglaterra. Suas obras mais famosas são:A Medula da Teologia (1623) e Casos de Consciência (1630). Morreu poucos antes de uma planejada mudança para Massachusetts, onde sua influência, bem como na Holanda, persistiu até o século 18. Sua teologia prática acentuou como cada aspecto da vida devia ser dedicado à glória de Deus.


Richard Sibbes (1577-1635) – foi estudante e professor em Cambridge. Exemplificou a síntese entre profundidade bíblica e sensibilidade pastoral que caracterizou a teologia puritana no que tinha de melhor. Seus escritos são práticos antes que sistemáticos e mostram claramente porque as ênfases puritanas foram assimiladas tão plenamente pelos leigos. Escritos seus como A Porção do Cristão A Exaltação de Cristo Comprada por sua Humilhação revelam não só uma rica soteriologia, mas profundas percepções sobre a criação e a encarnação.


Thomas Goodwin (1600-1680) – foi influenciado por Sibbes e outros. Estava destinado a uma promissora carreira eclesiástica, mas abriu mão da mesma ao ser convencido por John Cotton (1584-1652) da legitimidade da independência. Depois de algum tempo na Holanda, desempenhou um papel importante na Assembléia de Westminster. Teve atuação destacada no regime de Cromwell e foi presidente do Magdalen College, em Oxford. Buscou unir independentes e presbiterianos em Cristo, o Pacificador Universal (1651). Seu profundo encontro pessoal com Cristo permeou todos os seus escritos.


Richard Baxter (1615-1691) – foi ordenado em 1638 e dois anos depois rejeitou o episcopalismo. De 1641 a 1660 foi ministro de uma paróquia em Kidderminster. Após a guerra civil, apoiou a Restauração e tornou-se capelão de Carlos II. Excluído da Igreja da Inglaterra após o Ato de Uniformidade (1662), continuou a pregar e foi encarcerado em 1685 e 1686. Tomou parte na deposição de Tiago II e deu as boas-vindas ao Ato de Tolerância de Guilherme e Maria. Suas obras incluem O Repouso Eterno dos Santos (1650) e O Pastor Reformado (1656).


John Owen (1616-1683) – ao lado de Baxter, o grande pensador sistemático da tradição teológica puritana. Educado em Oxford, enfrentou uma longa luta espiritual em busca da certeza de salvação, que terminou por volta de 1642. Dedicou seus formidáveis dotes intelectuais à causa parlamentar. Inicialmente presbiteriano, converteu-se à posição independente através da leitura de John Cotton. Fez uma vigorosa exposição do calvinismo clássico em Uma Exibição do Arminianismo (1643). Em A Morte da Morte na Morte de Cristo (1647) fez uma brilhante apresentação da doutrina da expiação limitada. Até o fim da vida trabalhou por uma igreja nacional mais abrangente e pela reconciliação dos dissidentes rivais.


John Bunyan (1628-1688) – após lutar na guerra civil, em 1653 filiou-se a uma igreja independente em Bedford. Um ou dois anos depois, começou a pregar com boa aceitação. Foi aprisionado de modo intermitente entre 1660 e 1672, o que lhe permitiu escrever sua obra-prima, O Progresso do Peregrino (1678), e outros escritos. Após 1672, dedicou-se à pregação e ao evangelismo em sua região. Outras obras famosas de sua lavra são A Guerra Santa (1682) e Graça Abundante para o Principal dos Pecadores (1666).

Fonte: Alderi Souza de Matos - mackenzie

Nínive: Orgulhosa capital Assíria


Como capital do vasto e impiedoso Império Assírio, Nínive era odiada pelos povos subjugados. Estes ansiavam o dia em que o poder de Nínive fosse despedaçado, para nunca mais impor seu jugo opressivo aos outros.
Atualmente, duas elevações, Quyunjiq e Nebi Yunus, na margem oriental do rio Tigre, assinalam o lugar do que antigamente era a poderosa Nínive. Nebi Yunus é ocupada por uma aldeia moderna, a qual se ergue como que no alto do túmulo da antiga Nínive. Na elevação maior, Quyunjiq há algumas faixas de terreno cultivado e um pouco de pasto, no qual se podem ver rebanhos pastando na primavera. Cumpriram-se as palavras do profeta hebreu Sofonias, a respeito de Nínive: “No meio dela estarão deitadas as greis. . . . Esta é a cidade rejubilante que estava sentada em segurança, que dizia no seu coração: ‘Sou eu, e não há mais ninguém.’ Oh! como ela se tornou um assombro.” — Sof. 2:14, 15.
Pouco imaginavam monarcas assírios, poderosos, tais como Senaqueribe, Esar-Hadom e Assurbanipal, que a poderosa Nínive ficaria reduzida a nada. Quando consideramos o que as escavações arqueológicas trouxeram à luz sobre aquela cidade, nós também ficamos espantados de que Nínive não exista mais.
No seu apogeu, Nínive era imponente e impressionante. Sua muralha maciça de doze quilômetros de extensão atingiu uma altura de possivelmente uns trinta metros. Em certos lugares, a muralha tinha até 45 metros de espessura. Quinze portões grandes davam acesso à cidade. Uma cidade com tais enormes fortificações não seria fácil de capturar.
Durante o reinado de Senaqueribe, o palácio deste deve ter sido um dos edifícios mais suntuosos em Nínive. Tendo o tamanho de 180 por 190 metros, este palácio continha pelo menos oitenta salas ou quartos. Muitas destas salas estavam suntuosamente decoradas com cenas de batalhas, sítios, vitórias, caçadas e cerimônias religiosas. Essas representações foram esculpidas em alabastro e depois pintadas com cores vivas. Debaixo de cada cena havia uma inscrição sobre o acontecimento retratado. Os caracteres entalhados foram realçados com cobre.

Os relevos mostram que Nínive era, como disse o profeta hebreu Naum, uma “cidade de derramamento de sangue”. (Naum 3:1) Ilustravam o tratamento cruel que os assírios dispensavam aos cativos de guerra. Muitos dos cativos eram levados presos por cordas com ganchos, que furavam o nariz ou os lábios deles. Muitos foram cegados ou se lhes cortaram o nariz, as orelhas e os dedos. Alguns foram queimados ou esfolados vivos. Outros foram empalados em estacas pontiagudas.
Os monarcas assírios gabavam-se descaradamente de guerras e torturas sádicas. Senaqueribe disse a respeito de sua campanha contra a cidade filistéia de Ecrom: “Ataquei Ecrom, e matei os oficiais e os patrícios que haviam cometido o crime [de entregar seu Rei Padi, vassalo de Senaqueribe, ao rei judeu Ezequias] e pendurei seus cadáveres em postes em volta da cidade.” Esar-Hadom, após derrotar os dois reis aliados Sanduarri e Abdimilkutte, gabou-se: “Pendurei as cabeças de Sanduarri e de Abdimilkutte ao pescoço de seus nobres/oficiais principais, para demonstrar à população o poder de Assur, meu senhor, e os fiz desfilar (assim) pela ampla rua principal de Nínive.” Sobre o que as suas forças fizeram durante a campanha contra o Egito, Assurbanipal declarou: “Não pouparam a ninguém entre (eles). Penduraram seus cadáveres em estacas, esfolaram-lhes a pele e cobriram (com eles) a muralha da(s) cidade(s)”.


Outro relevo mostra que, mesmo quando o rei assírio se entregava à comida e à bebida, recostando-se confortavelmente num leito, no meio de árvores e videiras no seu lindo jardim, não necessariamente se esquecia da guerra. Não muito longe do leito do rei podia haver uma mesa sobre a qual estavam seu arco, sua espada e sua aljava. E podia haver um troféu horrendo, talvez a cabeça dum rei derrotado, pendurada numa árvore vizinha.


A maneira cruel em que os assírios lidavam com os que ofereciam ferrenha resistência, sem dúvida, destinava-se a amedrontar os outros. Não querendo tornar-se vítimas da crueldade assíria, muitas cidades simplesmente capitulavam. Assim, sem um prolongado sítio, os assírios alcançavam seu objetivo — um grande tributo dos que voluntariamente se submetiam ao jugo deles.

Outras nações foram atraídas a fazer aliança com a Assíria, esperando assim manter certa independência. E evidentemente por isso que o profeta Naum disse que Nínive ‘enlaçava nações com as suas prostituições’. — Naum 3:4.
Isto pode ser entendido melhor com o fundo histórico do que a Bíblia diz a respeito das ações duma prostituta. O livro de Provérbios descreve o encontro dum jovem com uma prostituta, como segue:
“A mulher vem-lhe no encontro, vestida como meretriz, envolvida num véu. Ela é espalhafatosa e atrevida; seus pés não conseguem sossegar em casa. Uma vez na rua, outra vez na praça, ela está à espreita em cada esquina. Ela agarra-o, beija-o; a criatura descarada lhe diz: ‘Tive de oferecer sacrifícios: desincumbi-me hoje dos meus votos, por isso é que vim ao teu encontro, para procurar-te, e agora te achei. Alegrei minha cama com colchas, estendi os melhores lençóis egípcios, aspergi minha cama com mirra, com aloés e com canela. Vem, bebamos fundo do amor até a manhã, e entreguemo-nos ao deleite. . . . Com sua persuasão persistente ela o engoda, ela o induz com a sua conversa sedutora. Apalermado, ele a segue como o boi que é levado para a matança.”

Nínive, igual a essa prostituta, enganou nações com promessas vãs de ajuda e benefícios. Suas ofertas de amizade eram atraentes, mas traiçoeiras. Os que se envolveram com ela perderam sua liberdade e entraram em escravidão. Isto foi bem ilustrado no caso do Rei Acaz, da Judéia. Ele pagou ao rei assírio Tiglate Pileser (Teglatfalasar) III, a fim de vir em seu auxílio para anular a conspiração da Síria e de Israel, de depô-lo. (2 Reis 16:5-9) Embora Tiglate-Pileser destruísse o poder da Síria e de Israel, qualquer alívio que isso trouxe a Acaz foi apenas temporário. A Bíblia relata a respeito do resultado final para Acaz: “Teglatfalasar, em vez de lhe dar o seu apoio, marchou contra ele e oprimiu-o. Em vão Acaz despojara o templo do Senhor, o palácio real e os príncipes para enviar presentes ao rei da Assíria. Tudo isso de nada lhe valeu.” (2 Paralipômenos [2 Crô.] 28:20, 21, Missionários Capuchinhos) De modo que, em vez de obter alívio real, Acaz só levou a si mesmo e o seu povo sob o jugo opressivo dos assírios.

Calculados à base da cronologia da Bíblia, o “derramamento de sangue” e a “prostituição” de Nínive chegaram ao fim em 632 A. E. C. Naquele tempo, a cidade caiu nas mãos das forças conjugadas de Nabopolassar, rei de Babilônia, e Ciaxares, o Medo. Conforme indicam os danos causados pelo fogo e pela fumaça nos relevos encontrados em Nínive, os conquistadores devem ter incendiado a cidade. A Crônica Babilônica diz a respeito de Nínive: “Levaram o grande despojo da cidade e do templo e [transformaram] a cidade num monte de ruínas”.


A destruição de Nínive vindicou a profética “palavra de Deus” de modo poderoso. Esta destruição demonstrou também a verdade de que a desconsideração dos modos de Deus, inclusive o empenho no militarismo sanguinário e em alianças enganosas, não pode ser indefinidamente bem sucedida. Devemos dar séria consideração a isso. Certamente, não queremos ficar desapontados por apoiarmos meios e sistemas desaprovados por Deus ou nos aliarmos com eles. Por isso, devemos certificar-nos do que a Palavra de Deus, a Bíblia, ensina e pôr nossa plena confiança no Seu prometido governo do Reino de Deus.

quinta-feira, 11 de abril de 2013

História do Cristianismo: Século II


105 - nasce Justino Mártir. Morre em 165.

107 3ª perseguição dos cristãos, sob Trajano (98-117). Inácio de Antioquia martirizado em Roma. De acordo com Severo, depois que Trajano descobriu que os cristãos eram inocentes, ele proibiu as crueldades contra eles.
Inácio acentuou o papel do bispo local como o enfoque de unidade. Ele afirmou que o bispo era o representante de Deus na Terra. Na época de Inácio, as igrejas da Ásia Menor eram governadas por bispos monárquicos, ajudados por presbíteros e diáconos. Em uma carta para os Efésios, Inácio escreveu, “Seja sujeito ao bispo e ao presbitério…pois mesmo Jesus Cristo, nossa Vida inseparável, é a vontade manifesta do Pai; como também os bispos, até aos confins da Terra, são assim pela vontade de Jesus Cristo”. Inácio é o primeiro escritor conhecido a aplicar o nome de católica à Igreja: “onde estiver o bispo, estejam também as pessoas: onde estiver Jesus Cristo, aí estará a Igreja católica”.(aos Esmirnenses)
De várias cartas (escritas por volta de 107):

Sobre a divindade de Cristo:  ” …sendo unidos e escolhidos por Sua verdadeira paixão, de acordo com a vontade do Pai e Jesus Cristo nosso Deus.”   (Efésios)
“Há um corpo, carnal e espiritual, feito e não feito; Deus encarnado; verdadeira vida em morte; de Maria e de Deus; primeiro passível, então impassível; Jeus Cristo nosso Senhor”.  ( Efésios)
“O próprio Deus apareceu na forma de um homem, para a renovação da vida eterna.”   (Efésios)
Sobre a identidade do Filho e o Logos:  “Deus se manifestou por Jesus Cristo, Seu Filho, que é Sua Palavra eterna.”  (Magnésios)
Sobre a Trindade “Sejam sujeitos a seu bispo como Jesus Cristo ao Pai, segundo a carne,: [como] os apóstolos [eram sujeitos] a Cristo, o Pai e o Espírito Santo”. (Magnésios)
Sobre o batismo:  “Pois nosso Deus Jesus Cristo… nascido e batizado, por Sua paixão purificou a água, para o purificação dos pecados.”  (Efésios)

Eucaristia:  “… obedecendo seu bispo e o presbitério de todo coração; partindo o mesmo pão que é o bálsamo da imortalidade; nosso antídoto contra a morte, mas que nos faz viver para sempre em Cristo Jesus… “  (Efésios)
“Desejo o pão de Deus que é a carne de Jesus Cristo (da semente de Davi), e a bebida que desejo é o Seu sangue, que é o amor incorruptível. “  (Aos Romanos)
“Pois há somente uma carne de nosso Senhor Jesus Cristo; e um cálice na unidade de seu sangue; um altar…”  (aos Filadelfos)
Domingo:  “Pois se nós ainda continuamos vivendo de acordo com a lei judaica, devemos admitir que não tivemos obtido a graça…não mais guardamos o sábado, mas o dia do Senhor, no qual nossa vida se renonvou por Ele…”  (aos Magnésios)
Inácio foi martirizado sob a perseguição de Trajano em 107.  Ele advertiu os cristãos influentes em Roma a não tentarem obter sua liberdade da prisão. Isto o privaria do sofrimento na união com o Senhor.
Em sua História Eclesiástica (livro VI, capítulo 8), Sócrates disse que Inácio introduziu cânticos na igreja em Antioquia depois de ter visto uma visão de anjos “cantando hinos para a Santíssima Trindade”.
Nós sabemos, pelo Martírio de Inácio, do segundo século, que as relíquias de Inácio foram reverenciadas já naquela época. Nele, lemos: “só ficaram as partes mais duras de seus santos restos, que foram levadas para Antioquia e embrulhadas em linho, como um tesouro inestimável deixado à santa Igreja pela graça que obteve no martírio”.
Hegesipo (veja ano 170) disse que Simeão, filho de Cleófas, quanto teve 120 anos de idade, sofreu o martírio sob Trajano. Simeão, disse, era um filho do tio do Senhor, e tinha sido bispo depois de Tiago, o Justo.
Hegesipo também registrou que nesta época os hereges tentaram corromper a Igreja, quando o último dos apóstolos morreu. Ele também listou muitos deste grupos: simonianos, cleobianos, doricianos, gorteanos, masboateianos, menandristas, marcianitas, carprocacianos, valentinianos, basilidianios e saturnalianos – que foram atacados pelos apologistas Irineu e Hipólito.

110 - nasce Marcião, líder de uma seita herética. Morreu em 165.  Marcião rejeitou o Deus do Velho Testamento, o criador deste mundo, e conseqüentemente rejeitou o Velho Testamento também.  Ele acreditou que era impossível que Jesus, o redentor do gênero humano, tivesse nascido de uma mulher.
Papias, bispo de Hierápolis na Frígia, viveu nesta era.  Ele é a fonte da tradição que o evangelho de Marcos era baseado no testemunho de Pedro. Papias foi um quiliasta. Eusébio de Cesaréia era da opinião que Papias aprendeu o mileniarismo de um certo João, o presbítero. Segundo esta idéia, outros (até Irineu, v. ano 177) interpretaram mal Papias – dizendo que ele obteve esta opinião do apóstolo João, pensando que haveria um  milênio literal.

112 – Plínio, o Jovem (61/62 – 113), governador da Bitínia, escreveu uma carta ao imperador Trajano. Ele declarou que os cristãos “estão acostumados a se encontrarem em um dia antes da luz do dia, cantar hinos  para Cristo como para Deus, e se ligarem por um sacramento de não cometerem maldade”.

115 – Trajano sobrevive de um terremoto que devastou a Antioquia.

116 – Adriano expulsa os judeus de Chipre depois de suprimir sua revolta na qual muitos habitantes gregos da ilha (240.000) foram massacrados.

118 4ª perseguição dos cristãos, sob Adriano (117-138). De acordo com Severo, Adriano montou  “imagens de demônios” no monte de templo e do Gólgota.  Adriano também colocou guardas para impedir os judeus de se aproximarem de Jerusalém.

122-7 – construção da muralha de Adriano.

124 – a anônima Epístola para Diogneto, uma apologia do cristianismo escrito a um pagão, “meu senhor Diogneto”.  O autor explica que a Palavra não é “algum servo de Deus”, ou “algum anjo ou príncipe”. De fato, a Palavra era Deus:  “como Deus ele foi enviado, como homem para homens” que foi o “artífice e construtor” da Criação. O autor às vezes contrasta a “chama passageira” do martírio que os cristãos experimentam com o  eterno tormento daqueles que não podem ver por causa da “maldade e erro deste mundo”.

125 – o papiro 52 foi escrito neste ano. É o fragmento mais antigo do Novo Testamento existente. Contêm partes de Jo. 18:31-33 e 37-38.

126 – Quadrato escreve uma apologia da fé cristã dirigida a Adriano (como Aristides fez na mesma época). Nesta obra, Quadrato menciona que alguns daqueles que foram curados por Jesus ainda estavam vivendo.

127-42 Ptolomeu, astrônomo, geógrafo, e matemático de em Alexandria.  Seu modelo geocêntrico ficou muito conhecido até 1542, quando Copérnico admitiu o sistema heliocêntrico. A circurferência da Terra por Ptolomeu era 30% menor que o valor atual.

130 (132?) – O imperador Adriano reconstrói Jerusalém, chamando-a de Aelia Capitolina (depois Aelius Adriano). Ali, ele ergueu um templo para Júpiter. Ele também taxou um imposto aos judeus para pagar a manutenção do templo Júpiter Capitolino.

130 – um certo Áquila produziu uma nova tradução grega, muito literal doVelho Testamento. Áquila foi discípulo do rabino Akiba e um prosélito do judaísmo.  O propósito de sua tradução era suplantar a Septuaginta.  (Incidentemente, o rabino Akiba apoiou Bar-Kocheba, crendo que ele cumpriu as profecias messiânicas.)

130 - a Epístola de Barnabé foi escrita entre a queda de Jerusalém (70) e esta data.  Só se conhece uma versão latina da história e o texto grego completo foi descoberto em 1859 com a descoberta do Códice Sinaiticus.  A epístola explica eventos e práticas do Velho Testamento de uma maneira alegórica e os aplica para Cristo e a Igreja.  Barnabé identifica aquele que se encarnou para nossa salvação com o que Deus disse: “façamos o homem a nossa imagem”.

135 – outra rebelião judaica começou, esta aqui conduzida por Bar-Kocheba. De acordo com Justino, “Nesta guerra judaica, Bar-Kocheba… ordenou que só os cristãos deveriam ser sujeitados a tormentos terríveis, a menos que renunciassem e blasfemassem Jesus Cristo.”

136 – segunda conquista e destruição de Jerusalém pelos romanos.  Mais de 500.000 mortos à espada.  O imperador Adriano proibiu os judeus de voltarem à Jerusalém, e eles se dispersaram pela Terra.
Neste ano o filósofo alexandrino Valentino, um cristão batizado, mas pensador agnóstico, vai a Roma.  Ele deixou a comunidade cristã em 140, quando outro foi escolhido bispo de Roma. Deixando Roma em 160, Valentino continuou praticando sua filosofia religiosa, escrevendo O Evangelho da Verdade.  Suas idéias, como outras idéias gnósticas, afirmavam um dualismo fundamental entre o bem e mal e a salvação pela gnose.  Ele foi refutado por Irineu e Hipólito.
Basilides foi outro filósofo agnóstico de Alexandria. A escola que ele fundou, conhecida como os basilidianos, ainda existia na Alexandria no séc. IV. Os basilidianos são talvez os primeiros a celebrar o batismo de Jesus em 6 de janeiro (ou 10 de janeiro), praticando uma vigília noturna. Basilides usava o termo “Abraxas” (que pensava ter um  significado mágico) para Deus.
Outro grupo gnóstico viu o Simão Mago (At. 8.9-24) como o verdadeiro Deus ou Pai.  Deus tinha gerado o primeiro pensamento (Ennoia) para criar os anjos que, por sua vez, criaram o Universo. Por ciúme, os anjos prenderam Ennoia em carne humana, e ela foi condenada a transmigrar a de um corpo a outro. Para livrá-la, Deus entrou na Criação na forma de Simão, e ele deu a salvação à humanidade em troca de reconhecê-lo ser deus.
mitraísmo ficou bem popular no Império Romano, particularmente entre os soldados. Em 307, Diocleciano dedicou um templo a Mitra em Carnuntum, no Danúbio. Mitra era um deus do Sol, e sua fé dele enfatizava a lealdade ao Imperador. Depois que os imperadores se tornaram cristãos, o mistraísmo decaiu. Mitra tinha sido o maior deus persa antes do zoroastrismo. Os santuários dele eram em cavernas. Só homens assistiam as cerimônias desta fé, e não havia, aparentemente, nenhuma hierarquia religiosa.

140Justino Mártir escreveu sua Apologia ao Imperador Antonius Pius (138-61). Ele deu uma descrição do culto de domingo:
“No dia chamado Festa do Sol, todos os que vivem nas cidades ou no país se ajuntam em um lugar, e são lidas as memórias dos Apóstolos ou as escritas dos Profetas conforme o tempo. Então, quando o leitor termina, o Presidente instrui e encoraja que as pessoas pratiquem as verdades contidas nas lições das Escrituras. Depois, todos nós nos levantamos e fazemos orações…”
   “Depois que as orações terminam, nós nos saudamos um ao outro com um beijo. Depois, trazem pão e um cálice de vinho misturado com água ao celebrante. Ele os toma e oferece louvor e glória ao Pai de todos pelo Nome do Filho e o Espírito Santo, dando graças por termos sido merecedores de receber estes dons de Deus; e quando ele termina as orações e as ações de graças todos os presentes dizem alto: Amém.  Amém na língua dos hebreus significa: assim seja.”
“Depois que o celebrante dá graças e todas as pessoas dizem Amém, aqueles entre nós chamados diáconos dão a todos os presentes o pão e o vinho misturado com água, sobre os quais os presentes dão graças e também os levam para aqueles que estão ausentes. E esta refeição é chamada de Eucaristia por nós, da qual não pode participar quem não crê no que dissemos ou não é lavado pela água do perdão dos pecados, tendo suas vidas dirigidas por Cristo.”

Justino rejeitou a mitologia pagã, mas respeitou a filosofia grega. Ele acreditava no livre-arbítrio, sendo crítico da doutrina gnóstica que a predestinação era independente da moralidade. Ele também acreditou que a realização das profecias do Antigo Testamento
eram uma forte prova que Jesus era o Messias, rejeitando a negativa idéia que Marcião tinha das Escrituras judaicas. Justino acreditava em um reino literal de mil anos de Cristo na Terra e aceitava o canonicidade e interpretação literal do Apocalipse.
Justino viu o batismo como um banho de arrependimento e conhecimento de Deus pelo qual o Espírito é dado, uma substituição para a circuncisão, e a entrada para a remissão dos pecados. A Eucaristia é o novo sacrifício predito por Malaquias.  Ele interpretou as palavras “façam” como “ofereçam”. Ele ligou a Eucaristia com a paixão de Cristo e acreditava na Real Presença: “Nós não recebemos estes alimentos como pão ou vinho comum. Mas como nosso Salvador Jesus Cristo foi feito carne pela Palavra de Deus e foi feito carne e sangue para nossa salvação, também aprendemos que a comida que foi eucaristizada por Sua oração (aquela comida que por processo de assimilação nutre nossa carne e sangue) é a carne e sangue do Jesus encarnado.”
Justino considerou a Septuaginta como o único texto fidedigno do Velho Testamento.  Ele viu Maria como a antítese de Eva. Nossa queda veio por uma virgem desobediente, mas nossa salvação por uma obediente.

140 – Aristo de Pella escreveu sua Disputação de Papisco e Jasão, um diálogo entre um judeu e um cristão sobre a verdade da fé. Esta obra só nos é conhecida hoje por referências a ela.

155 – Policarpo, bispo de Esmirna, visita Roma e vê que os romanos não celebravam a Páscoa como no oriente (veja ano 190). Isto foi quando Aniceto era o bispo de Roma.

157 – Policarpo queimado na estaca em Esmirna. Um ano depois, o aniversário do martírio de Policarpo era celebrado. Assim começou o primeiro “dia de santo”.


157 – Montano, líder de uma seita herética, nasce.  Ele era um frígio. Junto com duas mulheres, Prisca e Maximilla, entrou em estados extáticos e falava como que movido pelo Espírito Santo. Eles eram quiliastas e acreditavam que a Nova Jerusalém aterrissaria na
Frígia. Eles ensinaram que discordar de suas falas era uma blasfêmia contra o Espírito.


160 – por este ano, o sepulcro de Pedro estava marcado por um santuário.
A celebração anual da Páscoa pode ter começado em Roma neste ano (veja 190). Na Ásia já tinha sido celebrada muito antes.
Tertuliano nasce. Morre em 230.
Cláudio Apolinário, bispo de  de Hierápolis (160-180). Apolinário relata que um exército do Imperador Antoninus (Marco Aurélio) (161-180) foi atacado por uma forte tempestade pelas orações dos cristãos. Apolinário disse que o Senhor foi crucificado na Páscoa, em 14 de Nisã, não num dia depois. A Última Ceia, ele disse, aconteceu antes da Páscoa, como menciona João (Jo. 13.1).
Durante o reinado de Marco Aurélio, um certo Alexandre Paflagoniano fez um misterioso espetáculo envolvendo uma serpente sagrada chamada Glycon.

165 morte de Justino Mártir.
Taciano. Pouco antes da morte de Justino, um nativo da Mesopotâmia (chamado de assírio), Taciano, converteu-se ao Cristianismo depois de estudar filosofia. Sua conversão pode ter acontecido em Roma onde ele conheceu Justino. Taciano fez uma obra chamada Harmonia dos Evangelhos, conhecida como Diatessaron e uma Apologia aos Gregos.  Depois da morte de Justino, Taciano se simpatizou com uma seita gnóstica ascética conhecida como Encratitas, ou os “auto-controlados”, que tinha surgido no ano 166.  Taciano mudou-se para Antioquia e atraiu discípulos para esta heresia até a morte em 172.

167 - de acordo com o Venerável Beda, o bispo de Roma, Eleutério, recebeu um pedido de batismo de um rei britânico neste ano.

168 – Teófilo (morreu em 181 ou 188) se tornou bispo de Antioquia. Realizou várias obras de comentários nos evangelhos e no livro de Provérbios, mas sua única obra sobrevivente é apologética, dirigido ao amigo pagão
Autólico.

170 – Melito de Sardes (morreu em 177, sob a perseguição de Aurélio) viajou a Palestina onde obteve uma lista de livros do velho Testamento hebraico com exceção de Ester.
Melito acreditava na divindade de Cristo. Ele escreveu, “…nosso Senhor Jesus Cristo… é razão perfeita, a Palavra de Deus; Ele que foi procriado antes da Luz; Ele é o criador junto com o Pai; Ele é o Criador do homem; Ele é tudo em todos; …no Pai, o Filho; em Deus, Deus”.
  “Não há necessidade, para pessoas inteligentes, tentar provar, das ações de Cristo subseqüente ao batismo, que Sua alma e corpo, Sua natureza humana como a nossa, eram reais, e nenhum fantasma da imaginação. Pois as ações feitas por Cristo depois do batismo, e especialmente os milagres, deram indicação e garantia para o mundo de Sua divindade oculta na carne. Pois sendo perfeito Deus e perfeito homem, deu-nos mostra dessas duas naturezas: de Sua divindade, pelos milagres durante os três anos que decorreram depois do batismo; de Sua humanidade, durante os trinta períodos semelhantes que precederam o batismo no qual, por causa de Sua baixa obrigação com a carne, escondeu os sinais de Sua divindade, embora fosse o verdadeiro Deus que existe antes de todos os tempos.”
Melito derivou a palavra Pascha do grego paschein, sofrer. Em seu Peri Pascha, que data de cerca de 165,  ele escreveu, “Ele veio na Terra, do céu, por sofrimento humano, ficando encarnado no útero de uma virgem do qual ele se tornou homem; ele assumiu os sofrimentos do homem num corpo capaz de sofrimento, e pôs um fim para os sofrimentos da carne, e por Seu espírito incapaz da morte ele se tornou a morte da morte do homem… Este é quem na virgem se encarnou, na cruz foi suspenso, na Terra foi enterrado, do morto foi ressuscitado, para as alturas do céu foi elevado.”

170 – Hegesipo nasce nestá época. Ele foi um antigo cronista da História da Igreja.

170 – Dionísio de Corinto escreve, “era o costume dos romanos…desde o princípio… ajudar toda a comunidade por vários meios e enviar contribuições para as igrejas em toda cidade, aliviando os necessitados.”  Dionísio mencionou o martírio de Pedro e Paulo em Roma.

175 – na segunda metade do segundo século, foi escrita a Epistula Apostolorum. A obra descreve Jesus ordenando a Seus seguidores que observassem o Pascha “até que eu volte do Pai com minhas feridas”. O Pascha parece ter sido observado em 14/15 Nisã.

177 5ª perseguição da Igreja, sob o Imperador Marco Aurélio (161-180). Nesta época, os hereges gnósticos perturbaram as igrejas do vale de Rona.  Estas igrejas eram gregas e tinham grandes ligações com as igrejas da Ásia Menor. Irineu de Lyon atacou muito desses hereges em suas obras.

177 – Irineu, discípulo de Policarpo, é eleito bispo de Lyon (nasceu em 130). Morreu em 200.  Acreditou que o plano da Nova Aliança é a “recapitulação” da Criação original:  pelo pecado de Adão, perdeu-se a semelhança com Deus, mas ficou a imagem. Pela fé em Cristo, o homem pode recuperar a semelhança perdida. Para ele, a história da salvação é um progressivo ensino apresentado por Deus ao homem no Evangelho. Irineu, como Justino Mártir, acreditava que Cristo reinará na Terra durante mil anos, e protestava veementemente contra as tentativas de alegorizar os textos milenaristas.  Irineu criticou a doutrina gnóstica com o ensino da Sucessão Apostólica – se a gnose fosse verdadeira, os apóstolos teriam ensinado isto aos seuss sucessores. Os apóstolos, ele dizia, ensinara, a Regra de Fé (bem parecida com nossos Credos Apostólicos).
Irineu escreveu, “A tradição dos Apóstolos é manifesta no mundo inteiro; e nós podemos reconhecer aqueles que foram, pelos apóstolos, ordenados bispos nas igrejas, e ver sua sucessão até nossa época. Se os apóstolos tivessem ensinado mistérios ocultos, eles os teriam passado aos outros, especialmente para aqueles de suas próprias igrejas. Porque eles queriam que esses homens fossem muito perfeitos e inocentes em todas as coisas, pois os estavam sucedendo, dando seu próprio governo a estes homens.”
Irineu viu o batismo como o selo de vida eterna e do novo nascimento a Deus, pelo qual o Espírito Santo é dado. Ele escreveu, “… ele veio para salvar todas as pessoas; todos, eu quero dizer, são os regenerados por Ele a Deus: crianças, jovens e velhos” (já que por crianças ele quer dizer os nascidos de novo, parece ser uma referência ao batismo infantil). Para Irineu, a Eucaristia era a “nova oblação da Nova Aliança” oferecida por Deus ao mundo. Irineu não ligou a Eucaristia com a paixão de Cristo, como Justino fez, mas a via mais como uma oferta das primícias.  Mas Irineu identificou o pão e o vinho com o corpo e o sangue de Jesus.
Irineu acreditava que Maria não teve pecados. Também relata uma das mais antigas fontes da igreja comemorar o Pentecostes.
Com respeito à divindade de Cristo, escreveu Irineu, “Os livros sagrados reconhecem com respeito a Cristo que como Ele é o Filho do homem, assim não é o mesmo Ser um [mero] homem; e como Ele é carne, assim é Ele também espírito, e a Palavra de Deus, e Deus.”

“Mas já que seria muito longo enumerar em um volume como este as sucessões de todas as Igrejas, nós confundiremos todos esses que, de qualquer maneira, se por presunção ou vanglória, ou por cegueira e má opinião, ajuntam outros do que é normal, mostrando aqui as sucessões dos bispos da maior e mais antiga Igreja conhecida, fundada e organizada em Roma pelos dois grandes apóstolos, Pedro e Paulo, que Igreja tem a tradição e a fé que vem a nós vinda dos apóstolos. Pois é com esta Igreja, por causa de sua origem superior, é que todas as Igrejas têm que concordar, quer dizer, todo o crente no mundo inteiro; e é nela que o crente tem a tradição Apostólica em todos lugares.” (Contra as Heresias 3,3,2) .
A última linha nesta passagem também pode ser traduzida, “Pois para esta Igreja, por causa de seu principado mais poderoso, é necessário que toda Igreja concorde; nesta Igreja sempre foi preservada a tradição dos apóstolos”. Isto expressa a idéia que a Igreja de Roma é unida em todos os lugares.
Ele declara que Pedro tinha estado em Roma, e que Lino foi lá o primeiro bispo, ordenado por Pedro e Paulo.
Irineu mencionou um grupo de gnósticos que honravam imagens e dá a impressão que o uso de imagens era relativamente desconhecido na Igreja em sua época.  Ele afirmou que o charismata ainda eram ativo em sua época e notou que os demônios eram expulsos, o futuro predito, e havia muitas ressurreições de mortos. Refutando um uma das interpretações gnósticas das Escrituras, Irineu relata a Tradição que recebeu dos discípulos de João (e outros apóstolos) para o efeito que Jesus tinha quase cinqüenta anos quando ele foi crucificado.

179 – conversão de Bardesanes (154-222) ao cristianismo. Infelizmente, ele foi influenciado pelos gnósticos e negou a Criação imediata por Deus do Universo e Satanás, apresentando assim uma série de seres intermediários. Bardesanes se tornou uma importante figura do gnosticismo sírio.
mandaeanismo se originou em alguma época durante os primeiros três séculos no oriente médio. Nesta religião, a salvação é conseguida pela própria pessoa, por conhecimentos esotéricos. Neste sistema, existem seres espirituais (Arcões) entre a alma e Deus.  Nestes pontos, o mandaeanismo é semelhante ao gnosticismo. Ao contrário de muitos sistemas gnósticos, porém, eles proibiam a promiscuidade sexual e encorajavam o matrimônio. Os mandaeanos consideram Jesus um falso messias, mas tinham grande respeito por João Batista.

180 – antes desta época, o Cristianismo estava estabelecido na África do Norte, como testemunhado em latim pelos Atos dos Mártires de Scillium, escritos por volta de 180.
Rodon, sobre quem pouco é conhecido, escreveu obras contra os catafrígios e os Marcionitas.
Teófilo, bispo de Cesaréia, atestou que as igrejas na Palestina e Alexandria observaram a Páscoa em um domingo – diferentes das igrejas na Ásia Menos (veja 190 abaixo).

185 – Tertuliano (160-230) converte-se ao cristianismo. Se tornou montanista em ~200.  Ele foi o primeiro teólogo cristão a escrever em latim. Em contraste com Irineu e Clemente de Alexandria, Tertuliano dizia que o útero de Maria foi aberto ao nascimento de Cristo e acreditava que isto estava profetizado em Ex. 13:2.  Dizia que Maria teve relações sexuais normais com o José e que Jesus teve irmãos.
Tertuliano acreditava que o 2º Mandamento contra imagens fundamental aos cristãos. Ele afirmava que algumas imagens eram inocentes e não ídolos – como a serpente de bronze que era o símbolo da cruz (Em Idolatria).
Em uma carta escrita entre 200 e 206, Tertuliano falou contra o batismo infantil. Dizia que ele não era de origem apostólica. Ele dizia que não havia perdão dos pecados cometidos depois do batismo. Dizia que os solteiros deveriam ficar sem o batismo até se casarem; que deveriam ficar sem o batismo até a velhice; as viúvas e viúvos deveriam esperar até que se casassem de novo ou ficarem em continência.
Do artigo batismo, da Enciclopédia Católica diz:  “A imersão é sem dúvida muito antiga na Igreja e aparentemente de origem apostólica. É mencionada por Tertuliano (De cor. milit., iii), S. Jerônimo (Dial. Contra Luc., xxvii) e muitos outros escritores antigos”.
Tertuliano acreditava no milênio literal que duraria 1000 anos literais, localizado na Nova Jerusalém que desceria do céu.
Ele usou a frase “Vigário de Cristo”, mas a referência é ao Espírito Santo (Prescrição Contra os Hereges, Capítulo 28).  Em referência a Mt.16, Tertuliano escreveu (op. cit., Capítulo 22), “Havia algo escondido do conhecimento de Pedro,chamado de ‘pedra na qual a Igreja deveria ser construída’, que tinha ‘as chaves do reino do céu’  e o poder de‘ligar e desligar o que há na Terra’? Havia qualquer coisa escondida de João, o discípulo mais amado doSenhor, que se apoiou em Seu peito e só a quem o Senhor revelou o traidor e também lhe recomendou os cuidados de Maria?” Veja que Tertuliano não fez nenhuma distinção entre Pedro e João em grau de conhecimento. Também não afirmou a supremacia de Pedro.
Tertuliano ensinou que o Filho derivava a substância do Pai e que o Espírito procedia do Pai pelo Filho.  Em uma obra contra um certo Praxeas, ensinou que o Pai, Filho e Espírito eram uma pessoa, descrevendo a Trindade como sendo “suscetível denúmero sem divisão”. Na mesma obra, Tertuliano dizia que o bispo de Roma (Victor) inicialmente “reconheceu osdons proféticos de Montano, Prisca e Maximilla” mas foi persuadido por Praxeas para seguir o exemplo do bispo anterior. Praxeas renunciou o patripassionismo, mas ele depois voltou a este erro.
Em Prescrição Contra os Hereges, Tertuliano advertiu contra discutir Escritura com os hereges, porque eles nunca serão convencidos.  O guia para a verdadeira interpretação, e a doutrina verdadeira, seria visto na transmissão da tradição apostólica pela Igreja.
Em uma obra às vezes atribuída a Tertuliano, o autor identificou 25 de março como a data da crucificação de Jesus, declarando, de acordo com a cronologia de João, que a data também era 14 de Nisã.

185 – Máximo, bispo de Jerusalém (185-196). Ele escreveu uma obra sobre a origem do mal.

189 – Victor se torna bispo de Roma. Morreu em 199.  Durante a posse de Victor, a controvérsia monarquista surgiu como uma revolta contra a teologia do Logos de Justino Mártir.  Justino tinha ensinado que o Logos era “outro Deus”, significando “outro em número, não em objetivo”. Os cristãos tinham discutido contra os gnósticos que havia um único primeiro princípio, o criador Deus, um único monarca, mas a teologia do Logos prejudicou este argumento.  Para evitar o diteísmo incipiente de Justino, Sabélio propagou a doutrina que o Pai e o Filho são um e o mesmo e a diferença está só no nome. A doutrina de Sabélio é às vezes chamada de modalismo, porque o Pai, Filho e Espírito são modos do mesmo ser.  No Ocidente, foi chamada patripassionismo, que significa que o Pai sofreu os sacrifícios da cruz.


190 - Victor exigiu conformidade das igrejas do Oriente sobre a data da Páscoa.  Ele dizia que seu método para estabelecer a data para a Páscoa foi estabelecida por Pedro e Paulo.  As igrejas da Ásia Menor consideraram isto autocrático e tomaram como ofensa. Polícrates (130-196), bispo de Éfeso, escreveu a Victor defendendo sua prática Pascal, citando o exemplo do evangelista Filipe, o apóstolo João, o bispo Policarpo e outros. Ele disse: “eu, portanto, irmãos, que vivi sessenta e cinco anos no Senhor e
me encontrei com irmãos no mundo inteiro, e tenho praticado toda a Santa Escritura, não estou com medo de tais palavras. Paraesses maior que eu disse, ‘devemos obedecer Deus em vez do homem’”.

Irineu de Lyon também escreveu a Victor: “E esses presbíteros que governaram a Igreja antes de Sotério, sobre os quais governas agora, eu quero dizer Aniceto [(155-66)] Pio [(140-55)], Higino [(136-40)] e Teléforo [(125-36)] e Xisto [(115-25)],nenhum deles observaram, nem permitiram que seus sucessores observassem…em nenhum momento eles lançaram qualquer coisa por causada forma.  Mas esses mesmos presbíteros antes de vós que não observaram tal prática, praticavam a Eucaristia às Igrejas que não observavam. Equando o santo Policarpo foi para Roma, no tempo de Aniceto, tinham pouca diferença entre eles a respeito de vários assuntos. Igualmente, eles concordavam em tudo e não havia discussões. Pois nem
Aniceto pôde persuadir Policarpo a não observar isto, porque ele sempre tinha praticado isto com João, o discípulo de nossoSenhor… e Policarpo nem persuadiu Aniceto para observar, que disse que ele ele praticava assim por causa dos presbíteros antes dele”.  
A distinção entre as igrejas que ‘observavam isto’ das que não observavam talvez pode se referir à prática de observar a Páscoa em um domingo:  as igrejas na Ásia Menor observavam o dia 14 de Nisã como Páscoa, sem ter em conta em que dia da semana caia. A discordância está no significado preciso da palavra “observar”, de Irineu.  Em uma interpretação dos eventos (proposto por Karl Holl em 1927), a Páscoa não foi observada sob qualquer forma ou em qualquer data em Roma no tempo de Aniceto  (aproximadamente 155), mas foi introduzida em 165 quando Sotério foi bispo.

190 – aproximadamente nesta época, Clemente de Alexandria presidiu a escola catequética de Alexandria e serviu lá até 203.  Nasceu em 150. Morreu em 215.  Clemente era um teólogo leigo. O princípio central de sua teologia dele era a doutrina da Criação. Já que a Criação era boa, Deus implantou as sementes da verdade em todas as criaturas.  Portanto, havia muito para aprender dos filósofos gregos. Sua Stromata descreve os atributos dos gnósticos cristãos. Ele dizia que o casamento não é um estado espiritual inferior ao celibato, e rejeitou a idéia que todos os cristãos eram abstinentes ou vegetarianos. Em sua idéia, a Igreja é uma escola onde o pecador pode ser restaurado.  Clemente viu a vida espiritual como um processo de educação sem fim que não termina com morte, e tudo precisaria ser purificado antes de entrar na presença de Deus. Clemente rejeitou as interpretações milenárias de Irineu e Justino. (De acordo com O Ano Cristão, de Gwynne, Clemente mencionou que o aniversário de Cristo era observado em sua época. Talvez fosse em 6 de janeiro, diferente do 25 de dezembro, cuja observância começou em Roma no quarto século.)

192 – em uma obra por volta deste ano, Tertuliano mencionou a observância da vigília da Páscoa.


198 – Zeferino se torna bispo de Roma. Morreu em 217.  A controvérsia monarquista continuou. Hipólito se opôs a Sabélio com a doutrina que o Pai e o Filho são duas pessoas distintas. Calisto, um escravo livre e arquideão da igreja, tinha sido exilado para as minas de Sardenha entre 188 e 193.  O imperador Cômodo (m.
193), ao pedido de sua concubina cristã, Márcia, ordenou uma libertação geral de todos os cristãos exilados em Sardenha.  Assim, Calisto retornou. (Nesses dias, a Igreja considerava o matrimônio concubinato contanto que a concubina cristã agisse como se fosse.)  Talvez a pedido de Calisto, Zeferino tentou aproximar os monarquistas e os defensores da teologia do Logos. Ele disse: “eu conheço um Deus,Cristo Jesus, e a Seu lado não conheço nenhum outro que foi procriado e passível” e “o Pai não morreu mas sim o Filho”.
Diz-se que Hipólito é o último teólogo romano a escrever em grego.  A transformação do Ocidente do grego ao latim foi completada na época de Constantino.  (Mas veja abaixo, ano 366.)
Em sua Tradição Apostólica, escrita entre 215 e 217, nós lemos, “E primeiro batizai os pequenos; e se eles puderem falar, eles farão assim; se não, seus pais ou outros parentes falarão por eles. Então batizai os homens, e a última detodas as mulheres; elas têm que soltar os cabelos primeiro e colocar de lado qualquer enfeite de ouro ou ornamentos de prata quelevem: não deixe ninguém levar qualquer coisa estranha até a água com eles”.  Isto indica a prática do batismo infantil em Roma, que talvez fosse por imersão.
Hipólito também relatou a preparação dos candidatos ao batismo antes da Páscoa. Estas preparações foram a raiz da Quaresma. O batismo praticava-se imergindo a pessoa três vezes na água: uma imersão para o Pai, o Filho, e o Espírito Santo, seguindo uma confissão de cada um. A Confirmação era dada pelo bispo impondo as mãos na pessoa (enquanto ele invocava o Espírito Santo a encher os batizados) e a aplicação de óleo (crisma).
Tradição Apostólica mostra a influência de oração judaica no culto cristão. Talvez foi escrita para combater a fraca atenção de Zeferino a cerimônia tradicional. Hipólito comenta que seu arquiinimigo mortal Calisto e seus seguidores, pelo menos, praticavam à tradição apostólica.
Que a Eucaristia não era entendido como mero simbolismo é vista em sua ordem para mantê-la longe dos animais e não-batizados. “Pois é o corpo de Cristo é para ser comido pelos que crêem e não pelos despreparados”.
Tradição Apostólica também contém referências para o sinal da cruz: “façais sempre com reverência o sinal em suas frontes. Pois o sinal da paixão age e se manifesta contra o diabo se fizeres com fé”. E declara que o bispo era “escolhido por todas as pessoas”.
Hipólito defendeu o milenarismo. Em face à crescente reação contra esta doutrina em Roma, conduzida pelo padre Caio, Hipólito explicou que os mil anos de Ap. 20.2-5 não eram literais, mas eram símbolos do esplendor do reino.
Em um comentário em Daniel, Hipólito disse que Jesus nasceu em uma quarta-feira, 25 de dezembro, no ano 42 do ImperadorAugusto (2 a.C.?).  Ele identificou 25 de março como a data da crucificação de Cristo e acreditava que isto ocorreu em 14 de Nisã, segundo a cronologia de João.
Hipólito também é o primeiro autor a declarar que Pedro tinha sido bispo de Roma. Seu Cronicon perdido é citado a este efeito por Eusébio.

200 Serapião (morreu ~211), oitavo bispo de Antioquia, escreveu que o Evangelho de Pedro deveria ser rejeitado nas terras que não tinham sido “passadas por nós”.

200? -  papiro 66: 2º de Bodmer, João, 1956, textos alexandrinos/ocidentais: Jo. 1:1-6:11, 6:35-14:26, 29-30; 15:2-26; 16:2-4, 6-7; 16:10-20:20, 22-23; 20:25-21:9 P46: 2º Chester Beatty, texto-tipo alexandrino: Rm. 5:17-6:3; 6:5-14; 8:15-25; 8:27-35; 8:37-9:32; 10:1-11:22; 11:24-33; 11:35-15:9; 15:11-16:27; 1Co. 1:1-9:2; 9:4-14:14; 14:16-15:15; 15:17-16:22; 2Co. 1:1-11:10; 11:12-21; 11:23-13:13; Gl. 1:1-8; 1:10-2:9; 2:12-21; 3:2-29; 4:2-18; 4:20-5:17; 5:20-6:8; 6:10-18; Ef. 1:1-2:7; 2:10-5:6; 5:8-6:6; 6:8-18; 6:20-24; Fl. 1:1; 1:5-15; 1:17-28; 1:30-2:12; 2:14-27; 2:29-3:8;  3:10-21; 4:2-12; 4:14-23; Cl. 1:1-2; 1:5-13; 1:16-24; 1:27-2:19; 2:23-3:11; 3:13-24; 4:3-12; 4:16-18; 1Te. 1:1; 1:9-2:3; 5:5-9; 5:23-28. Hb. 1:1-9:16; 9:18-10:20; 10:22-30; 10:32-13:25.  P46 é notório pelos erros do copista. P32: Biblioteca J. Rylands: Tt. 1:11-15; 2:3-8 P64 (+67): Mt. 3:9,15; 5:20-22; 5:25-28; 26:7-8, 10, 14-15, 22-23, 31-33, P90:  Jo. 18:36-19:1; 19:2-7 P98: Ap. 1:13-20
Talvez a liturgia foi traduzida ao siríaco e cóptico nesta época. Em contraste com o Ocidente,  a prática Oriental foi sempre administrar o serviço da Igreja no vernáculo.