quarta-feira, 9 de julho de 2014

RUTE: O ROMANCE DA REDENÇÃO

Existem muitas histórias na Bíblia, mas a história de Rute é uma delas que mais me encheu o coração de alegria. Somente dois livros da bíblia recebem como título nome de mulheres: RUTE e ESTER.
O nome Rute significa amizade.
A história de Rute aconteceu nos dias em que julgavam os juízes (1:1). A bíblia diz que Rute era nora de Noemi, cujo marido se chamava Elimeleque (1:2). Elimeleque poderia sem sombras de dúvidas se sentir o homem mais honrado e feliz daquela época. Sua esposa Noemi era uma mulher judia que o amava muito, era temente ao Senhor e uma excelente dona de casa. Não bastassem essas qualidades, ela concebeu dois varões que dariam continuidade à descendência de seu marido Elimeleque: Malom e Quiliom, efreus, de Belém de Judá (1:2). A maior honra para um homem nos tempos bíblicos era se sua esposa concebesse um menino, portanto, Elimeleque poderia se considerar um dos homens mais sortudos daquela época, pois além de ter dois filhos que continuaria com sua história, Elimeleque era judeu e fazia parte do povo o qual o Senhor escolheu.
Embora Elimeleque tenha dois filhos, uma ótima esposa e fizesse parte do povo escolhido por Deus, isso não tornaria a sua vida um conto de fadas. Haveria dias de alegria e dias de sofrimento. A bíblia diz que houve uma grande fome na terra (1:1) e Elimeleque juntamente com sua esposa, saiu de Belém de Judá para habitar na terra de Moabe com sua mulher e seus dois filhos. O livro de Rute não trás detalhes a respeito dessa grande fome, mas acredita-se que tenha sido igual àquela que houve nos tempos de Abraão (Gn 12), Isaque (Gn 26) e Jacó (Gn 46).

Moabe: uma cidade amaldiçoada por Deus

Por mais que difícil que fosse à situação de Belém de Judá no tocante á fome, a única coisa que Elimeleque não deveria ter feito era sair de Belém de Judá (terra do pão) para ir para Moabe. Moabe ficava a leste do mar morto. Esse país originou-se com Moabe, filho de uma relação incestuosa de Ló com sua filha mais velha (Gn 19:37). Séculos mais tarde, os judeus enfrentaram a oposição de Balaque, rei de Moabe, por meio do profeta Balaão (Nm 22:25). Moabe oprimiu Israel por 18 anos durante o tempo dos juízes. Não podemos esquecer também que por causa da adoração idólatra de Moabe a Quemos (1Rs 11:7 e 33 / 2Rs 23:13) e sua oposição a Israel, Deus amaldiçoou Moabe (Is 15:16 / Jr 48 / Ez 25:8-11 / Am 2:1-13). A atitude de Elimeleque com certeza não agradou ao Senhor, mesmo que sua intenção fosse de permanecer lá como estrangeiro em Moabe até que a escassez de alimento em Belém de Judá terminasse.
O maior problema da humanidade através dos séculos é a não confiança em Deus. O homem diz que vai obedecer esperar e confiar, mas quando as dificuldades batem na porta, a maioria das pessoas tomam decisões precipitadas, tentando alcançar refúgio nos dias maus. O que Deus espera de você é que quando o dia mal chegar, que você resista ele e continue firme na presença do altíssimo. O Salmista disse: “Entrega teu caminho ao Senhor, confia nele, e ele o fará” (Sl 37:5). O único que sabe a respeito de seu futuro é Deus. Por mais que Moabe não tivesse sido acometida da fome, isso não significava que eles estavam sobre a “bênção” de Deus. Elimeleque tomou uma decisão precipitada. Quem sabe seu coração dizia: “Vai para Moabe, a cidade não está sobre a grande fome e lá você poderá sobreviver numa boa!” Esse é um dos grandes problemas: o que está dentro do coração! A bíblia diz: Enganoso é o coração, mais perverso do que todas as coisas; quem o conhecerá? (Jr 17:09). Se Deus até agora não te respondeu e nem tão pouco confirmou sua petição, permaneça onde você está e lembre-se: Você pode fazer planos e sonhar, mas a última resposta vem da boca de Deus! (Pv 16:01).

Elimeleque veio a falecer em Moabe, deixando sua esposa Noemi viúva com seus dois filhos Malom e Quiliom (1:3). Seus filhos casou-se com duas mulheres moabitas: Orfa e Rute, e ficaram ali em Moabe quase 10 anos (1:4). Ao passar-se o tempo, os dois filhos de Noemi, Quiliom e Malom também faleceram, deixando desamparada Noemi e suas esposas (1:6). Que situação trágica para a família de Noemi! Uma mulher que se sentia valorosa por ter concebido dois filhos homens que dariam continuidade ao nome de seu esposo, agora é viúva e não têm mais seus dois filhos.


Uma declaração que moveu o coração de Deus!

Não restou nada para Noemi a não ser recordação! Ainda morando em Moabe, Noemi ouviu falar que o Senhor lembrou-se de seu povo seu povo dando-lhe pão (1:6).        Ao partir de Moabe à caminho de Belém de Judá, Noemi disse para Orfa e Rute: Voltem cada uma para a casa de sua mãe e que o Senhor use de benevolência, da mesma forma que vocês usaram com seus maridos que morreram e que o Senhor dê à vocês maridos e que sejais felizes (1:7-09). Ambas as suas noras choraram em alta voz e disseram que iriam com Noemi até Belém de Judá, mas Noemi as repreendeu, pois não podia dar mais filhos para elas e nem tão pouco arrumar maridos para Orfa e Rute (1:10-13). Orfa beijou-a e voltou para sua casa, mas a bíblia é bem clara e diz que Rute se apegou de uma forma tão grande que não quis deixá-la (1:14).
Noemi mais uma vez disse para Rute seguir o mesmo caminho de sua cunhada, mas Rute diz algo que convenceu Noemi e com certeza, moveu o coração de Deus:

“Não me instes para que te deixe e me obrigue a não seguir-te; porque, aonde quer que fores, irei eu e, onde quer que pousares, ali pousarei eu; o teu povo é meu povo, o teu Deus é meu Deus. Onde quer que morreres, morrerei eu e aí serei sepultada; faça-me o Senhor o que bem lhe aprouver, se outra coisa que não seja a morte me separar de ti (1:16-17).

“Deus olhou dos céus e pensou: Estou gostando dessa garota!”

Noemi enfim percebeu que não adiantaria dizer para Rute voltar para a casa de sua mãe, pois ela já estava decidida (1:18). Sem sombras de dúvidas essa amizade, através da história de uma família quase falida, move o coração de qualquer pessoa. Vivemos numa sociedade onde pai mata sua esposa e seus filhos, os filhos matam seus pais por causa de dinheiro, inveja, bebidas, drogas, ciúmes, etc. As pessoas matam por besteira a troco de vingança ou qualquer outra coisa. Você que está lendo essa história, olha para seu coração e abra sua mente! Família foi uma bênção que Deus deixou ao homem e não uma maldição! Família é um lugar de refrigério e de confiança. Família é o único lugar onde todos têm tudo em comum. Família são as únicas pessoas que dariam a vida por você e que se importa com você. Família te aceita como você é e luta pela sua sobrevivência. Dê valor para sua família!

Ao voltar para Belém de Judá, todos se comoveram com Noemi e Rute, pois já sabiam do ocorrido com Elimeleque e seus filhos Quiliom e Malom (1:19). Porém, ela lhes dizia: Não me chamem de Noemi, me chamem de Mara, porque grande amargura me tem dado o Todo Poderoso, eu parti daqui e o Senhor me fez voltar pobre e agora, o Senhor me tem afligindo (1:20-21).

Uma espiga de ouro!

Ao retornar para Belém de Judá, Rute diz à Noemi que iria ao campo apanhar espigas, pois já era o princípio da sega da cevada e ao chegar ao campo, começou a pegar as espigas após os segadores que por curioso, ela entrou na parte que pertencia a Boaz, o qual era da família de Elimeleque (2:1-03). A lei mosaica ordenava que não se colhesse nos cantos e que as espigas não fossem apanhadas (Lv 19:9-10). Tratava-se dos talos remanescentes de cereal depois do primeiro corte. Estes eram destinados aos necessitados, especialmente às viúvas, aos órfãos e estrangeiros (Lv 23:32 / Dt 24:19-21).
A bíblia diz que Boaz veio à Belém e disse aos segadores: Quem é a moça? (2:4-06), e respondeu seu servo que essa moça era a moabita que veio com Noemi de Moabe. O coração de Boaz bateu mais forte, ele não conseguia fazer outra coisa a não ser pensar em Rute, então Boaz diz ao seu servo que iria rebuscar espigas entre as gavelas após os segadores (2:7). Tudo isso apenas para se aproximar de Rute. Que espiga de ouro não? Daí em diante o Senhor começou a mudar a sorte de Rute e Noemi. São nas coisas pequenas e simples que o Senhor trabalha. Deus tem a seu favor todas as coisas e a natureza e seu ciclo natural são seus agentes para abençoar a vida daqueles que o servem. Olhe ao seu redor. Não fique esperando algo grande e que chame à atenção de todos. Pois são nos mínimos detalhes que Deus trabalha. Onde já se viu: Espigas abençoar alguém? Pois é, daqui em diante dessa comovente história, o Senhor começou a mudar completamente a vida de Rute.
            Amor á primeira vista

Boaz era um homem educado, humilde e cavalheiro. Sinônimo de um marido que toda mulher gostaria de ter! Ao se aproximar de Rute, Boaz disse para Rute não ir colher em outro campo, era para ela ficar em seu campo com suas servas, quando ela tivesse sede, ela poderia ir até as vasilhas e beber do que os seus servos tiravam (2:8-09). Além de um homem cavalheiro Boaz se importava tanto com ela que ordenou que era para ninguém tocar em Rute (2:10) e fez com que ela comesse com ele na hora do almoço. Era amor à primeira vista! Boaz estava tão apaixonado por Rute que após almoçarem e Rute voltar ao trabalho na parte da tarde, Boaz disse aos seus servos que era para eles pegarem dos molhos algumas espigas e deixassem para ela apanhar e que ninguém a repreendesse.
Ao voltar para a casa de sua sogra, Noemi viu que Rute apanhou quase um efa (equivalente 25k) e começou a perguntar: onde você pegou tudo isso? Quem agiu de benevolência com você? (2:17-18). Então Rute contou que onde trabalhou e disse que o nome do senhor era Boaz quem agiu de benevolência com ela (2:19). Ao ouvir atentamente as palavras de Rute, o coração de Noemi se alegrou, pois Boaz era seu parente chegado e um dentre os resgatadores. Existem 3 coisas que um parente próximo (resgatador) poderia fazer para redimir:

    1)    Um membro da família vendido como escravo (Lv 25:47-49).
    2)    A terra precisava ser vendida por causa da dificuldade financeira (Lv 25:23 e 28).
    3)    O nome da família por meio de um casamento levirato (Dt 25:5-10).

O começo de uma nova história

Noemi dá boa referencias de Boaz, então sua sogra lhe dá algumas dicas para Rute impressionar Boaz conforme está escrito em 3:3-05:

     a)    Limpar os grãos (jogar no ar para separar da palha)
     b)    Cuidar especialmente da aparência
     c)    Passar um bom perfume
     d)    Colocar as melhores vestes
   e)    Boaz ficava de guarda durante a noite para que roubasse nada, então quando ele dormisse, era para ela descobrir seus pés e se deitar perto dele.

“... tudo quanto me disseres farei”.

Foi assim que tudo aconteceu! Sucedeu meia noite Boaz acordou assustado, sentou e viu que tinha uma mulher deitada aos seus pés e perguntou: Quem és tu? E ela respondeu sou Rute, tua serva; estende tua capa sobre a tua serva, porque tu és meu resgatador (3:8-09).
Boaz se anima com a atitude de Rute, e a chama de  Mulher Virtuosa, mas diz que ainda assim existe outro resgatador que era mais chegado do que ele, um parente mais próximo de Elimeleque mais chegado do que Boaz que tinha o direito resgatar Rute.
Então Boaz convida Rute à permanecer com ele durante à noite e diz que na manhã seguinte conversaria com o resgatador se ele queria resgatar Rute ou não. Na manhã seguinte Rute voltou para sua casa e falou tudo o que aconteceu à Noemi e disse mais ainda que Boaz não a liberou de mãos vazias, deu a ela 6 medidas de cevadas (equivalente à 27-36kg) então Noemi, conhecedora de Boaz diz à Rute: espera, pois do jeito que eu o conheço, Boaz não vai descansar até que acabe com isso logo (3:16-18).
A paciência é uma ponte das mais importantes para alcançarmos nossas bênçãos. O Salmista disse: Esperei com paciência no Senhor, ele se inclinou para mim, e ouviu o meu clamor (Sl 40:01). Muitas pessoas perdem suas oportunidades pois não sabem esperar a hora de Deus e depois acabam se arrependendo de suas atitudes e ações.

Negócio fechado!

Então Boaz reuniu 10 homens como testemunha e se achegou ao resgatador para negociar o as circunstancias após a morte de Elimeleque.
Então disse ao remidor: Aquela parte da terra que foi de Elimeleque, nosso irmão, Noemi, que tornou da terra dos moabitas, está vendendo.
E eu resolvi informar-te disso e dizer-te: Compra-a diante dos habitantes, e diante dos anciãos do meu povo; se a hás de redimir, redime-a, e se não a houveres de redimir, declara-mo, para que o saiba, pois outro não há senão tu que a redima, e eu depois de ti. Então disse ele: Eu a redimirei.
Disse porém Boaz: No dia em que comprares a terra da mão de Noemi, também a comprarás da mão de Rute, a moabita, mulher do falecido, para suscitar o nome do falecido sobre a sua herança.
Então disse o remidor: Para mim não a poderei redimir, para que não prejudique a minha herança; toma para ti o meu direito de remissão, porque eu não a poderei redimir.
Havia, pois, já de muito tempo este costume em Israel, quanto a remissão e permuta, para confirmar todo o negócio; o homem descalçava o sapato e o dava ao seu próximo; e isto era por testemunho em Israel.
Disse, pois, o remidor a Boaz: Toma-a para ti. E descalçou o sapato.
Então Boaz disse aos anciãos e a todo o povo: Sois hoje testemunhas de que tomei tudo quanto foi de Elimeleque, e de Quiliom, e de Malom, da mão de Noemi,
E de que também tomo por mulher a Rute, a moabita, que foi mulher de Malom, para suscitar o nome do falecido sobre a sua herança, para que o nome do falecido não seja desarraigado dentre seus irmãos e da porta do seu lugar; disto sois hoje testemunhas.
E todo o povo que estava na porta, e os anciãos, disseram: Somos testemunhas; o Senhor faça a esta mulher, que entra na tua casa, como a Raquel e como a Lia, que ambas edificaram a casa de Israel; e porta-te valorosamente em Efrata, e faze-te nome afamado em Belém.
E seja a tua casa como a casa de Perez (que Tamar deu à luz a Judá), pela descendência que o Senhor te der desta moça.
Quando Deus quer abençoar uma pessoa, Ele é capaz de abrir o mar, parar o Sol, trazer alimento do céu, apenas para que essa pessoa veja o Senhor te ama e cuida dos seus! Não existe nenhum cuidado maior do que o de nosso Deus! Ele se importou de uma maneira tão grande, foi trabalhando na história de Rute de uma maneira tão grande, que até os mínimos detalhes Deus não esqueceu.

A importância do Casamento de Rute

Boaz casou-se com Rute e Rute deu à luz a um menino: Obede! A história de Rute foi literalmente mudada por Deus! Além de se casar com um homem rico, ela gerou um varão que não somente continuaria a descendência de seu marido, mas seu filho, faria parte da genealogia daquele que revolucionaria o mundo todo: JESUS! Observe:

Boaz gerou de Rute a Obede; e Obede gerou a Jessé;
E Jessé gerou ao rei Davi; e o rei Davi gerou a Salomão da que foi mulher de Urias.
E Salomão gerou a Roboão; e Roboão gerou a Abias; e Abias gerou a Asa;
E Asa gerou a Josafá; e Josafá gerou a Jorão; e Jorão gerou a Uzias;
E Uzias gerou a Jotão; e Jotão gerou a Acaz; e Acaz gerou a Ezequias;
E Ezequias gerou a Manassés; e Manassés gerou a Amom; e Amom gerou a Josias;
E Josias gerou a Jeconias e a seus irmãos na deportação para babilônia.
E, depois da deportação para a babilônia, Jeconias gerou a Salatiel; e Salatiel gerou a Zorobabel;
E Zorobabel gerou a Abiúde; e Abiúde gerou a Eliaquim; e Eliaquim gerou a Azor;
E Azor gerou a Sadoque; e Sadoque gerou a Aquim; e Aquim gerou a Eliúde;
E Eliúde gerou a Eleazar; e Eleazar gerou a Matã; e Matã gerou a Jacó;
E Jacó gerou a José, marido de Maria, da qual nasceu JESUS, que se chama o Cristo.

Existem algumas lições que podemos tirar do Livro de Rute:

    a)    Deus pode mudar sua história, basta apenas acreditar
   
    b)    Deus trabalha nos mínimos detalhes

    c)    Decisões precipitadas levarão você ao fracasso

    d)    Voltar para o caminho certo, sempre será a melhor alternativa

     e)    Não existe causa perdida que Deus não possa ganhar

    f)     De um povo maldito, a decisão de Rute em que o Deus de Noemi seria o Deus dela, tornou dela uma descendente de Cristo

Quero terminar essa história citando um Salmo:

“Aquele que leva a preciosa semente, andando e chorando, voltará, sem dúvida, com alegria, trazendo consigo os seus molhos” Sl 126:6




O teu Deus é um Deus que muda história!

Soli Deo Glória

By Douglas Malinoski Telles


domingo, 25 de maio de 2014

Tabefe no Focinho!!!

Um dos episódios da Reforma Protestante de que mais gosto é o encontro de Martinho Lutero com os profetas de Zwickau (1521). Lutero estava recluso no Castelo de Wartburgo depois de ter sido “sequestrado” por seus amigos. Esse sequestro amigável havia ocorrido porque queriam protegê-lo de algum atentado depois das perigosas declarações que ele fizera na Dieta de Worms.
Estando em sua “prisão” cinco estrelas, Lutero ouviu falar de três pregadores que tinham saído da cidade de Zwickau e ido a Wittemberg, quartel general do reformador, onde passaram a disseminar heresias, dizendo que conheciam pessoalmente o Espírito Santo e que Deus lhes falava diretamente, dando-lhes revelações especiais. Um deles afirmava que o anjo Gabriel havia lhe prometido um trono celeste.
Lutero, bastante irritado, não hesitou. Saiu do castelo e foi à Wittemberg, onde confrontou os tais profetas. A certa altura, depois de reprová-los rigorosamente, os hereges começaram a gritar em alta voz, clamando: “Espírito! Espírito!”. Lutero, sentado numa cadeira, ficou a observá-los em silêncio, até que exclamou algo mais ou menos assim: “Esse espírito que vocês invocam, se eu o vir, dar-lhe-ei um tabefe no meio do focinho”.
Eu fico imaginando a reação histérica que aqueles malucos tiveram quando ouviram isso. Se bem que não devem ter tido muito tempo para escândalos. A resistência de Lutero fez com que logo deixassem Wittemberg, ficando a cidade livre daqueles safados de uma vez por todas.
Quando ouvimos essa história algumas perguntas eventualmente surgem na nossa cabeça. Eu as formularia assim: como Lutero sabia que o espírito que movia aqueles homens não era o Espírito Santo?; como ele pôde ser tão ousado ao ponto de zombar do espírito que eles invocavam?; será que Lutero não correu o risco de blasfemar ao dizer o que disse?
Diante dessas questões, muita gente hoje em dia, crendo em todos os mitos que atualmente desfiguram a igreja e o evangelho, não hesitaria em encher Lutero de pedradas. Eu, da minha parte, faço exatamente o contrário. Creio que, nesse episódio, o reformador honrou grandemente o Espírito Santo, impedindo com todo vigor e ousadia (além de certa medida de humor) que aqueles desvairados atribuíssem à Santíssima Terceira Pessoa da Trindade obras tão insanas, gestos tão enlouquecidos e mentiras tão deslavadas.
Digo isso com segurança por uma razão bem simples: é fácil, na verdade muito fácil, saber como é a obra do Espírito Santo na vida de alguém. O crente que estuda a Bíblia vai lembrar que Jesus, por ser o Messias (isto é, o Ungido), viveu todos os seus dias de ministério terreno sob a unção do Espírito Santo (Mt 3.16). De fato, o Espírito o conduzia, o acompanhava, o “dominava” e o habilitava na realização de todo o seu trabalho (Mt 4.1; Lc 4.14).
No fim, qual era o efeito disso? Nosso Senhor gritava, dançava, rodopiava, caía no chão, balbuciava palavras sem sentido, profetizava futilidades? Não. A vida sob a unção do Espírito Santo não provocava nada disso. Os efeitos eram outros. Sob o impulso do Espírito, nosso Senhor pregava a justiça, agia com discrição e ajudava os fracos (Mt 12.18-21). Sob o poder do Espírito ele evangelizava os pobres, curava os quebrantados de coração, libertava os cativos do diabo e dava vista aos cegos (Lc 4.18-20). Aliás, mesmo quando curava enfermos ou expulsava demônios pelo poder do Espírito (Mt 12.28), Jesus jamais transformava isso em espetáculos, mas se retirava discreto, evitando aplausos, aclamações e shows (Mt 12.15,16).
Ora, em ninguém mais na história humana o Espírito Santo esteve tão atuante como na pessoa de Jesus de Nazaré (Jo 3.34), de forma que temos nele um modelo singular, um padrão de como vive e age o homem que está sob o poder do Parácleto prometido.
Tendo agora esse padrão único em mente, voltemos nossos olhos para os evangélicos de hoje que dizem ter a força do Espírito Santo ou que dizem ser tomados por ele em algumas ocasiões. O que vemos nessa gente? Vou dizer o que vemos. Vemos o que Lutero viu naqueles falsos profetas, além de muitas coisas piores. Vemos gente dando gargalhadas ao ponto de rolar no chão; vemos pessoas imitando bêbados (com base emAt 2.13!); vemos mulheres com o rosto desfigurado, se contorcendo, gritando e rodopiando durante os cultos; vemos jovens uivando, latindo e rosnando como animais; vemos homens em transe, com o rosto em terra; vemos gente se debatendo, balbuciando frases desconexas e profetizando invenções.
Muitos crentes, observando essas coisas, ficam com medo e com o coração cheio de dúvidas, pensando: “E se isso for mesmo de Deus?”. Senhor! Será que a vida de Jesus não nos ensina nada? Aquele a quem o Pai concedeu o Espírito sem limitações (Jo 3.34) mostra como é o viver sob a força que vem do Alto. Se aprendêssemos com seu exemplo no mesmo grau que Lutero e os demais reformadores, olharíamos para os desatinos evangélicos que nos cercam e diríamos sem temor: “Esse espírito que vocês invocam, se eu o vir, dar-lhe-ei um tabefe no meio do focinho”.
Pr. Marcos Granconato
Soli Deo gloria

sábado, 10 de maio de 2014

DEUS FALOU COMIGO!


A moda piriguete e a trajetória dos crentes super-sem-noção

A séculos a moda feminina vem sendo tema de debates e discussões. A moda, lentamente, desnudou a mulher, revelando seus propósitos satânicos de seduzir os homens e destruir as almas que Cristo veio salvar.

Ela se infiltrou lentamente nas igrejas evangélicas brasileiras, promovendo, inicialmente, um verdadeiro desfile em dias de culto, servindo de instrumento à inveja e à concupiscência dos olhos. 

Agora, a moda feminina extrapolou e está aí para enterrar, de vez, a fé e a santidade de cristãos incautos. Portanto, muita cautela com a moda e seus poderes, se você realmente quer ser salvo por Jesus Cristo. Caso contrário, será mais uma vítima da moda "pirigospel". 


O que é piriguete?
Piriguete é um termo que classifica mulheres e seu comportamento, descrendo-as com expressões que vão desde "oferecidas" e "assanhadas" a interesseiras, vagabundas e aproveitadoras. A definição vai mais além, equiparando-as a "prostitutas". Obviamente a tendência piriguete teve seu início entre as prostitutas, que sempre tiveram sua própria moda, com a qual visavam atrair e seduzir o público masculino. Agora ela invade as igrejas ditas "evangélicas", caindo como uma bomba de grande poder destruidor à fé cristã. As igrejas evangélicas estarão, muito em breve, do jeito que o diabo gosta!!!

Pirigospel é mais uma apostasia evangélica
Pirigospel une à moda evangélica tudo que a moda piriguete oferece, com seus estilos de sedução e comportamento. A moda pirigospel é, assim, pura apostasia evangélica. Não importa o quão "moda" seja... seus adeptos estão vivendo a fé de forma "aleivosa", brincando com a sedução, uma das armas fatais de satanás. Embora ignorem isso, os crentes "moderninhos" e super-sem-noção, estão leiloando a Salvação, sem saber que também estão sendo revelados aos olhos de Deus. Isso só mostra quão seus corações estão vazios do Espírito e cheios do mundo.  Contudo, Deus conhece os seus escolhidos: Todavia o fundamento de Deus fica firme, tendo este selo: O Senhor conhece os que são seus, e qualquer que profere o nome de Cristo aparte-se da iniqüidade.2 Timóteo 2:19

A moda e seu poder de sedução e comportamento
Deus permite todas as coisas - ainda que más-  para que, a seu tempo, tenham alguma serventia a seus propósitos. No caso da moda piriguete, ela apenas está revelando aquele que serve e o que não serve a Deus. E, no fim dos tempos, grandes serão as provas, e só será considerada "Noiva Prudente" aqueles que se desviarem de todos os tropeços com os quais satanás procura destruir a Igreja de Jesus. E sabemos que Jesus já alertou sobre isso quando afirmou que, das 10 virgens(que representam a Igreja), 5 eram loucas. Evangélicas piriguetes são, assim, integrantes das virgens loucas que a Bíblia Sagrada afirma que serão deixadas para trás no arrebatamento. A essa classe de "crentes", só nos resta dizer: Estão perdendo tempo em falar de Jesus e ir à igreja. Aliás, igreja que sustenta o mundo dentro de si também está perdendo seu tempo, pois já está contaminada. Seus pastores e membros deveriam cair na "gandaia" definitivamente. Contudo, como também querem escapar da "ira vindoura", essa raça de víboras quer aproveitar tudo que o mundo oferece, e, ao mesmo tempo, servir a Deus, contrariando a Palavra que diz: Não ameis o mundo, nem o que no mundo há. Se alguém ama o mundo, o amor do Pai não está nele. 1 João 2:15.
Nos dias de João Batista, eram muitos os que queriam se batizar temendo a ira divina que o profeta anunciava. Com medo, multidões corriam em busca do batismo de João Batista. Vendo isso, ele os repreendeu:
Também em nossos dias, os pastores ignoram isso: que muitos milhares estão correndo para o batismo tentando escapar da ira vindoura que está para ser derramada sobre a humanidade rebelde à `Palavra de Deus. Contudo, se esquecem que Deus sonda os rins e o coração, sabendo exatamente quais os intentos de tais pessoas. Como a Deus não se engana, esses crentes-sem-noção estão enganando a si mesmos: 
Dizia, pois, João à multidão que saía para ser batizada por ele: Raça de víboras, quem vos ensinou a fugir da ira que está para vir?Lucas 3:7

Raça de víboras, como podeis vós dizer boas coisas, sendo maus? Pois do que há em abundância no coração, disso fala a boca.Mateus 12:34
A regra bíblica geral para o cristão verdadeiro, nascido de novo, é essa: qualquer que profere o nome de Cristo aparte-se da iniqüidade.2 Timóteo 2:19. Caso contrário, sua presença física  a igreja não evitará sua condenação eterna ao lago de fogo.

domingo, 16 de fevereiro de 2014

ROQUEIROS CONVERTIDOS


Nico McBrain, baterista do Iron Maiden: “Um dos maiores truques do Diabo é fazer você acreditar que ele não existe”

A banda inglesa Iron Maiden, que estourou nos anos 80 com o estilo Heavy Metal de fazer rock, desembarcou no Brasil para se apresentar pela turnê Somewhere Back In Time. O grupo, precursor do estilo e considerado um dos melhores do gênero, conta novamente com a sua formação original. A popularidade entre os roqueiros se deu através de sua maneira única de soar em canções, letras e capas de discos. O nome “Iron Maiden” é inspirado em um instrumento de tortura medieval, o qual se acha representado no filme O Homem da Máscara de Ferro. Suas letras exploram temas que vão do ocultismo a lendas, filmes, histórias de assassinatos, o escuro e a simbologia do número 666. Além disso, as capas dos álbuns são singulares, pois exibem sempre o mascote da banda, Ed, um morto vivo, em cenas sugestivas aos temas de cada disco. 

Diante dessa atmosfera “pesada”, seria possível pensar em algum espaço para manifestações cristãs? Olhos e ouvidos voltados para Deus? Sim! O baterista da banda, Nico McBrain, é um exemplo de músicos de rock bem sucedidos, com carreiras mundialmente consolidadas e que, ao longo de suas vidas, se converteram ao cristianismo. Chocante? Inesperado? Talvez nem tanto. Ele próprio afirma que quando alguém se torna cristão, não está livre do pecado, mas deve buscar ao máximo uma vida longe deste mal.

A pergunta mais comum feita ao baterista é: Como você pode tocar em um grupo que apresenta uma canção chamada Number of the Beast (Número da Besta)? Nico afirma que a canção é sobre uma história que se encontra no livro das Revelações. “Um dos maiores truques do Diabo é fazer você acreditar que ele não existe”, justifica o baterista.
Nico McBrain é um exemplo incrível de conversão de músicos que, pela própria natureza da profissão, lidam com uma série de fatores que muitas vezes os afastam de uma vida ao lado de Deus. Shows, fãs, turnês exaustivas e o universo das drogas e comportamentos promíscuos, muitas vezes associados ao estilo de vida no rock.
Muito conhecidos na história da música mundial e, especialmente do rock, são os casos de músicos que acabam deixando a vida precocemente de forma conturbada e perturbadora. O líder do grupo Nirvana, Kurt Cobain, no dia 5 de abril de 1994, atirou na própria boca e deixou o mundo com uma filha ainda criança. Sua carreira foi marcada por um sucesso meteórico, desgastes emocionais, depressão, drogas e, em particular, o vício pela heroína.  

Mais conversões no rock - Felizmente, ainda é possível citar outros casos de músicos do rock que, como Nico McBrain, seguiram o caminho da salvação física e espiritual a partir do contato com os valores cristãos. 
Brian Welch, ex-guitarrista do grupo Korn, é um outro bom exemplo de roqueiro convertido. No final de 2008, ele lançou o seu primeiro disco solo, Save Me From Myself. No álbum, o músico aborda questões particulares da sua vida como a luta para deixar as drogas, os motivos que o levaram a sair da banda e seu encontro com Deus.
No Brasil, temos a surpreendente história do músico Rodolfo Abrantes, ex-vocalista da banda de hard-core Raimundos. No auge de sua carreira, o roqueiro sentiu o vazio em que vivia e se converteu. “Estava sozinho, morando em São Paulo, com uma vida louca, trezentas namoradas por aí, drogas a valer, balada todos os dias, fãs de montão, disco de platina, dinheiro na conta, agenda lotada de shows, mas completamente infeliz”, relata o cantor.
Em 2006, já convertido, Rodolfo lançou seu primeiro disco voltado para Deus, Santidade ao Senhor. Além disso, ministra cultos na igreja Bola de Neve Church e viaja junto de sua mulher para pregar a Palavra. “Quer ter vitória? Anda no caminho do Senhor, obedeça, leia a Bíblia e siga seus conselhos. Hoje não bebo, não é porque não possa, é porque não quero. Quero ter comunhão com o Pai”, aconselha o músico.
A exótica e mística Baby do Brasil - ex-Baby Consuelo e ex-integrante do grupo Novos Baianos - também impactou a muitos com sua conversão nos anos 90, recebendo, inclusive, muitas críticas. A estas, a cantora responde em uma de suas músicas: “E não importa o que vão pensar de mim. Eu quero é Deus. Eu quero é Deus.” 

 

quinta-feira, 2 de janeiro de 2014

A ORIGEM DO UNIVERSO: AFINAL, COMO FOI QUE TUDO COMEÇOU?


Não se impressione com o imponente termo técnico: “cosmológico” vem da palavra grega cosmos e significa “mundo” ou “Universo”. Ou seja, o argumento cosmológico é o argumento do início do Universo. Se o Universo teve início, então teve uma causa. Na forma lógica, o argumento apresenta-se da seguinte maneira:

1) Tudo o que teve um começo teve uma causa.

2) O Universo teve um começo

3) Portanto, o Universo teve uma causa.

Para que esse argumento seja verdadeiro, ele precisa ser logicamente válido, e suas premissas precisam ser verdadeiras. Esse argumento é válido, mas será que suas premissas são válidas? Vamos ver:

Premissa 1: tudo o que teve um começo teve uma causa – é a lei da causalidade, que é o princípio fundamental da ciência. Sem a lei da causalidade, é impossível haver ciência. De fato, Francis Bacon (o pai da ciência moderna) disse: “O verdadeiro conhecimento só é conhecimento pela causa”. Em outras palavras, a ciência era uma busca pelas causas. É isso que os cientistas fazem: tentam descobrir o que causou o quê.

Se existe alguma coisa que temos observado em relação ao Universo é que as coisas não acontecem sem uma causa. Quando um homem está dirigindo pela rua, outro veículo nunca aparece na frente de seu carro do nada, sem um motorista ou sem causa. Sabemos que guardas de trânsito ouvem essa história, mas isso não é verdade. Sempre existe um motorista ou alguma outra causa por trás do aparecimento daquele carro. Nem mesmo o grande cético David Hume poderia negar a lei da causalidade. Ele escreveu: “Nunca fiz a tão absurda proposição de que alguma coisa possa surgir do nada”.
De fato, negar a lei da causalidade é negar a racionalidade. O próprio processo de pensamento racional exige que reunamos nossos pensamentos (as causas) para que cheguemos às conclusões (os feitos). Assim, se alguém lhe disser que não acredita na lei da causalidade, simplesmente faça a seguinte pergunta a essa pessoa: “O que fez você chegar a essa conclusão?”. Uma vez que a lei da causalidade está bem estabelecida e é inegável, a Premissa 1 é verdadeira.

Premissa 2: O Universo teve um começo? Se não teve, então não havia necessidade de haver uma causa. Se teve, então o Universo deve ter tido uma causa.

Até a época de Einstein, os ateus podiam confortar-se com a crença de que o Universo era eterno e, portanto, não precisava de uma causa. Mas, desde então, cinco linhas de evidências científicas foram descobertas, as quais provam, sem dúvida, que o Universo realmente teve um início. Aquele início foi algo que os cientistas chamam de Big Bang (ou “grande explosão”). A evidência desse Big Bang pode ser lembrada pelo mínimo SURGE.

No princípio surge o Universo

De tempos em tempos, as principais revistas semanais – como a Veja, Isto é e Época – Publicam uma reportagem de capa sobre a origem e o destino do Universo. “Quando começou o Universo?” e “Quando acabará?” são duas perguntas examinadas nesses artigos. O fato de o Universo ter tido começo e que terá um fim, não é nem mesmo levantado no debate dessas reportagens. Por quê? Porque os cientistas modernos sabem que começo e fim são exigências de uma das comprovadas leis de toda a natureza: a segunda lei da termodinâmica.

A segunda lei da termodinâmica.

A termodinâmica é o estudo da matéria e da energia e, entre outras coisas, sua segunda lei afirma que o Universo está ficando sem energia utilizável. A cada momento que passa, a quantidade de energia utilizável está ficando menor, levando os cientistas à óbvia conclusão de que, um dia, toda a energia terá se esgotado e o Universo morrerá. Tal como um carro em movimento, um dia o Universo vai ficar sem combustível.
Então você pode dizer: “E daí? De que maneira isso prova que o Universo teve um começo?”. Bem, vamos enxergar as coisas da seguinte maneira: a primeira lei da termodinâmica afirma que a quantidade de energia no Universo é constante. Em outras palavras, o Universo possui apenas uma quantidade finita de energia (algo muito semelhante ao fato de o seu carro ter uma quantidade finita de combustível). Se o seu carro tem uma quantidade finita de combustível (a primeira lei) e ele está consumindo combustível durante todo o tempo em que está se movimentando (a segunda lei), seu carro estaria andando se você tivesse ligado à ignição há um tempo definitivamente distante? Não, é claro que não. Ele estaria sem energia agora se estivesse funcionando desde toda a eternidade passada. Mas aqui estamos nós: as luzes ainda estão acesas, o que significa dizer que o Universo deve ter começado em algum tempo no passado finito, ou seja, o Universo não é eterno – teve um começo.

Você pode ter ouvido a definição da primeira lei da termodinâmica da seguinte maneira: “A energia não pode ser criada nem destruída”. Essa é uma asserção filosófica, não uma observação empírica.  Como podemos saber que a energia não foi criada? Não havia observadores para verificar isso. Uma definição mais precisa da primeira lei, atestada pela observação, é que “a quantidade total de energia do Universo (energia utilizável e não utilizável) permanece constante”. Desse modo conforme a energia utilizável é consumida, ela é transformada em energia não utilizável, mas a soma das duas permanece a mesma. O que muda é a proporção da utilizável em relação à não utilizável.

A segunda lei da termodinâmica também é conhecida como a lei da entropia, que nada mais é senão uma maneira simpática de dizer que a natureza tem a tendência de fazer as coisas se desordenarem. Em outras palavras, com o tempo, as coisas naturalmente se desfazem. Seu carro se acaba; a sua casa se acaba; seu corpo se acaba. Mas se o Universo está ficando cada vez menos desordenado, então de onde veio a ordem original? O astrônomo Robert Jastrow compara o Universo a um relógio movido a corda. Se um relógio movido a corda está começando a atrasar, então alguém precisa dar-lhe corda.
Esse aspecto da segunda lei também nos diz que o Universo teve um começo. Uma vez que ainda temos alguma ordem – assim como ainda temos alguma energia utilizável –, o Universo não pode ser eterno, porque, se fosse, teríamos alcançado a completa desordem (entropia) neste momento.

O Universo está em expansão

As boas teorias científicas são aquelas capazes de predizer fenômenos que ainda não foram observados. A teoria da relatividade predisse um Universo em expansão. Mas foi somente na década depois de o legendário astrônomo Edwin Hubble ter olhado em seu telescópio que os cientistas finalmente confirmaram que o Universo está em expansão e que se expande de um único ponto. Este Universo em expansão é a segunda linha de comparação científica que afirma que o Universo teve um começo.
De que maneira podemos provar, por sua expansão, que o Universo teve um começo? Pense na seguinte maneira: se pudéssemos assistir a uma fita de vídeo a história do Universo ao contrário, veríamos toda matéria no Universo retornando para um único ponto. Esse ponto não teria o tamanho de uma bola de basquete, nem de uma bola de pingue-pongue, nem mesmo da cabeça de uma agulha, mas matemática e logicamente um ponto que é realmente nada. Em outras palavras, era uma vez um nada e, então bang!, havia alguma coisa – o Universo passou a existir por meio de uma explosão! É por essa razão que conhecemos esse fenômeno de Big Bang ou “grande explosão”.
É importante compreender que o Universo não está se expandindo para um lugar vazio, mas o próprio espaço está em expansão – não havia espaço antes do Big Bang. Também é importante compreender que o Universo não surgiu de material existente, mas sim do nada – não havia matéria antes do Big Bang. De fato, cronologicamente, não havia “antes” no período anterior ao Big Bang¹. Tempo, espaço e matéria passaram a existir no Big Bang.

¹ Palavras como “procede” e “antes” normalmente implicam tempo. Não as estamos usando nesse sentido, pois não havia tempo “antes” do Big Bang, pois não é possível existir tempo antes de o tempo ter começado. Então, o que poderia existir antes do tempo? De maneira bem simples, a resposta é: o Eterno! Ou seja, a causa Eterna que trouxe à existência o tempo, o espaço e a matéria: Deus
De acordo com a comprovação cosmológica moderna, o Universo literalmente não tinha nada de onde surgir. Naturalmente, não se pode imaginar como meros pontos matemáticos pudessem verdadeiramente criar o Universo.
O que é nada? Aristóteles tinha uma boa definição: ele disse que nada é aquilo que as rochas sonham!

Radiação do Big Bang

A terceira linha de comprovação científica de que o Universo teve um início foi descoberta por acidente em 1965. Foi naquele ano que Arno Penzias e Robert Wilson detectaram uma estranha radiação antenada do Laboratório de Bell em Holmdel, Nova Jersey, Estados Unidos. Aquela misteriosa radiação permanecia, não importava para onde apontassem sua antena. Inicialmente acharam que poderia ser o resultado de dejetos de pombos depositados na antena, muito comuns na costa de Nova Jersey, de modo que limparam a antena, e retornaram os pombos. Mas, quando voltaram para dentro, descobriram que a radiação ainda estava lá, e que vinha de todas as direções.
Aquilo que Penzia e Wilson tinham detectado transformou-se numa das mais incríveis descobertas do século passado, uma que chegou a ganhar o Prêmio Nobel. Esses dois cientistas do Laboratório Bell tinham descoberto o brilho avermelhado da explosão da bola de fogo do Big Bang!
Tecnicamente conhecida como radiação cósmica de fundo, esse brilho é realmente luz e calor emanados da explosão inicial. A luz não é mais visível porque o seu comprimento de onda foi esticado pela expansão do Universo para um tamanho pouco menor do que aquele que é produzido por um forno de micro-ondas. Mas o calor ainda pode ser detectado.
Voltando a 1948, três cientistas predisseram que, se o Big Bang realmente tivesse acontecido, essa radiação estaria em algum lugar. Mas, por alguma razão, ninguém havia tentado detectá-la antes de Penzias e Wilson terem tropeçado nela por acaso há cerca de 30 anos. Ao ser confirmada, essa descoberta lançou por terra qualquer sugestão que o Universo esteja num estado eterno de passividade. O Astrônomo agnóstico Robert Jastrow expõe a questão da seguinte maneira:

Não se encontrou nenhuma outra explicação para a radiação que não fosse o Big Bang. O argumento decisivo, capaz de convencer o mais cético dos cientistas, é que a radiação descoberta por Penzias e Wilson tem exatamente o padrão de comprimento de onda esperado para a luz e calor produzidos numa grande explosão. Aqueles que apoiam a teoria de um estado estático tentaram desesperadamente encontrar numa explicação alternativa, mas fracassaram. Neste momento, a teoria do Big Bang não tem concorrentes.
God and Astronomers – P. 15-6

Com efeito, a descoberta da radiação da bola de fogo queimou qualquer esperança de existência do estado estático. Mas esse não foi o fim das descobertas. Mais evidências do Big Bang surgiriam. De fato, se a cosmologia fosse um jogo de futebol americano, aqueles que acreditam no Big Bang estariam sendo convidados a “pular em cima” com essa próxima descoberta.

Sementes de grandes galáxias

Depois de descobrirem o anunciado Universo em expansão e o brilho posterior de sua radiação, os cientistas voltaram à atenção para outra previsão que confirmaria o Big Bang. Se o Big Bang realmente aconteceu, os cientistas acreditavam que deveríamos ver pequenas oscilações (ou ondulações) na temperatura da radiação cósmica de fundo que Penzias e Wilson tinham descoberto. Essas ondulações de temperatura permitiriam que a matéria se reunisse em galáxias por meio da atração gravitacional. Se isso fosse descoberto, eles aceitariam a quarta linha da comprovação científica de que o Universo teve um início.
Em 1989, foi intensificada a busca por essas ondulações quando a NASA lançou um satélite de 200 milhões de dólares chamado COBE (Cosmic Background Explorer ou “explorador cósmico”). Levando equipamentos extremamente sensíveis, o COBE foi capaz de ver se essas oscilações realmente existiam na radiação de fundo e quão precisas elas eram.
Quando George Smoot, o líder do projeto, anunciou as descobertas do COBE em 1992, sua chocante comparação foi citada em jornais do mundo inteiro. Ele disse: “Se você é religioso, então é como olhar para Deus”. Michael Turner, astrofísico da Universidade de Chicago, não foi menos enfático, afirmando que “a evidencia dessa descoberta não pode ser desprezada. Eles encontraram o Santo Graal da cosmologia”.  Stephen Howking também concordou, chamando as descobertas de “as mais importantes descobertas do século, senão de todos os tempos”. O que fez o satélite COBE receber elogios tão grandiosos?
O satélite não apenas descobriu as oscilações, mas os cientistas ficaram maravilhados diante de sua precisão. As oscilações mostravam que a explosão e a expansão do Universo foram precisamente calculadas de modo que não apenas a fazer a matéria se reunir em galáxias, mas também a ponto de não fazer o próprio Universo desmoronar sobre si mesmo. Qualquer pequena variação para um lado ou para o outro, e nenhum de nós estaria por aqui para contar a história. O fato é que as oscilações são tão exatas que Smoot as chamou de “marcas mecânicas da criação do Universo” e “impressões digitais do Criador”.
Mas essas oscilações de temperatura não são apenas pontos em um gráfico de um simples cientista. O COBE conseguiu tirar fotografias das oscilações com infravermelho. É preciso ter em mente que as observações espaciais são, na verdade, observações do passado, devido ao tempo que a luz leva para chegar até nós. Desse modo, os retratos desse satélite são retratos do passado, ou seja, as imagens em infravermelho tiradas pelo COBE apontam para a existência de matéria do início do Universo que viria a se juntar com galáxias e conjuntos de galáxias. Smoot chamou essa matéria de “sementes” das galáxias como elas existem hoje (essas imagens podem ser vistas pela Internet no site do COBE, no endereço http://lambda.gsfc.nasa.gov) Tais “sementes” são as maiores estruturas já detectadas, e a maior estende-se por cerca de um terço do Universo conhecido. Estamos falando de 10 bilhões de anos-luz ou de 95 bilhões de trilhões de quilômetros (95 seguido de 21 zeros).
Agora você pode entender por que tantos cientistas são tão eloquentes na descrição de sua descoberta. Uma coisa predita pelo Big Bang foi novamente descoberta, e isso foi tão grandioso e tão precioso que provocou um big bang entre os cientistas!

A teoria da relatividade de Einstein

Sua teoria da relatividade é a quinta linha de comprovação científica de que o Universo teve um início e sua descoberta foi o começo do fim da idéia de que o Universo é eterno. A teoria em si, que foi comprovada até cinco casas decimais, exige um início absoluto para tempo, espaço e matéria. Ela mostra que tempo, espaço e matéria estão correlacionados, ou seja, são interdependentes – você nunca pode ter um sem os outros.
Com base na teoria da relatividade, os cientistas predisseram – e depois descobriram – a expansão do Universo, a radiação posterior à explosão e as grandes sementes de galáxias que foram precisamente criadas para permitir que o Universo se formasse e que tivesse o estado atual.

Deus e os astrônomos

Portanto, o Universo teve um início. O que isso significa para a pergunta relativa à existência de Deus? O homem que hoje se assenta na cadeira de Edwing Hubble no Observatório de monte Wilson tem poucas coisas a dizer sobre isso. Seu nome é Robert Jastrow, astrônomo já citado anteriormente. Além trabalhar como diretor do Observatório de monte Wilson, Jastrow é fundador do Instituto Goddard para Estudos Espaciais, da NASA. É óbvio que suas credenciais como cientistas são impecáveis. É por isso que seu livro Deus e os Astrônomos causou tanto impacto entre aqueles que investigam as implicações sobre o Big Bang, a saber: aqueles que fazem a pergunta: “O Big Bang aponta para Deus?”.
Jastrow revela que não que não há nenhum interesse pessoal em suas observações. Ele escreve: “Quando um astrônomo escreve sobre Deus, seus colegas acham que ou ele está ficando velho ou maluco. No meu caso, deve-se entender desde o início que sou agnóstico em relação aos assuntos religiosos”.
À luz do agnosticismo pessoa de Jastrow, suas citações teístas são ainda mais motivadoras. Depois de explicar algumas das comprovações do Big Bang que acabamos de revisar, Jastrow escreve:

Agora veremos como a evidência astronômica leva a uma visão bíblica da origem do mundo. Os detalhes divergem, mas os elementos essenciais presentes tantos nos relatos astronômicos quanto na narração do Gênesis são os mesmos: a cadeia de fatos que culminou com o homem começou repentinamente e num momento preciso do tempo, num flash de energia.
Ibid., P.14

A comprovação de peso do Big Bang e sua compatibilidade com o relato bíblico do Gênesis levou Jastrow a fazer a seguinte observação numa entrevista:

Os astrônomos percebem agora que se colocaram numa encruzilhada, porque provaram por seus próprios métodos, que o mundo começou abruptamente, num ato de criação ao qual se pode rastrear as sementes de toda estrela, todo planeta, toda coisa viva no cosmo e na terra. Eles descobriram que tudo isso aconteceu como um produto de forças que não esperavam encontrar [...] isso que eu e qualquer pessoa chamaríamos de força sobrenatural é, agora, penso eu, um fato cientificamente comprovado.

Ao evocar o sobrenatural, Jastrow faz eco à conclusão de Arthur Eddington, comtemporâneo de Einstein. Como já mencionamos, embora achasse “repugnante”, Eddington admitiu que “o início parece apresentar dificuldades insuperáveis, a não ser que concordemos em olhar para ele como algo francamente sobrenatural”.
Por que Jastrow e Eddington admitiriam que existem forças “sobrenaturais” em ação? Por que as forças naturais não poderiam ter criado o inverso? Porque esses cientistas sabem, assim como qualquer pessoa, que as forças naturais – na verdade, a própria natureza – foram criadas no Big Bang. Em outras palavras, o Big Bang foi o início do Universo físico. Tempo, espaço e matéria passaram a existir naquele momento. Não havia mundo natural ou leis naturais antes do Big Bang. Uma vez que uma causa não pode vir depois de seu efeito, as forças naturais não foram responsáveis pelo Big Bang. Portanto, deve haver alguma coisa acima da natureza para realizar o trabalho. É exatamente isso que significa sobrenatural.
Os descobridores da radiação pós-explosão, Robert Wilson e Arno Penzias, também não eram defensores da Bíblia. Ambos acreditavam inicialmente na teoria do estado estático. Mas, divido às fortes evidências, mudaram sua visão e reconheceram os fatos que são compatíveis com a Bíblia. Penzias admite: “A teoria do estado estático mostrou-se tão fraca que foi abandonada. A maneira mais fácil de encaixar as observações com os parâmetros recentes é admitir que o Universo tenha sido criado do nada, num instante, e que continua a se expandir”.
Wilson, que certa vez assistiu a uma aula de Fred Hoyle (o homem que popularizou a teoria do estado estático em 1948), disse: “Em termos filosóficos, eu gosto do estado estático. Mas ficou claro que eu precisava abandoná-lo”.
Quando o escritor e cientista Fred Heeren perguntou-lhe se a evidência do Big Bang é indicativa de um Criador, Wilson respondeu: “Certamente houve alguma coisa que fez tudo funcionar. Se você é religioso, é certo que não posso pensar numa teoria melhor da origem do Universo do que aquela relatada no Gênesis”.
George Smoot concordou com a avaliação de Wilson. Ele disse: “Não há dúvida de que existe um paralelo entre o Big Bang como um fato e a posição cristã da criação com base no nada”.

Fotos COBE:

 







domingo, 20 de outubro de 2013

OS MANUSCRITOS DO MAR MORTO


“A lei do Senhor é perfeita e restaura a alma; o testemunho do Senhor é fiel e dá sabedoria aos símplices [...] são mais desejáveis do que ouro, [...] em os guardar há grande recompensa [...] Para mim vale mais a lei que procede de tua boca do que milhares de ouro ou de prata” (Salmo 19.7,10-11; Salmo 119.72).

 
Muhammad estava agitado e inquieto. Sua cabra travessa tinha sumido. Ao vaguear sem rumo longe de seu rebanho e de seus amigos, o beduíno chegou a uma caverna que ficava em posição elevada e dava frente para a costa noroeste do Mar Morto. Por pensar que o animal desgarrado tivesse se perdido dentro da caverna, o beduíno começou a jogar pedras pela entrada da gruta a fim de fazê-lo sair lá de dentro. Quando ele ouviu o ruído das pedras que batiam em peças de cerâmica, ficou intrigado. Será que lá dentro da caverna poderia haver um tesouro escondido? Com toda a empolgação, ele correu até a entrada da caverna, porém, no interior dela não encontrou ouro, nem prata, apenas jarros grandes e antigos ao longo das paredes, os quais continham rolos de pergaminhos despedaçados. Ele pensou: “pelo menos os pergaminhos de couro vão servir para fazer correias e tiras de sandálias”. Lamentavelmente, Muhammad não conseguiu perceber a real importância daquele momento. A teimosia de sua cabra o levara àquela que pode ser considerada, nos tempos modernos, a maior descoberta de manuscritos: uma incalculável reserva entesourada da Palavra escrita – os Manuscritos do Mar Morto.

 

Beduínos não marcam o tempo como os ocidentais, mas assemelham-se aos seus antepassados; sua concepção de tempo e momento está relacionada com outros acontecimentos. Assim, não se pode datar essa descoberta com precisão. Após uma revisão, a nova data para a descoberta do primeiro rolo de manuscritos é a de 1935 ou 1936. A partir de então até o ano de 1956, muitos outros manuscritos foram achados. Acredita-se que esses manuscritos sejam de datas diferentes, as quais variam do século III a.C. até o século I d.C. A maior parte deles foi descoberta em cavernas de formação calcária em Qumran, situadas exatamente a noroeste do Mar Morto. A maioria dos pergaminhos é escrita em hebraico; o restante deles é escrito em aramaico e grego. Foram achados mais de 900 documentos, que correspondem a 350 obras distintas em suas múltiplas cópias. Muitos dos escritos bíblicos e extrabíblicos estão representados em pequeníssimos fragmentos. Só em uma caverna foram encontrados 520 textos, na forma de 15 mil fragmentos. Como se pode imaginar, juntar todos esses pedaços de pergaminho na sua respectiva posição para que se faça a tradução tem se constituído numa tarefa gigantesca.

A descoberta dos Manuscritos do Mar Morto confirma aquilo que as pessoas que crêem na Bíblia sempre souberam, ou seja, que a Bíblia, tal qual a temos na atualidade, é um texto que passa nos testes de fidedignidade. Apesar dos ataques contra a Bíblia, a Palavra de Deus permanece para sempre: “O caminho de Deus é perfeito; a palavra do Senhor é provada; ele é escudo para todos os que nele se refugiam” (2 Samuel 22.31).

 

Sempre houve pessoas que questionaram a confiabilidade das Escrituras. Uma vez que o texto foi copiado e re-copiado ao longo dos séculos, os críticos alegam que é impossível saber-se com certeza o que os escritores bíblicos escreveram ou queriam dizer originalmente. Os Manuscritos do Mar Morto invalidam tal hipótese ou suposição no que se refere ao Antigo Testamento. Foram achadas entre 223 e 233 cópias das Escrituras Hebraicas, as quais foram comparadas com o texto atual. O único livro do Antigo Testamento que não foi encontrado nessa descoberta é o livro de Ester. É possível que ele esteja oculto numa caverna ainda não identificada de algum lugar isolado.

 

Antes dessa descoberta, os manuscritos mais antigos das Escrituras Hebraicas datavam do século IX d.C. ao século XI d.C. Tais manuscritos constituem aquele que é chamado de Texto Massorético, termo este originado da palavra hebraica masorah que significa “tradição”. Os escribas judeus de Tiberíades, denominados massoretas, procuraram meticulosamente padronizar o texto hebraico e sua pronúncia; a obra que realizaram ainda é considerada uma referência confiável nos dias de hoje. Os manuscritos de Qumran são, no mínimo, mil anos mais antigos que o Texto Massorético. Na realidade, esses manuscritos são até mesmo mais antigos que a Septuaginta, uma tradução grega do Antigo Testamento elaborada no Egito durante o período de 300 a 200 a.C.

Comparações minuciosas têm sido feitas entre o Texto Massorético e os Manuscritos do Mar Morto. Encontraram-se diferenças insignificantes de ortografia e gramática. Os críticos e céticos em relação à Bíblia ficaram surpresos quanto à maneira pela qual o texto daqueles manuscritos se assemelha ao texto atual. Eles não encontraram nenhuma objeção evidente às principais doutrinas das Escrituras Sagradas. A parte bíblica da literatura descoberta em Qumran confirma o estilo de expressão verbal e o significado do Antigo Testamento que temos em nossas mãos na atualidade: “Examinais as Escrituras, porque julgais ter nelas a vida eterna, e são elas mesmas que testificam de mim” (João 5.39).

 

Além das cópias das Escrituras do Antigo Testamento, as cavernas do Mar Morto também nos proporcionaram outras obras escritas. Esses documentos descrevem o estilo de vida e as crenças da misteriosa comunidade que viveu na região de Qumran. Embora não sejam escritos bíblicos, são registros valiosos que possibilitam a compreensão do contexto de vida e da cultura na época do Novo Testamento. Infelizmente os estudiosos dão mais atenção a essas obras de menor relevância do que às Escrituras, ainda que os textos bíblicos sejam mais importantes para os problemas da vida, pois o legítimo plano de Deus para a redenção da humanidade só se encontra no texto da Bíblia.

 

Uma Exatidão Maravilhosa

 

O Manuscrito do Livro (rolo) de Isaías encontrado na caverna 1 da região de Qumran oferece um sensacional exemplo da transmissão exata do texto na tradução. Acredita-se que esse extraordinário manuscrito date de cem anos antes do nascimento de Jesus Cristo. Foi um manuscrito semelhante a esse que Jesus utilizou na sinagoga da aldeia de Nazaré, quando leu a seguinte passagem das Escrituras: “O Espírito do Senhor está sobre mim, pelo que me ungiu para evangelizar os pobres” (Lucas 4.18; Isaías 61.1). Ele continuou a leitura até determinado ponto. Em seguida, devolveu o livro (rolo) ao assistente da sinagoga e se sentou. Enquanto todos tinham os olhos fitos em Jesus, Ele declarou que aquela porção das Escrituras acabara de se cumprir diante dos ouvintes. Dessa forma, Jesus afirmou claramente ser Ele mesmo o Messias de Deus, vindo ao mundo para conceder a salvação a todo aquele que O receber.

A mesma passagem bíblica traduzida diretamente a partir do Manuscrito do Livro de Isaías descoberto em Qumran (o qual é cerca de mil anos mais antigo do que o manuscrito hebraico (o Texto Massorético) no qual se basearam as outras traduções), é praticamente idêntica: “O Espírito do Senhor Deus está sobre mim, porque YHVH [N. do T., o tetragrama sagrado em hebraico que se refere ao nome supremo de Deus: Yahveh ou Javé] me ungiu para pregar as boas novas aos quebrantados”. A integridade da reivindicação de Cristo, conforme está escrita em nossas Bíblias, se confirma.

 

É fascinante que os manuscritos achados com mais freqüência em Qumran, sejam completos, sejam na forma de pequenos fragmentos, referem-se aos mesmos livros da Bíblia geralmente citados no Novo Testamento: Deuteronômio, Isaías e Salmos. Tal fato desperta um interesse ainda maior à luz das próprias palavras de Jesus concernentes às Escrituras Hebraicas:

“A seguir, Jesus lhes disse: São estas as palavras que eu vos falei, estando ainda convosco: importava se cumprisse tudo o que de mim está escrito na Lei de Moisés, nos Profetas e nos Salmos” (Lucas 24.44).

 

Muitos outros exemplos poderiam ser citados. O fato principal acerca da Bíblia e desses rolos de manuscritos resume-se naquilo que um grande expositor das Escrituras, o inglês G. Campbell Morgan (1863-1945), certa feita compartilhou: “Não existe vida nas Escrituras em si mesmas, porém, se seguirmos a direção para onde as Escrituras nos levam, elas nos conduzirão até Ele e assim encontraremos a vida, não nas Escrituras, mas nEle através delas”.

“Seca-se a erva, e cai a sua flor, mas a palavra de nosso Deus permanece eternamente” (Is 40.8).

 

Infindáveis argumentações e debates têm surgido acerca desses manuscritos. Contudo, os crentes em Cristo podem estar certos de que tais manuscritos bíblicos antigos ratificam, apoiam e dão credibilidade à Bíblia que temos nos dias de hoje. A Palavra de Deus continua a ser a única fonte legítima da fé e da doutrina para todo aquele que busca recompensa eterna.

“São mais desejáveis do que ouro, mais do que muito ouro depurado; e são mais doces do que o mel e o destilar dos favos. Além disso, por eles se admoesta o teu servo; em os guardar, há grande recompensa” (Salmo 19.10-11).

 

Sendo assim, pobre Muhammad! Ele tinha esperança de encontrar os tesouros deste mundo, mas achou apenas pergaminhos despedaçados que só prestavam para fazer correias de sandálias! Lamentavelmente o lucro deste mundo é uma prioridade que absorve a pessoa completamente. O mundo considera as Escrituras Sagradas como algo sem valor; ou com alguma utilidade, de vez em quando, para serem citadas como “palavras da boca pra fora”, mas nunca para serem aceitas pela fé e praticadas. Todavia, nós, os salvos em Cristo, temos um conhecimento mais apurado. Temos conhecimento suficiente para não desprezar o tesouro verdadeiro e incalculável que só pode ser descoberto quando se faz uma escavação no solo da Palavra de Deus:

“E, se clamares por inteligência, e por entendimento alçares a voz, se buscares a sabedoria como a prata e como a tesouros escondidos a procurares, então, entenderás o temor do Senhor e acharás o conhecimento de Deus” (Provérbios 2.3-5).

Peter Colón - Israel My Glory - http://www.beth-shalom.com.br